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Stone e PagBank devem ter mais um trimestre fraco no 1T26

Prévia do primeiro trimestre indica volumes fracos em Stone e PagBank, com atenção maior à qualidade dos ativos da Stone


O setor de pagamentos no Brasil deve abrir 2026 com mais um trimestre de desempenho fraco. A expectativa é de que Stone (STOC3) e PagBank (PAGS34) apresentem crescimento muito parecido em indicadores centrais, como volume total de pagamentos, lucro bruto e lucro líquido.

Esse cenário tende a reforçar uma visão mais cautelosa para o curto prazo. As duas companhias devem seguir abaixo do ritmo necessário para cumprir as projeções de crescimento de lucro bruto ao longo de 2026. Ainda assim, a leitura do mercado para cada empresa continua diferente.

Mercado deve seguir mais cauteloso com Stone

Na avaliação do Banco Safra, o mercado deve manter uma postura mais conservadora em relação à Stone. O principal motivo é que o PagBank já mostra sinais mais claros de estabilização em indicadores relevantes, como crescimento do volume transacionado e redução da perda de clientes.

A Stone, por sua vez, ainda não exibiu um ponto de virada tão evidente. Além disso, aumentaram as preocupações com a qualidade dos ativos no segmento de pequenas e médias empresas, uma área em que a companhia tem presença importante.

Esse ponto ganhou mais relevância após a própria empresa indicar preocupações de curto prazo em relação ao crédito. Com isso, a percepção de risco pode continuar pressionando as ações, mesmo que os números operacionais fiquem próximos dos apresentados pelo PagBank.

Stone deve mostrar lucro estável, mas com pressão maior no crédito

A Stone deve divulgar seu resultado em 14 de maio, antes da abertura do mercado nos Estados Unidos. A projeção do Safra indica lucro líquido ajustado de operações continuadas de 539 milhões de reais no primeiro trimestre de 2026. O valor representa queda de 24% em relação ao trimestre anterior e alta de 2% frente ao mesmo período de 2025.

A expectativa é de continuidade da desaceleração do volume total de pagamentos. Esse movimento deve levar a um desempenho estável na comparação anual, com leve queda no volume por cliente. Por outro lado, a receita pode ganhar algum suporte com uma pequena melhora nas taxas cobradas e com o efeito temporário das receitas financeiras ligadas ao caixa.

Com isso, a receita total da companhia deve crescer 5% em um ano. Ainda assim, a pressão sobre a operação não deve desaparecer. O Safra projeta aumento relevante nas provisões para perdas esperadas, reflexo de maior custo de risco ligado a casos específicos de inadimplência.

Ao mesmo tempo, o custo dos serviços deve continuar pressionado. Esse quadro tende a limitar a expansão da rentabilidade operacional. A projeção é de lucro bruto de 1,493 bilhão de reais, em linha com o registrado um ano antes, enquanto o resultado antes de impostos ajustado deve cair 4% na mesma base de comparação.

PagBank deve mostrar reação moderada nos volumes

O PagBank deve divulgar seu resultado em 12 de maio, também antes da abertura do mercado nos Estados Unidos. O Safra estima lucro líquido ajustado de 573 milhões de reais, alta de 3,5% na comparação anual.

A expectativa é de recuperação moderada do volume total de pagamentos após dois trimestres de desempenho negativo. Ainda assim, o avanço projetado segue bastante limitado, de apenas 0,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Assim como no caso da Stone, as taxas cobradas devem subir levemente. Esse movimento pode sustentar um crescimento de 3% da receita total em um ano. Quando se descontam os custos de transação, a alta projetada chega a 6%.

Além disso, o banco espera desaceleração das despesas financeiras e manutenção da disciplina de custos. As despesas operacionais devem cair 6% na base anual, com destaque para gastos menores com pessoal. Esse ajuste deve ajudar a compensar o aumento das perdas totais com crédito no trimestre.

A estimativa é de lucro bruto de 1,888 bilhão de reais, alta de 1% em um ano, e resultado antes de impostos de 614 milhões de reais, avanço de 6% na mesma comparação.

Crédito segue como principal diferença entre as empresas

Apesar da semelhança em várias métricas operacionais, o crédito deve continuar separando a percepção sobre as duas empresas. No caso da Stone, a piora na qualidade dos ativos entre pequenas e médias empresas tende a permanecer no centro das atenções.

Já no PagBank, a carteira de capital de giro ainda está em fase de expansão e, por enquanto, não deve gerar preocupação relevante para o mercado. A projeção do Safra é de que a carteira de crédito alcance 5 bilhões de reais no trimestre, com crescimento de 9% sobre o período imediatamente anterior.

Esse contraste ajuda a explicar por que o mercado pode continuar mais exigente com a Stone, mesmo em um ambiente no qual as duas companhias devem entregar resultados ainda mornos.

O que acompanhar nos balanços

Os resultados do primeiro trimestre de 2026 devem ser importantes menos pela força do crescimento e mais pelos sinais sobre os próximos meses. No caso da Stone, investidores devem acompanhar com atenção a evolução da inadimplência, das provisões e da exposição ao segmento de pequenas e médias empresas.

No PagBank, o foco deve recair sobre a consistência da retomada dos volumes, a evolução da base de clientes e o avanço da carteira de crédito sem deterioração relevante de risco.

Em um setor que ainda busca retomada mais firme, a diferença entre as duas teses parece cada vez menos ligada ao crescimento puro e cada vez mais à capacidade de sustentar qualidade operacional e financeira.


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