As empresas de shoppings e propriedades comerciais devem apresentar resultados moderados no segundo trimestre de 2026, segundo avaliação do Safra.
O banco espera crescimento de vendas acima da inflação, apoiado pelo bom desempenho do Dia das Mães e por melhorias no mix de portfólio dos empreendimentos.
Ainda assim, fatores sazonais devem limitar um avanço mais forte no setor. A mudança da Páscoa para abril e o menor fluxo de consumidores em junho devido à Copa do Mundo devem reduzir o ritmo de crescimento das vendas no trimestre.
Além disso, a menor inflação do IGP-M e uma base de comparação mais desafiadora tendem a pressionar o crescimento do AFFO das companhias.
Vendas seguem resilientes apesar da sazonalidade
Segundo o Safra, as vendas dos lojistas devem continuar crescendo em ritmo de um dígito médio no segundo trimestre.
O desempenho positivo de maio ajudou a compensar uma demanda mais fraca por vestuário e calçados em junho.
Ainda assim, o crescimento operacional deve desacelerar em relação aos trimestres anteriores devido ao calendário menos favorável e ao menor tráfego nos shoppings.
Iguatemi deve liderar expansão do AFFO
A Iguatemi (IGTI11) deve apresentar o maior crescimento de AFFO entre as empresas cobertas pelo Safra.
O banco projeta expansão de aproximadamente 17%, impulsionada principalmente pela melhora do resultado financeiro após a transação realizada com a Brookfield em 2025.
Apesar da redução da área bruta locável própria, receitas mais fortes da divisão de varejo devem limitar a queda da receita consolidada.
O EBITDA ajustado, porém, deve apresentar leve retração na comparação anual.
Allos deve compensar impactos do Shopping Tijuca
A Allos (ALOS3) deve registrar crescimento de receita de 6% no segundo trimestre, mesmo após os impactos do incêndio ocorrido no Shopping Tijuca no início do ano.
O principal destaque deve ser o avanço das receitas de mídia, apoiadas pela consolidação das operações de Congonhas e pelo início da operação em novos aeroportos.
Segundo o Safra, a maior participação dessas receitas deve ajudar a preservar a margem operacional da companhia.
O banco projeta crescimento de 3% do AFFO no período.
Multiplan deve ter trimestre pressionado
A Multiplan (MULT3) deve reportar crescimento expressivo de receita, mas sustentado principalmente por efeitos não recorrentes relacionados a créditos tributários de PIS/Cofins.
Desconsiderando esse efeito extraordinário, o Safra estima retração de aproximadamente 15% da receita.
A comparação mais difícil com o segundo trimestre de 2025, período marcado por receitas imobiliárias relevantes ligadas ao projeto Golden Lake e venda de terrenos, deve pressionar os números.
Mesmo assim, a companhia deve manter margem EBITDA elevada, acima de 75%.
O AFFO por ação, porém, tende a recuar cerca de 16% na comparação anual.
Log CP mantém indicadores operacionais fortes
A Log Commercial Properties (LOGG3) deve continuar apresentando indicadores operacionais sólidos, com crescimento das receitas de locação e baixa vacância.
Segundo o Safra, os contratos de aluguel seguem mostrando reajustes reais positivos, mesmo após recentes vendas de ativos.
Além disso, as receitas de gestão de propriedades devem contribuir para o crescimento da companhia.
Por outro lado, o elevado custo financeiro continua pressionando a geração de caixa.
Com isso, o banco projeta um FFO ajustado mais modesto nas atividades de locação no trimestre.