O setor brasileiro de transportes e logística continua altamente sensível ao ambiente macroeconômico e às condições financeiras. Em relatório atualizado, o Safra revisou estimativas financeiras, premissas macroeconômicas e recomendações para as empresas sob cobertura.
A análise considera dois cenários distintos para avaliar os impactos da política fiscal e das taxas de juros sobre o valor das companhias do setor.
Segundo o Safra, o comportamento das ações no curto prazo segue fortemente ligado à dinâmica macrofinanceira. Já a geração de valor no médio e longo prazo depende mais de fatores estruturais, como qualidade dos ativos, regulação, posição competitiva e capacidade de execução operacional.
Juros menores favorecem empresas alavancadas
Em um cenário de maior disciplina fiscal e redução das taxas de juros de longo prazo, empresas mais sensíveis ao custo de financiamento tendem a apresentar maior potencial de valorização.
O Safra destaca que companhias com oportunidades escaláveis de crescimento e disciplina na alocação de capital podem se beneficiar de forma mais intensa da queda das taxas de desconto utilizadas pelo mercado.
Nesse contexto, empresas de locação e leasing de veículos aparecem entre as principais beneficiadas.
Locadoras seguem entre as preferidas
O Safra mantém visão positiva para companhias como Simpar (SIMH3), Movida (MOVI3), Vamos (VAMO3) e Localiza (RENT3) em um ambiente de redução de juros.
Segundo o banco, essas empresas possuem elevada sensibilidade ao custo de capital e podem registrar expansão relevante de valuation caso o cenário financeiro se torne mais favorável.
A melhora das condições de crédito também tende a beneficiar a renovação de frota, o crescimento operacional e a rentabilidade dessas companhias.
Infraestrutura pode ganhar valor com cenário mais benigno
Empresas de infraestrutura com ativos de longa duração também seguem bem posicionadas em um ambiente de juros mais baixos.
O Safra destaca Rumo (RAIL3), Ecorodovias (ECOR3), Hidrovias do Brasil (HBSA3) e Motiva (MOTV3) entre os nomes com potencial relevante de expansão de valuation.
Essas companhias tendem a se beneficiar da redução do custo de capital de longo prazo, fator que impacta diretamente a precificação de ativos de infraestrutura.
Cenário fiscal ainda exige cautela
Por outro lado, o Safra avalia que um ambiente de maior pressão fiscal e juros elevados continua representando risco para parte do setor de transportes.
Nesse cenário, empresas com receitas indexadas à inflação, maior flexibilidade de custos e posição de liquidez mais confortável tendem a preservar melhor o valor.
O banco ressalta que a seleção de ações permanece dependente da capacidade de identificar companhias mais protegidas em cenários financeiros adversos e aquelas com maior potencial de valorização em um ciclo de queda de juros.
JSL combina potencial de valorização e resiliência
Entre as empresas analisadas, a JSL (JSLG3) segue apresentando uma combinação considerada atrativa entre potencial de valorização e resiliência operacional.
Segundo o Safra, a companhia mantém fundamentos capazes de sustentar desempenho mais equilibrado mesmo em cenários macroeconômicos menos favoráveis.
Na avaliação do banco, a dinâmica dos juros continuará sendo o principal fator para o comportamento das ações do setor de transportes e logística nos próximos trimestres.