O Banco Safra espera mais um trimestre desafiador para Stone (STOC31) e PagBank (PAGS34) no segundo trimestre de 2026.
Embora o volume total de pagamentos apresente recuperação sequencial, o crescimento de receita e lucro bruto deve continuar limitado. O cenário reflete pressão sobre margens, aumento das perdas de crédito esperadas e maior participação das transações via Pix.
Segundo o banco, o ambiente operacional para as adquirentes brasileiras permanece desafiador, especialmente diante da mudança no mix de pagamentos e da competição elevada no setor.
Stone deve enfrentar maior pressão operacional
Entre as empresas acompanhadas pelo Safra, a Stone deve apresentar o trimestre mais fraco em termos relativos.
A expectativa é de crescimento de 3,7% no volume total processado na comparação anual. Ainda assim, o volume de cartões deve recuar 3% no período, enquanto as transações via Pix continuam ganhando participação.
Esse movimento tende a pressionar os chamados take rates, indicador que mede a receita gerada sobre o volume transacionado.
O Safra projeta lucro líquido ajustado recorrente de R$ 566 milhões para a companhia, queda de 5,5% em relação ao segundo trimestre do ano passado.
O lucro bruto também deve recuar, com estimativa de R$ 1,52 bilhão, baixa de 2,3% na comparação anual.
Além disso, o banco avalia que a Stone continua enfrentando uma trajetória operacional mais difícil, com possibilidade de revisão para baixo do guidance de lucro bruto ao longo do trimestre.
PagBank deve mostrar recuperação gradual
Para o PagBank, o Safra projeta melhora moderada nos volumes transacionados após três trimestres consecutivos de retração.
A estimativa aponta crescimento de 1,1% do volume total de pagamentos em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar da recuperação, o banco considera que o desempenho ainda não caracteriza uma mudança estrutural de tendência para a companhia.
O PagBank deve reportar lucro líquido ajustado de R$ 585 milhões, avanço de 3,5% na comparação anual.
O lucro bruto deve alcançar R$ 1,97 bilhão, alta de 4% em um ano, apoiado pela expansão das receitas líquidas e pela continuidade da disciplina de custos operacionais.
Pix segue mudando dinâmica do setor
As discussões recentes entre o Safra e a administração das empresas indicam volumes transacionais mais saudáveis no trimestre. Ainda assim, o mix de pagamentos continua menos favorável para as adquirentes.
O avanço do Pix reduz a participação das transações tradicionais com cartão, pressionando margens e limitando o potencial de crescimento de receita.
Além disso, o Safra projeta aumento das perdas de crédito esperadas no trimestre, especialmente no caso do PagBank, que segue expandindo sua carteira de crédito.
A carteira da companhia deve atingir R$ 5,4 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 9% frente ao trimestre anterior.
Safra vê cenário ainda desafiador para adquirentes
Na avaliação do Safra, as tendências operacionais do setor continuam exigindo cautela no curto prazo.
Apesar da recuperação gradual do volume transacionado, o crescimento mais forte do Pix e a pressão sobre os take rates seguem limitando a expansão de rentabilidade das companhias.
O banco também observa que os investidores devem acompanhar de perto a evolução das margens e das estratégias de crédito nos próximos trimestres, principalmente no caso da Stone.