O Banco Safra elevou o preço-alvo e da ação da Gerdau (GGBR4) para R$ 25,50 no fim de 2026 e R$ 20,90 no fim de 2027. O banco manteve a recomendação de Compra após aumentar as estimativas de EBITDA e reduzir o custo de capital próprio (Ke) para 14,5% (de 15,9%).
A visão positiva sobre a Gerdau se baseia no posicionamento leve dos investidores (ação +~5% no ano, vs. IBOV +19% e MATB11 +12%) e em perspectivas melhores de FCF, sustentadas por menor capex, impostos em caixa e despesas com juros, embora os yields fiquem mais atraentes após 2026.
O Safra vê ~3% de upside para o EBITDA do consenso em 2026–2027, com EBITDA de R$ 11,7 bi em 2026 e R$ 13,0 bi em 2027. A Gerdau negocia a 4,1x o
EBITDA 2026E estimado pelo Safra e 3,4x o EBITDA 2027E, o que se compara bem com sua média de cinco anos de 4,1x e com pares siderúrgicos nos EUA em 8,6x em 2026 e 7,9x em 2027.
Quanto ao fluxo de caixa livre (FCF) yield, o Safra estima uma média de ~11% para 2026–2028, bem acima do consenso de ~5%.
Perspectiva na América do Norte: hipóteses de normalização de margem podem estar conservadoras demais
Os aumentos de preço do aço nos EUA no ano até a data não parecem totalmente refletidos no consenso para siderúrgicas americanas, incluindo a Gerdau. O Safra espera que a Gerdau North America entregue margem EBITDA de 22% em 2026 (+4 p.p. YoY) e 20% em 2027 (-2 p.p. YoY), refletindo uma normalização nos preços do aço nos EUA à medida que a dinâmica do USMCA pode fomentar redirecionamento de importações para os EUA.
Dito isso, o consenso assume um pouso muito mais suave para as siderúrgicas dos EUA (NUE, STLD e CMC), com margem EBITDA +4,6% YoY em 2026 e queda de apenas 0,8% YoY em 2027 (figura 2).
Ampliar a comparação sugere que tanto o Safra quanto o mercado podem estar conservadores demais nas margens da Gerdau North America em relação às dos pares nos EUA, potencialmente subestimando o upside do DCF e o risco de as margens se manterem estruturalmente mais altas.
Aço Brasil: visão cautelosa para margens; upside com proteção comercial
Para a Gerdau Brasil, o Banco Safra mantém uma hipótese cautelosa de margem EBITDA em 2026 (9%) e de longo prazo (14%). O banco espera EBITDA incremental e
expansão de margem com o projeto Miguel Burnier, mas segue cauteloso para incorporar um cenário de preços mais fortes do aço, dada a demanda fraca e os stoques ainda elevados ao longo da cadeia.
Um upside ao cenário-base do Safra pode se materializar se medidas antidumping (particularmente as investigações em curso de HRC e fiomáquina) reduzirem importações da Ásia, permitindo que os produtores domésticos elevem a taxa de utilização, diluam custos fixos e melhorem preços à medida que o destoque avança.
Monetização de ativos não core: upside relevante para preço-alvo e FCF yield
A administração destacou esforços contínuos para monetizar ativos imobiliários não core, incluindo florestas, edifícios comerciais e terrenos adquiridos em M&As anteriores.
Para fins de avaliação, o Safra assume vendas pós-imposto de ativos não core na faixa de R$ 750 mi–R$ 4.500 mi. Sob a hipótese-base de R$ 5,50/US$, cada R$ 1,5 bi em venda de ativos aumenta o preço-alvo em ~3% e eleva a projeção de FCF yield anual em ~1 p.p.
O Safra nota que o aumento do preço-alvo proveniente de vendas de ativos aumenta ainda mais com a apreciação do real, dado o impacto positivo da conversão cambial sobre componentes de avaliação vinculados ao US$.
Riscos à tese de investimento:
- (i) Preços do aço no Brasil e nos EUA divergindo das estimativas do Safra;
- (ii) competição de importados nos mercados da Gerdau;
- (iii) atividade econômica diferente do que o Safra espera no Brasil e nos EUA; e
- (iv) aumento inesperado nos planos de capex.