O Banco Safra rebaixou a recomendação da Telefônica Brasil (VIVT3), empresa responsável pela operação da Vivo, de compra para neutra. Além disso, reduziu o preço-alvo para os próximos 12 meses de R$ 42 para R$ 37 por ação.
A revisão considera três fatores principais: a desaceleração do crescimento real da receita média de serviços móveis, o ambiente mais promocional para a conquista de novos clientes e premissas mais conservadoras para a avaliação das empresas brasileiras.
O Safra manteve a recomendação neutra para a TIM Brasil (TIMS3), mas reduziu o preço-alvo de R$ 28 para R$ 22. Para a América Móvil (AMXB), a recomendação de compra foi mantida, com preço-alvo inalterado em US$ 33,50.
Lucro deve recuar
As principais revisões nas estimativas ocorreram após o resultado operacional. As projeções para o resultado operacional mudaram pouco, mas o lucro líquido caiu para a Telefônica Brasil e para a TIM.
No caso da Telefônica Brasil, o Safra reduziu a projeção de lucro líquido em 2% para 2026 e em aproximadamente 5,5% para 2027. A revisão ocorreu mesmo com uma estimativa ligeiramente maior para o resultado operacional, devido ao aumento das despesas de depreciação e amortização.
Na TIM, a projeção de lucro líquido para 2026 permaneceu praticamente estável. Para 2027, porém, a estimativa caiu cerca de 7%.
A consolidação da I-Systems e da V8 adiciona ativos que exigem mais capital e aumentam o endividamento da companhia. Como consequência, as despesas de depreciação, amortização e financeiras devem crescer, mesmo com uma projeção estável para o resultado operacional.
Na América Móvil, as mudanças foram menores. O Safra reduziu principalmente a estimativa de receita móvel no Brasil, diante de um ambiente mais promocional. No entanto, as projeções consolidadas permaneceram praticamente inalteradas devido à relevância do México nos resultados da companhia.
Crescimento mais moderado
O Safra também adotou premissas mais conservadoras para o crescimento de longo prazo das empresas brasileiras.
A premissa de risco das ações subiu de 1,05 para 1,10. Com isso, o custo de capital próprio passou a aproximadamente 15,4% na Telefônica Brasil, enquanto o custo médio ponderado de capital ficou em cerca de 13,9% para a companhia e 14,0% para a TIM.
Além disso, o Safra reduziu de 4% para 3% a projeção de crescimento permanente para as operadoras brasileiras. A nova estimativa está alinhada à inflação de longo prazo.
A mudança reflete um mercado maduro e com alto nível de penetração. Nesse cenário, tornou-se mais difícil justificar um crescimento acima da inflação por prazo indeterminado. Também aumentaram as dúvidas sobre o poder de repasse de preços das operadoras e os possíveis efeitos de alternativas de conectividade via satélite.
Receita média perde força
O crescimento real da receita média de serviços móveis já mostra desaceleração desde o início de 2024.
Na Telefônica Brasil, o indicador passou de aproximadamente 5% para 1,7% no segundo trimestre de 2026. Na TIM, a taxa recuou de cerca de 3,5% para uma variação negativa de 0,2% no mesmo período.
Esse foi o primeiro resultado negativo registrado pela TIM nesse indicador, segundo a análise do Safra.
Para a América Móvil, o crescimento de longo prazo foi mantido em 4% em pesos mexicanos, em linha com a inflação projetada para o México.
Promoções afetam novos clientes
O Safra realizou uma análise para avaliar os efeitos de um ambiente promocional mais prolongado sobre os resultados de 2027 da Telefônica Brasil, da TIM e da Claro.
No cenário-base, que considera descontos efetivos de 20% sobre 40% dos novos clientes de planos pós-pagos, o impacto estimado seria de aproximadamente R$ 145 milhões no resultado operacional da Telefônica Brasil e de R$ 38 milhões no da TIM Brasil.
Em termos de lucro líquido, os efeitos corresponderiam a 1,3% para a Telefônica Brasil e a 0,6% para a TIM.
Os impactos ainda seriam moderados, mas poderiam crescer rapidamente caso a competição se intensifique. Em um cenário considerado improvável pelo Safra, com descontos de 30% aplicados a todos os novos clientes pós-pagos, o efeito poderia alcançar 6% do lucro líquido de 2027 da Telefônica Brasil e 3% do lucro da TIM.
Telefônica Brasil está mais exposta
A análise do Safra indica que a Telefônica Brasil está mais exposta à pressão sobre as vendas incrementais do que a TIM.
A TIM pode parecer mais vulnerável porque a telefonia móvel representa uma parcela maior de sua receita. No entanto, os descontos afetam principalmente os novos clientes. Como a Telefônica Brasil adiciona mais usuários pós-pagos do que a TIM Brasil, o impacto potencial sobre o lucro é maior.
O cenário que poderia alterar de forma mais relevante as estimativas seria uma redução de preços para a base atual de clientes. Esse movimento teria impacto significativamente maior e afetaria as duas empresas de maneira semelhante.
Até o momento, porém, as evidências não apontam para uma redução generalizada de preços na base instalada. No caso da América Móvil, a operação brasileira tem peso diluído nos resultados consolidados e representa menos de 1% do lucro da companhia.
Riscos permanecem no radar
Entre os principais riscos para as empresas do setor, o Safra destaca:
- Maior pressão sobre os preços.
- Prolongamento do ciclo promocional.
- Queda mais rápida da receita média de serviços móveis.
- Avanço da conectividade via satélite.
- Redução do poder de repasse de preços no longo prazo.
A recomendação neutra para a Telefônica Brasil reflete, portanto, uma combinação de menor crescimento, competição promocional e avaliação mais conservadora. Para a TIM Brasil, o Safra mantém uma visão neutra. Já a América Móvil continua com recomendação de compra.