O setor de saúde deve apresentar resultados desiguais no primeiro trimestre de 2026, mas a tendência mais clara está entre os prestadores de serviços. Nesse grupo, a expectativa é de um trimestre mais forte, apoiado pela maturação da capacidade adicionada ao longo dos últimos 12 a 18 meses.
Com maior utilização dos ativos, hospitais, laboratórios e operações ligadas a serviços de saúde tendem a capturar ganhos de eficiência. Esse movimento favorece a diluição de custos e sustenta a expansão das margens operacionais.
Além disso, o aumento do número de beneficiários nos últimos meses fortalece a demanda por atendimento. Como a infraestrutura não cresceu na mesma velocidade, as empresas mais bem posicionadas e com melhor execução devem capturar esse fluxo de forma mais eficiente.
Hospitais devem entregar os resultados mais consistentes
Entre as empresas sob cobertura, os hospitais devem apresentar os números mais limpos do trimestre. A avaliação do Banco Safra aponta que Rede D’Or (RDOR3) deve liderar o setor, sustentada pelo avanço gradual de unidades mais novas e por um portfólio em estágio mais favorável de maturação.
A Mater Dei (MATD3) também deve reportar um trimestre sólido. A companhia deve se beneficiar de melhor execução operacional, além de tendências favoráveis em oncologia e de um mix de maior qualidade em mercados considerados estratégicos.
Na Dasa (DASA3), a expectativa é de melhora operacional tanto em diagnósticos quanto na divisão de hospitais e oncologia. Com isso, a empresa pode mostrar resultados consolidados mais fortes e avanço de margem na comparação com períodos anteriores.
Operadoras seguem em ritmos diferentes
No segmento de planos de saúde e odontológicos, o cenário continua mais dividido. Embora o índice de sinistralidade da indústria ainda mostre espaço para melhora, a evolução não deve ocorrer de forma homogênea entre as companhias.
Para a SulAmérica (SULA11), a expectativa é de nova melhora da sinistralidade caixa, impulsionada por reajustes de preços e iniciativas de eficiência. Já a Hapvida (HAPV3) deve seguir na direção oposta. A companhia provavelmente deve registrar piora na comparação anual, pressionada por um ambiente comercial mais difícil e por menor diluição de custos.
Na linha de crescimento, os dados setoriais indicam adições líquidas saudáveis para a maior parte das operadoras em janeiro e fevereiro. Esse movimento sugere uma base de beneficiários mais forte no trimestre. A exceção, segundo as estimativas do Safra, deve ser a Hapvida, que tende a mostrar desempenho mais fraco também nesse indicador.
Odontologia mostra resiliência
A Odontoprev (ODPV3) deve seguir como um caso mais estável dentro do setor. O negócio odontológico continua apoiado por adições líquidas consistentes e por uma dinâmica saudável de despesas, o que deve sustentar margens robustas no trimestre.
Esse perfil mais previsível reforça a posição da companhia como um nome defensivo em um ambiente ainda misto para operadoras de saúde.
Diagnósticos e distribuição têm cenários distintos
Em diagnósticos, a Dasa deve voltar a mostrar sinais de melhora. A expectativa é de volumes fortes e preços amplamente estáveis, o que pode contribuir para uma expansão de margens e para um desempenho consolidado melhor no trimestre.
Já a Qualicorp (QUAL3) deve reportar um trimestre misto. A companhia ainda avança em sua estratégia de recuperação, com melhora de rentabilidade e geração de caixa na comparação anual, mas a pressão sobre a receita segue presente.
Na Viveo (VVEO3), o cenário continua mais desafiador. A empresa deve enfrentar um ambiente de receita mais fraco, enquanto o espaço para melhora sequencial via eficiência parece mais limitado neste momento.
Execução deve definir os vencedores
O primeiro trimestre de 2026 deve reforçar uma divisão importante no setor de saúde. De um lado, hospitais e prestadores de serviços devem se beneficiar de demanda aquecida, maior utilização da estrutura e alavancagem operacional. De outro, operadoras ainda convivem com trajetórias menos uniformes, sobretudo em sinistralidade e crescimento de beneficiários.
Nesse contexto, a execução deve seguir como principal fator de diferenciação entre as companhias. A avaliação do Safra indica que Rede D’Or e Mater Dei devem se destacar positivamente no trimestre, enquanto Hapvida tende a apresentar os números mais fracos entre os principais nomes do setor.