A Simpar (SIMH3) reportou receita líquida ajustada de R$ 11,2 bilhões no quarto trimestre de 2025. O número ficou 7,0% acima do registrado um ano antes e praticamente estável na comparação com o trimestre anterior.
O avanço refletiu a evolução da receita de serviços, que somou R$ 9,0 bilhões, com alta de 2,7% em 12 meses. Além disso, a receita com venda de ativos alcançou R$ 2,1 bilhões, crescimento de 29,8% na mesma base de comparação.
Entre as controladas, a Movida (MOVI3) teve destaque, com receita líquida de serviços de R$ 2,1 bilhões, alta de 17% em relação ao quarto trimestre de 2024. O desempenho veio do reajuste de tarifas nas operações de aluguel de carros e gestão de frotas.
A Vamos (VAMO3) também mostrou evolução consistente. A receita de serviços da companhia cresceu 13,8% e chegou a R$ 1,2 bilhão, impulsionada pelo maior nível de utilização da frota.
Na JSL (JSLG3), a receita de serviços recuou 2,3%, para R$ 2,4 bilhões. Segundo os especialistas do Safra, o movimento decorre de uma redução intencional da exposição ao transporte de grãos e a contratos com menor rentabilidade.
Já a Automob registrou receita líquida de R$ 3,4 bilhões, com crescimento de 6,7%, apoiada pelo desempenho mais forte nos segmentos de veículos leves, caminhões e ônibus.
Resultado operacional mostra melhora de margem
O EBITDA, somou R$ 3,2 bilhões no trimestre. O resultado representou alta de 16,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Com isso, a margem EBITDA avançou 2,3 pontos percentuais e atingiu 28,2%. Esse ganho reflete, em grande medida, o desempenho mais forte da Movida, que ampliou sua participação na receita consolidada da Simpar.
O resultado operacional ficou em linha com a estimativa do Safra e levemente acima do consenso de mercado.
Despesa financeira segue como principal pressão
Apesar da melhora operacional, o resultado líquido continuou pressionado pelo custo da dívida. A Simpar registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 170 milhões no quarto trimestre de 2025.
No mesmo período de 2024, a companhia havia reportado prejuízo ajustado de R$ 15 milhões. Já no terceiro trimestre de 2025, a perda ajustada foi de R$ 161 milhões.
As despesas financeiras cresceram 24,6% em relação ao ano anterior e totalizaram R$ 2,1 bilhões. O avanço foi provocado, principalmente, pela alta do custo médio da dívida, que subiu 3,6 pontos percentuais em 12 meses, para 17,2%, além do aumento de 2,2% da dívida líquida, que chegou a R$ 41,5 bilhões.
Alavancagem recua e traz sinal positivo
Por outro lado, a alavancagem mostrou melhora no trimestre. A relação entre dívida líquida e EBITDA, medida usada nos contratos financeiros da companhia, caiu para 3,0 vezes no quarto trimestre de 2025, ante 3,5 vezes no trimestre anterior.
Esse recuo reflete, sobretudo, o efeito positivo da venda da Ciclus Rio, em uma transação de R$ 1,8 bilhão em valor da firma. O movimento ajuda a aliviar parte da pressão sobre a estrutura de capital, embora o nível de endividamento ainda siga elevado.
O que o resultado da Simpar sinaliza
O resultado da Simpar reforça uma dinâmica já vista ao longo do ano. As controladas com maior peso operacional continuam entregando evolução de receita e margem. No entanto, a estrutura de capital ainda impede uma conversão mais clara dessa melhora em lucro.
A companhia mostra resiliência na operação, mas segue dependente de uma redução mais consistente da pressão financeira para destravar valor na última linha. Para o investidor, o principal ponto de atenção continua sendo a trajetória da dívida e do custo de carregamento nos próximos trimestres.