O Santander Brasil (SANB11) registrou lucro líquido de R$ 3,01 bilhões no segundo trimestre, queda de 20% em relação ao trimestre anterior e de 18% na comparação anual. O resultado ficou abaixo das projeções do Banco Safra e do mercado, refletindo um desempenho operacional mais fraco do que o esperado.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio ficou em 12,5%, permanecendo distante dos níveis historicamente observados pelo banco.
Na avaliação do Safra, a principal decepção veio da margem financeira, cuja deterioração pode continuar afetando os resultados ao longo dos próximos trimestres.
Margem financeira preocupa investidores
A receita financeira líquida ficou praticamente estável em relação ao primeiro trimestre, mas abaixo das expectativas.
O principal impacto veio da margem financeira com clientes, pressionada por spreads menores e por uma composição menos favorável da carteira de crédito.
Além disso, fatores como marcação a mercado de ativos de clientes e diferimento de receitas ligadas a correspondentes bancários também contribuíram para a piora do resultado.
Segundo o Safra, o efeito dessa deterioração tende a se prolongar, limitando a recuperação da rentabilidade do banco no curto prazo.
Provisões seguem elevadas
As despesas com provisões para perdas com crédito cresceram significativamente no trimestre.
Parte desse movimento já era esperada pelo mercado após divulgações preliminares feitas pela instituição. Ainda assim, os números vieram acima das projeções.
O banco registrou aproximadamente R$ 350 milhões em provisões relacionadas a um caso corporativo específico e outros R$ 350 milhões associados a mudanças em suas políticas de reconhecimento de perdas.
Como resultado, o custo de risco aumentou e reduziu ainda mais a geração de resultados.
Qualidade da carteira mostra sinais de deterioração
Os indicadores de crédito continuam apontando para um ambiente mais desafiador.
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu relativamente estável, mas o resultado foi influenciado por um volume elevado de operações baixadas para prejuízo durante o trimestre.
As baixas totalizaram mais de R$ 7 bilhões, avanço expressivo em relação ao trimestre anterior.
Os maiores sinais de deterioração foram observados nos segmentos de pessoas físicas, pequenas e médias empresas e agronegócio.
Além disso, os índices de atraso de curto prazo também apresentaram piora, especialmente entre clientes de varejo.
Carteira de crédito encolhe
A carteira de crédito ampliada recuou 2,4% em relação ao trimestre anterior.
O principal impacto veio do segmento de pequenas e médias empresas, que apresentou retração tanto na comparação trimestral quanto anual.
A desaceleração da carteira contribuiu para a pressão sobre a margem financeira e reforçou o cenário de crescimento mais moderado para os próximos períodos.
Despesas continuam avançando
As receitas de prestação de serviços ficaram abaixo das expectativas do mercado.
A maior parte das linhas de negócio apresentou retração, com exceção das operações de cartões e gestão de recursos.
Ao mesmo tempo, as despesas operacionais continuaram crescendo, pressionando a eficiência do banco.
Esse conjunto de fatores levou a uma queda expressiva do lucro antes dos impostos e contribuiu para a piora da rentabilidade.
Capital também recua
O índice de capital principal do Santander encerrou o trimestre em 11,2%, abaixo do nível registrado nos três meses anteriores.
Embora o indicador permaneça dentro dos limites regulatórios, a redução reforça o ambiente de maior pressão sobre o balanço da instituição.
Perspectivas
Na avaliação do Safra, os resultados do segundo trimestre reforçam um cenário mais desafiador para o Santander.
O aumento das provisões já era amplamente esperado pelo mercado, mas a piora da margem financeira trouxe preocupações adicionais por seu potencial impacto nos próximos trimestres.
Com crescimento mais fraco da carteira, pressão sobre a qualidade dos ativos e rentabilidade abaixo dos níveis históricos, o banco deve continuar enfrentando dificuldades para recuperar o retorno sobre o patrimônio no curto prazo.
Diante desse cenário, o Safra mantém recomendação neutra para as ações do Santander Brasil.