A base de beneficiários de planos privados de saúde no Brasil alcançou 53,1 milhões em junho, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O número representa uma adição líquida de 86 mil vidas no mês, com avanço de 1,4% em relação ao ano anterior e de 0,2% ante maio.
No segundo trimestre de 2026, o setor registrou 241 mil adições líquidas, em uma recuperação relevante frente à perda de 14 mil beneficiários no primeiro trimestre, período afetado pela sazonalidade negativa de janeiro. Ainda assim, o desempenho ficou abaixo das 323 mil adições líquidas observadas no segundo trimestre de 2025, indicando que a retomada ocorre em ritmo mais moderado.
No acumulado do primeiro semestre, o saldo foi positivo em 227 mil vidas, inferior às 372 mil registradas no mesmo intervalo de 2025. Em doze meses, as adições líquidas somaram 759 mil beneficiários, marcando o primeiro aumento mensal desse indicador desde fevereiro.
Bradesco Saúde e Amil puxam o resultado do trimestre
Entre as operadoras, a Bradesco Saúde liderou o segundo trimestre, com 127 mil adições líquidas, de acordo com os dados da ANS. A Amil apareceu em seguida, com 82 mil novas vidas, consolidando a recuperação entre as principais companhias do setor.
Em junho, a Amil liderou o desempenho mensal, com 36 mil adições líquidas, seguida por Bradesco Saúde, com 26 mil, Porto Saúde, com 13 mil, Sistema Unimed, também com 13 mil, e SulAmérica, com 8 mil.
A leitura sugere um trimestre mais favorável para operadoras com maior capacidade de capturar a demanda corporativa, especialmente em contratos empresariais, segmento que respondeu por praticamente todo o crescimento do setor no período.
Divergências entre dados da ANS e números corporativos devem ser monitoradas
Embora os dados regulatórios indiquem forte desempenho da Bradesco Saúde, os números reportados pelas empresas podem apresentar diferenças em relação à base da ANS. No caso da Bradesco, por exemplo, a agência aponta 127 mil adições líquidas, enquanto a companhia teria reportado 99 mil.
Essas divergências costumam decorrer de diferenças de classificação, prazo de registro e metodologia. Por isso, os resultados corporativos do segundo trimestre de empresas como Hapvida e SulAmérica devem ser acompanhados com atenção, sobretudo para avaliar a consistência operacional por trás dos dados regulatórios.
Hapvida segue como principal detrator, apesar de sinais pontuais de estabilização
O grupo GNDI + Hapvida foi o principal detrator do segundo trimestre, com perda líquida de 54 mil beneficiários. Desse total, a Intermédica respondeu por 37 mil vidas negativas no período.
Em junho, o desempenho ainda foi negativo, com perda de 13 mil vidas para o grupo, concentrada principalmente na Hapvida, que registrou retração de 12 mil beneficiários. A Intermédica, por sua vez, ficou praticamente estável no mês, com saldo próximo de zero.
Apesar do resultado ainda fraco, a estabilidade da Intermédica em junho foi seu melhor desempenho mensal desde março. O avanço em São Paulo pode ser interpretado como um sinal inicial de melhor ajuste comercial, embora ainda seja cedo para afirmar uma inflexão estrutural.
A prévia dos especialistas do Safra para o segundo trimestre projeta perda líquida de 56 mil vidas para a Hapvida e adição líquida de 3 mil para a SulAmérica, números que podem diferir dos dados da ANS por questões metodológicas.
Planos empresariais sustentam crescimento; individuais seguem em queda
O crescimento do setor no segundo trimestre foi fortemente sustentado pelos planos empresariais, que registraram 98 mil adições líquidas em junho e 240 mil no trimestre. No acumulado do ano, esse segmento soma 334 mil novas vidas.
A expansão reforça a dependência do setor de saúde suplementar em relação ao mercado corporativo. Em um ambiente de maior seletividade das operadoras, os contratos empresariais continuam sendo o principal vetor de crescimento, tanto pela escala quanto pela maior capacidade de repasse e gestão de risco.
Planos individuais mantêm tendência estrutural negativa
Na direção oposta, os planos individuais tiveram perda líquida de 8 mil beneficiários em junho, 25 mil no trimestre e 94 mil no acumulado do ano.
O desempenho confirma a tendência de declínio estrutural desse produto, pressionado por menor atratividade econômica para operadoras, maior rigidez regulatória e dinâmica de reajustes distinta da observada nos contratos coletivos.
Os planos por afinidade também recuaram em junho, com perda de 4 mil vidas, mas encerraram o trimestre em território positivo, com 26 mil adições líquidas, sustentados principalmente pelo bom desempenho de maio.
Sudeste concentra avanço e responde por quase três quartos do crescimento mensal
Do ponto de vista regional, quatro das cinco regiões brasileiras apresentaram adições líquidas positivas em junho. O Sudeste liderou com 64 mil novas vidas, o equivalente a cerca de 74% do total nacional no mês.
Na sequência vieram o Sul, com 12 mil adições, o Centro-Oeste, com 6 mil, e o Norte, com 5 mil. O Nordeste foi a única região com saldo negativo em junho, com perda líquida de 1 mil beneficiário.
No trimestre, todas as regiões encerraram no campo positivo. O Sudeste adicionou 146 mil vidas, enquanto o Nordeste somou 46 mil, concentradas sobretudo em maio. No acumulado de 2026, todas as regiões também registram crescimento, lideradas pelo Sudeste, com 152 mil adições líquidas.
Odontológico mantém expansão, apesar de queda mensal da Odontoprev
No segmento odontológico, a base de beneficiários atingiu 36,7 milhões em junho, com crescimento de 167 mil vidas no mês e 1,085 milhão no acumulado do ano.
A Odontoprev registrou perda líquida de 41 mil beneficiários em junho, mas segue com desempenho positivo no ano, acumulando 443 mil adições líquidas. Com isso, a companhia responde por cerca de 41% das novas vidas do segmento odontológico em 2026.
O contraste entre o recuo mensal e o desempenho acumulado sugere que o segmento ainda preserva trajetória de expansão, embora sujeito a oscilações pontuais nas carteiras das principais operadoras.
Leitura para investidores: recuperação existe, mas qualidade do crescimento importa
A fotografia de junho e do segundo trimestre mostra uma melhora clara em relação ao início do ano, mas ainda não aponta para uma recuperação homogênea entre operadoras. O avanço é concentrado em planos empresariais, em algumas regiões e em players específicos.
Para investidores, a qualidade das adições líquidas tende a ser tão relevante quanto o volume. Crescimento em contratos empresariais pode favorecer escala e diluição de custos, mas também exige disciplina comercial, controle de sinistralidade e capacidade de reajuste.
Nesse contexto, Bradesco Saúde e Amil aparecem como destaques positivos do trimestre, enquanto Hapvida permanece sob escrutínio. A estabilização pontual da Intermédica em junho é um elemento a monitorar, mas ainda insuficiente para alterar, de forma conclusiva, a percepção sobre os desafios operacionais do grupo.
A leitura setorial é de recuperação gradual, com sinais mais favoráveis no curto prazo, mas ainda marcada por assimetria competitiva e necessidade de comprovação nos resultados corporativos do segundo trimestre.