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Temporada de balanços deve favorecer empresas de locação e concessões

Banco Safra espera resultados positivos para Motiva, Movida, Localiza e Vamos no segundo trimestre, enquanto vê cenário mais neutro para empresas de logística e transporte


O Banco Safra espera uma temporada de balanços com desempenhos distintos entre as empresas de transportes no segundo trimestre de 2026.

O Safra projeta resultados positivos para Motiva (MOTV3), Movida (MOVI3), Localiza (RENT3) e Vamos (VAMO3). Por outro lado, espera números mais neutros para Rumo (RAIL3), Ecorodovias (ECOR3), JSL (JSLG3) e Hidrovias do Brasil (HBSA3). Já a Simpar (SIMH3) deve apresentar resultado negativo no período.

As empresas ligadas a concessões e locação seguem beneficiadas por melhora operacional e maior eficiência, enquanto segmentos de logística e transporte de carga enfrentam ambiente mais pressionado.

Motiva deve apresentar forte crescimento

A Motiva aparece como um dos destaques positivos da temporada, segundo o Safra.

O banco projeta lucro líquido ajustado de R$ 619 milhões no segundo trimestre, avanço de 56% na comparação anual.

A expectativa reflete principalmente o amadurecimento das novas concessões rodoviárias, incluindo PR Vias, Sorocabana e Minas-SP. Além disso, a saída de contratos deficitários e o forte desempenho operacional da concessão RioSP devem contribuir para os resultados.

O Safra estima crescimento de 26,5% no EBITDA ajustado da companhia, desconsiderando os resultados de aeroportos da base de comparação. A margem EBITDA deve alcançar 64,7%, com expansão de 3,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ecorodovias deve sentir impacto do fim de concessão

Para a Ecorodovias, o Safra espera resultados neutros no segundo trimestre.

A companhia já reportou crescimento de 3,2% no tráfego comparável. No entanto, o tráfego total caiu 0,4% após o encerramento da concessão da Ecovias Sul em março de 2026.

Com isso, o banco projeta queda de 0,4% na receita líquida e retração de 2% no EBITDA na comparação anual.

Sem considerar o impacto da Ecovias Sul, o Safra calcula que receita e EBITDA teriam crescido 8,4% e 7,4%, respectivamente, refletindo desempenho operacional mais sólido dos demais ativos.

Por outro lado, o banco vê pressão relevante nas despesas financeiras, que devem avançar 30,6% no período. Como consequência, o lucro líquido estimado é de R$ 43 milhões, queda de 79% em relação ao segundo trimestre de 2025.

Rumo deve manter estabilidade operacional

A Rumo também deve apresentar desempenho considerado neutro pelo Safra.

A companhia registrou crescimento de 9,1% nos volumes transportados, totalizando 23,8 bilhões de toneladas por quilômetro útil.

Apesar disso, o banco projeta queda de 1,8% nas tarifas médias, o que deve limitar o avanço da receita líquida para 5,2% na comparação anual.

O EBITDA ajustado deve permanecer praticamente estável, com alta de apenas 0,8%. Segundo o Safra, o aumento dos volumes deve ser compensado pela pressão tarifária e por uma leve contração da margem EBITDA, estimada em 58,8%.

Hidrovias do Brasil enfrenta limitações operacionais

Para a Hidrovias do Brasil, o Safra projeta resultado neutro no segundo trimestre.

O banco espera volumes praticamente estáveis no Corredor Norte, diante das limitações causadas por gargalos portuários na região.

Já no Corredor Sul, a expectativa é de crescimento de 4,4% nos volumes transportados, impulsionado por melhores condições de navegação.

Em relação às tarifas, o Safra vê comportamento misto. No Corredor Norte, os preços devem acompanhar a inflação. Por outro lado, as tarifas do Corredor Sul tendem a cair devido à valorização do real frente ao dólar no período.

Com isso, a receita líquida comparável da companhia, excluindo Navegação Costeira, deve crescer 2,8%, enquanto o EBITDA deve avançar 3,5% na comparação anual.

Empresas de locação seguem entre preferidas

Embora o relatório destaque resultados positivos esperados para Movida, Localiza e Vamos, o Safra mantém visão mais cautelosa para empresas expostas a pressão financeira e desafios operacionais.

O banco segue avaliando que o ambiente de juros, custos financeiros e dinâmica de demanda continuam sendo fatores relevantes para o desempenho do setor ao longo de 2026.


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