A Stone (STOC31) atravessa um 2026 mais difícil do que o esperado. Na avaliação do Safra, as tendências operacionais seguem fracas e devem manter pressão sobre os resultados ao longo do ano.
A ação ficou atrás do setor financeiro brasileiro em 2026, com queda de 23% no ano em dólar. Esse desempenho reflete um ambiente mais desafiador para a companhia, com menor dinamismo em volumes de pagamentos, custo de risco mais alto e taxa básica de juros em patamar ainda elevado.
Esse conjunto de fatores deve continuar limitando a rentabilidade e pode levar a uma revisão negativa do guidance divulgado pela empresa em março.
Guidance pode ficar para trás
Quando apresentou suas projeções para 2026, a Stone considerou uma recuperação gradual ao longo do ano e uma Selic próxima de 12% no fim do período, com base nas expectativas do mercado naquele momento.
Desde então, o cenário ficou menos favorável. Por isso, o Safra espera que o lucro bruto fique abaixo da faixa atual de R$ 6,6 bilhões a R$ 7,0 bilhões. A estimativa do banco está em R$ 6,4 bilhões.
A diferença decorre de três pressões principais. A primeira é o aumento das perdas esperadas com crédito. A segunda é a receita mais fraca. A terceira é o avanço das despesas financeiras em um ambiente de juros elevados.
Monetização menor e churn em alta pesam na tese
O Safra mantém recomendação neutra para Stone porque vê um ano desafiador à frente. Entre os principais sinais de fragilidade, o banco destaca a piora na monetização por cliente.
Esse movimento aparece na queda de 11% em um ano na receita média por cliente ativo. Além disso, os níveis de cancelamento seguem acima do esperado, o que reforça a percepção de pressão comercial e concorrencial.
Ao mesmo tempo, a companhia segue investindo para ampliar o reconhecimento da marca em produtos financeiros, como crédito e serviços bancários. Esses esforços podem apoiar o crescimento no longo prazo, mas também exigem despesas adicionais em um momento de menor tração operacional.
Valuation parece equilibrado
Mesmo com a leitura mais cautelosa, o Safra avalia que não há espaço relevante para um novo rebaixamento da tese neste momento. Isso porque o preço da ação já incorpora boa parte do cenário negativo.
Em outras palavras, o mercado parece já refletir a combinação de menor crescimento de receita, pressão sobre margens e revisão potencial de expectativas. Nesse contexto, os níveis atuais de valuation parecem justos.
O Safra reduziu o preço-alvo para Stone de US$ 17 para US$ 13. Antes do ajuste relacionado à Linx, o preço-alvo era de US$ 20. O novo valor implica potencial de valorização de 14%.
Atualmente, a ação negocia a múltiplos de retorno total de 5,6 vezes lucro estimado para 2026 e 4,7 vezes para 2027. No múltiplo de valor patrimonial, o papel negocia a 1,54 vez após o ajuste da venda da Linx.
O que o mercado deve acompanhar
Nos próximos trimestres, a leitura sobre Stone deve depender da evolução de alguns indicadores centrais. O primeiro é o comportamento dos volumes de pagamentos, que continuam fracos e limitam a retomada do crescimento.
O segundo é a capacidade de estabilizar a monetização por cliente. O terceiro é a evolução do churn, que hoje segue acima do esperado. Por fim, o mercado deve monitorar o peso dos investimentos em marca e expansão dos produtos financeiros sobre as despesas e a rentabilidade.
Se esses pontos mostrarem melhora consistente, a percepção sobre a ação pode evoluir. Até lá, o cenário tende a permanecer pressionado.
Principais riscos para a tese
Entre os principais riscos para a tese de investimento em Stone, o Safra destaca:
- avanço de novas tecnologias e desintermediação no setor;
- aumento da concorrência;
- mudanças regulatórias;
- deterioração do ambiente macroeconômico;
- baixo custo de troca no mercado de adquirência.
Análise dos especialistas
A Stone entra na segunda metade de 2026 com fundamentos pressionados e pouco espaço para surpresa positiva no curto prazo. O ambiente de juros elevados, a fraqueza nos volumes de pagamentos e o maior custo de risco formam uma combinação difícil para os resultados.
Embora a ação já reflita boa parte desse quadro, os especialistas do Safra ainda veem um equilíbrio pouco atraente entre risco e retorno. Por isso, mantém recomendação neutra e uma postura cautelosa diante da empresa.