A Starlink encerrou 2025 como a operadora de internet fixa com crescimento mais acelerado no Brasil. O avanço da companhia reacendeu discussões entre investidores sobre o potencial de concorrência para Vivo, TIM e Claro no mercado brasileiro de banda larga.
Apesar da expansão, a avaliação do Safra é de que a empresa de Elon Musk ainda atua mais como complemento de cobertura do que como ameaça direta às operadoras tradicionais.
O principal motivo está na diferença entre custo e qualidade do serviço. Nas áreas urbanas, a fibra óptica continua oferecendo velocidade maior, menor latência e preços mais competitivos.
Em São Paulo, por exemplo, a Starlink cobra cerca de R$ 189 por mês por velocidades próximas de 100 Mbps. Já planos de fibra da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, e da Claro oferecem entre 500 Mbps e 700 Mbps por aproximadamente R$ 100 mensais.
Fibra óptica mantém vantagem nas cidades
O mercado brasileiro de banda larga fixa possui forte presença da fibra óptica. Atualmente, o FTTH representa cerca de 78% das conexões do país, distribuídas entre aproximadamente 20 mil provedores regionais.
Nesse cenário, a Starlink concentra atuação principalmente em áreas rurais, remotas e de baixa densidade populacional, onde a expansão da fibra possui custo elevado ou baixa viabilidade econômica.
Segundo o Safra, a competição ocorre mais por cobertura geográfica do que por disputa de preços. Isso porque a capacidade compartilhada dos satélites funciona melhor em regiões menos povoadas e enfrenta limitações em centros urbanos densos.
Assim, a operadora via satélite disputa mercado sobretudo onde ainda existe ausência de serviço adequado.
Mercado americano mostra estratégia de parceria
Nos Estados Unidos, onde o debate sobre internet via satélite está mais avançado, as operadoras de telecomunicações adotaram uma postura de parceria em vez de confronto direto.
A T-Mobile passou a revender o serviço T-Satellite, desenvolvido em parceria com a Starlink. Já AT&T e Verizon firmaram acordos com a AST SpaceMobile para explorar soluções de conexão direta entre satélites e celulares.
A leitura predominante no setor é de que a tecnologia direct-to-cell pode ampliar cobertura e gerar novas receitas sem substituir, no curto prazo, as redes tradicionais de telefonia móvel e banda larga.
Para o Safra, esse movimento reforça a percepção de que a Starlink ainda ocupa um nicho complementar no mercado global de telecomunicações.
Nova geração de satélites pode ampliar capacidade
O principal fator de atenção para os próximos anos está na evolução tecnológica da Starlink.
Hoje, a limitação da companhia não está na cobertura geográfica, mas na capacidade disponível por área atendida. A nova geração de satélites V3 foi projetada para ampliar significativamente essa capacidade.
Segundo estimativas do setor, cada satélite V3 poderá oferecer até dez vezes mais capacidade do que os modelos atuais. A tecnologia depende do avanço operacional do foguete Starship, desenvolvido pela SpaceX.
Caso a implementação ocorra em larga escala, a expectativa é de expansão relevante do mercado atendido pela Starlink a partir de 2027, especialmente em regiões rurais e cidades menores.
Impacto segue limitado, mas risco cresce no longo prazo
A Starlink alcançou cerca de 705 mil linhas no Brasil em março de 2026, o equivalente a aproximadamente 1,5% do mercado de banda larga fixa.
O Safra espera continuidade do crescimento da empresa, principalmente nas regiões Norte e em localidades menos atendidas pela infraestrutura tradicional.
No curto prazo, porém, a avaliação permanece neutra para o setor de telecomunicações. A fibra óptica segue protegida nos grandes centros urbanos, enquanto a Starlink mantém foco em áreas onde a conectividade ainda apresenta lacunas.
Ao mesmo tempo, o banco destaca que o aumento de capacidade satelital, a redução do custo dos terminais e o avanço das soluções de conexão direta com celulares podem elevar gradualmente o potencial competitivo da empresa nos próximos anos.