O Santander Brasil (SANB11) reportou lucro líquido de R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com queda de 7% em relação ao trimestre anterior e recuo de 2% na comparação com o mesmo período do ano passado. O retorno sobre o patrimônio ficou em 16,0%, em linha com a estimativa do Safra.
Ainda assim, o resultado veio 6% abaixo do consenso de mercado. Para o Safra, esse desempenho reforça uma leitura levemente negativa para as ações, já que a contração dos resultados era esperada, mas os sinais operacionais ficaram um pouco mais fracos do que o projetado.
Receita financeira ajuda, porém não muda a leitura de cautela
A receita financeira avançou 3% na comparação trimestral e superou a projeção do Safra. O desempenho refletiu surpresa positiva tanto na linha com clientes quanto nas operações de mercado. Com isso, a receita ajustada ao risco somou R$ 9,468 bilhões, alta de 3% no trimestre e 8% acima da estimativa da casa.
Por outro lado, a melhora da receita não foi suficiente para alterar a visão mais conservadora. O Safra avalia com cautela a expansão do lucro antes dos impostos, porque a evolução das provisões não acompanhou o avanço dos créditos problemáticos de forma plena. Além disso, os ganhos observados em despesas operacionais e tributação em trimestres anteriores não se repetiram no início de 2026.
Inadimplência segue em alta e crédito decepciona
A carteira de crédito expandida recuou 0,4% ante o trimestre anterior, com impacto mais forte no segmento de pessoas físicas. Esse desempenho voltou a frustrar, sobretudo em um ambiente no qual o mercado acompanha de perto a retomada da originação.
Ao mesmo tempo, a inadimplência de 90 dias continuou a subir. Nos segmentos de pessoas físicas e pequenas e médias empresas, os índices alcançaram 4,9% e 6,0%, respectivamente. Já o indicador consolidado de inadimplência de 90 dias subiu para 3,3%.
A inadimplência de curto prazo teve avanço mais moderado e, na visão do Safra, ainda dentro do padrão sazonal. Mesmo assim, a deterioração da qualidade dos ativos permaneceu como um dos principais pontos de atenção do trimestre.
Provisões e capital permanecem no radar
As provisões líquidas vieram 3% abaixo da estimativa do Safra e cresceram 4% frente ao trimestre anterior. As provisões brutas cobriram 95% da formação de créditos inadimplentes e 91% da formação dos ativos mais problemáticos. Para o banco, esse nível ainda pede atenção diante da piora observada na carteira.
As baixas para perdas somaram R$ 5,508 bilhões, com alta de 32,8% no trimestre, refletindo maior expectativa de perdas. Além disso, o índice principal de capital caiu 36 pontos-base, para 11,2%, o que também entrou no radar dos investidores.
Recomendação neutra para as ações
O Safra reiterou recomendação neutra para Santander Brasil (SANB11). A avaliação considera que, embora a receita financeira possa abrir espaço para revisão positiva limitada nas estimativas de receita ao longo de 2026, a trajetória das provisões e a piora da qualidade dos ativos ainda impõem restrições relevantes.
Além disso, a perspectiva de crescimento segue mais modesta que a de pares do setor. Por isso, mesmo com lucro em linha com a projeção da casa, o conjunto do balanço não trouxe elementos suficientes para uma leitura mais construtiva sobre as ações.
O que o investidor deve acompanhar
Nos próximos trimestres, o mercado deve monitorar três frentes principais no caso de Santander Brasil.
- A evolução da inadimplência, sobretudo em pessoas físicas e pequenas e médias empresas
- O ritmo de crescimento da carteira de crédito
- O comportamento das provisões diante do avanço dos ativos problemáticos
Se esses indicadores mostrarem estabilização, a percepção sobre o papel pode melhorar. Até lá, a visão tende a seguir mais cautelosa.