close

Abra sua conta


ANÁLISE

logo safra

BBDC4

-

Stone cresce em pagamentos, mas inadimplência limita avanço

Stone (STOC31) tem volume de pagamentos acima do esperado no início de 2026, mas inadimplência e pressão na rentabilidade ainda preocupam


A Stone (STOC31) apresentou resultados levemente positivos no primeiro trimestre de 2026. O desempenho ficou 2% acima das estimativas do Safra e do consenso de mercado, apoiado por receitas financeiras mais fortes e despesas administrativas menores.

O principal destaque do trimestre veio do volume total de pagamentos. O indicador desacelerou em ritmo mais suave do que o esperado, o que trouxe alívio depois de um período de maior cautela com a companhia. O crescimento do PIX também chamou atenção, com alta de 37% na comparação anual e desempenho acima da projeção do Safra.

Ainda assim, o volume com cartões ficou mais fraco do que o esperado. No trimestre, o volume de cartões somou R$ 110 bilhões, com queda de 11% em relação ao trimestre anterior e recuo de 3% na comparação com um ano antes.

Receita fica estável, mas custo de risco sobe

A receita líquida total da Stone atingiu R$ 3,578 bilhões, com avanço de 7% em um ano e resultado em linha com a estimativa do Safra. Por outro lado, o custo dos serviços veio acima do esperado, pressionado pelo aumento das provisões para perdas com crédito.

Segundo a companhia, esse movimento refletiu a expansão contínua da carteira de crédito, casos pontuais de inadimplência em clientes maiores e os primeiros sinais de piora em safras mais recentes. Com isso, o custo de risco subiu de forma relevante e chegou a 21,9% no trimestre.

As despesas financeiras, por sua vez, ficaram abaixo da projeção do Safra. Esse fator ajudou a compensar parte da pressão do crédito e permitiu à companhia entregar lucro bruto em linha com o esperado, ainda que mais próximo da faixa inferior do guidance.

Lucro resiste com ajuda do controle de despesas

O lucro bruto da Stone somou R$ 1,488 bilhão. O número ficou estável na comparação anual, mas recuou em relação ao trimestre anterior. Já a margem bruta encolheu, refletindo o ambiente mais pressionado no crédito.

Por outro lado, a companhia mostrou disciplina nas despesas administrativas. Esses gastos vieram 8% abaixo da estimativa do Safra, com destaque para menores despesas com pessoal e serviços gerais.

Com isso, o lucro antes dos impostos somou R$ 641 milhões, 2% acima da projeção do banco. Já o lucro líquido ajustado alcançou R$ 549 milhões, com alta de 4% em relação ao mesmo período de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 18,6%.

Inadimplência piora e preocupa no curto prazo

Apesar do resultado ligeiramente melhor, a qualidade dos ativos seguiu como o principal ponto de atenção. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 7%, ante 5,2% no trimestre anterior. Já a inadimplência entre 15 e 90 dias avançou na comparação sequencial, em linha com uma tendência mais ampla observada no sistema financeiro.

Durante a teleconferência, a administração reconheceu que essa deterioração do custo de risco não estava contemplada no guidance. Ainda assim, a gestão afirmou que espera estabilizar esse indicador ao longo dos próximos trimestres e seguir em busca da parte inferior da projeção de lucro bruto.

Na leitura do Safra, esse ponto exige cautela. Embora o comportamento do volume de pagamentos tenha vindo melhor do que o temido, os sinais mais fracos em churn, na receita média por cliente ativo e na qualidade dos ativos seguem como fontes de preocupação.

Base de clientes e depósitos também perdem força

A Stone encerrou o trimestre com queda de 2% na base total de clientes ativos em relação ao trimestre anterior, ainda que o número permaneça 8% acima do registrado um ano antes. O dado reforça a percepção de pressão sobre a dinâmica comercial da companhia.

Ao mesmo tempo, os depósitos de varejo recuaram 9% frente ao trimestre anterior, embora ainda mostrem crescimento de 22% na comparação anual. Hoje, os depósitos a prazo representam cerca de 90% do total.

Na carteira de crédito, o crescimento continuou forte. A carteira de capital de giro chegou a R$ 2,861 bilhões, enquanto a carteira de cartões de crédito atingiu R$ 364 milhões. Somadas, as duas linhas avançaram 14% no trimestre.

Análise dos especialistas

Na avaliação do Safra, o trimestre da Stone trouxe um alívio parcial. O volume de pagamentos mostrou resiliência, o PIX avançou acima do esperado e o controle de despesas ajudou o lucro a superar ligeiramente as estimativas.

Ainda assim, o quadro estrutural segue desafiador. A piora da inadimplência, a pressão sobre a base de clientes e os sinais de deterioração na economia por cliente limitam uma leitura mais construtiva no curto prazo.

Em resumo, a Stone começou 2026 com desempenho melhor do que o mercado temia em pagamentos, mas ainda precisa mostrar melhora mais consistente na qualidade dos ativos e nos indicadores operacionais para sustentar uma visão mais positiva.


Abra sua conta