O Safra atualizou sua cobertura do setor de transportes, incorporando resultados recentes, novas premissas macroeconômicas e projeções revisadas a partir de 2026. Uma mudança relevante foi a elevação da estimativa de Selic estrutural para 10,5%, ante 9,5% anteriormente, o que aumenta o custo de capital e exige maior seletividade nas teses de investimento.
Mesmo com o ambiente macro pressionado, o banco mantém uma visão construtiva para o setor. A recente correção nos preços de algumas ações abriu oportunidades de re-rating, especialmente em empresas com ativos de qualidade, execução consistente e maior visibilidade de resultados.
Localiza lidera preferências no setor
A Localiza (RENT3) segue como a principal escolha no segmento de transportes. A recomendação de compra foi reiterada, com preço-alvo ajustado para R$ 54,90 por ação, o que implica potencial de valorização de 35% e retorno total ao acionista próximo de 40%.
A empresa se destaca pela execução operacional, forte geração de caixa e boa previsibilidade no curto prazo. A ação negocia a 10,5 vezes o lucro estimado para 2026, com desconto de cerca de 25% em relação à média histórica.
Infraestrutura combina qualidade de ativos e valuation
No segmento de infraestrutura, a Motiva (MOTV3) permanece como o nome preferido. A companhia reúne um portfólio de ativos de alta qualidade, desempenho resiliente em rodovias e um pipeline visível de catalisadores. A recomendação de compra foi mantida, com preço-alvo de R$ 18,30 por ação.
A Ecorodovias (ECOR3) teve recomendação elevada para compra após a recente queda das ações. O preço-alvo foi ajustado para R$ 12,10, refletindo valuation atrativo, com potencial de alta de 66% e taxa interna de retorno real alavancada de 15,4%.
Para a Rumo (RAIL3), a recomendação de compra foi mantida, com preço-alvo reduzido para R$ 16,70, principalmente em função da Selic mais alta. Ainda assim, a ação oferece taxa interna de retorno real alavancada de 10,9%. Já a Hidrovias do Brasil (HBSA3) segue com recomendação neutra, com preço-alvo reduzido para R$ 4,10.
Locadoras ganham atenção após correções de preço
Além da Localiza, a recomendação de compra foi mantida para a Vamos (VAMO3), com preço-alvo ajustado para R$ 4,80. A expectativa é de recuperação gradual dos resultados ao longo de 2026, mesmo em um ambiente macro ainda restritivo.
A Movida (MOVI3) também teve recomendação elevada para compra. O preço-alvo foi revisado para R$ 13,80, refletindo um ponto de entrada mais atrativo após a correção recente, apesar da pressão de curto prazo sobre os resultados.
Logística favorece visão de longo prazo
No segmento de logística, a recomendação de compra foi reiterada para a JSL (JSLG3), com preço-alvo elevado para R$ 9,50, sustentado por uma visão positiva de longo prazo e pela diversificação das operações.
Para a Simpar (SIMH3), a recomendação permanece neutra, com preço-alvo reduzido para R$ 10,10. A estrutura de capital mais alavancada torna a tese sensível à volatilidade dos juros e aos riscos de execução nas subsidiárias, o que limita a convicção no curto prazo.
Riscos seguem no radar do setor
Os principais riscos para o setor de transportes incluem um possível aumento adicional no custo da dívida, que pode restringir a capacidade de refinanciamento em um ambiente ainda alavancado. Outro ponto de atenção é o atraso no ciclo de flexibilização monetária, com projeção de Selic em 13,5% no fim de 2026 e 11,0% em 2027. Por fim, um cenário macroeconômico mais fraco do que o esperado pode afetar o desempenho do setor, altamente sensível ao crescimento do PIB.