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ANÁLISE

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Sabesp tem potencial de valorização limitado

Novo preço‑alvo de R$ 146 por ação da Sabesp (SBSP3) indica um upside moderado, segundo análise do Banco Safra, que rebaixa recomendação para neutra


Em 2025, as ações da Sabesp (SBSP3) superaram o Ibovespa (+51% vs. 34%). Esse desempenho foi merecido, considerando todos os avanços implementados pela nova gestão após a privatização e a redução de riscos proporcionada pela revisão tarifária final (que estabeleceu um novo RAB para a companhia e reduziu incertezas sobre a metodologia tarifária).

O Banco Safra apresentou o novo preço-alvo de 12 meses de R$ 146 para SBSP3 (ante R$ 144,10), o que implica um upside total de ~18%, justificando o rebaixamento para Recomendação Neutra (antes Compra).

No modelo revisado,o Banco Safra estima uma TIR de ~10,5% e vê a empresa negociando a 1,2x EV/RAB 2026 e 6,9x EV/EBITDA 2026, múltiplos que considera razoáveis, mas limitados neste momento.

De qualquer forma, o Safra acredita que a companhia ainda pode encontrar novos vetores de crescimento e surpreender
positivamente com novas medidas de eficiência.

Ventos favoráveis para a Sabesp (SBSP3) vindos de eficiência e regulação

A nova gestão da Sabesp (SBSP3) implementou iniciativas significativas de eficiência em 2025, permitindo reduzir custos gerenciáveis ajustados em 25%.

Como resultado, o EBITDA ajustado dos 9M25 cresceu 21% a/a. A companhia já anunciou um novo programa de desligamento voluntário, que, segundo as estimativas, pode reduzir custos trabalhistas em ~30%.

Além disso, na visão do Safra, a conclusão da primeira revisão tarifária pós-privatização no final de 2025 foi positiva, já que os principais elementos da revisão (opex e RAB) ficaram próximos das estimativas, sustentando um EBITDA regulatório de longo prazo saudável e reduzindo a percepção de risco.

Hidrologia reduz parte do ímpeto da Sabesp

Janeiro se mostrou um mês desafiador em termos de afluências hídricas (até agora ~40% da média de longo prazo), especialmente após um 2025 já seco (com afluência média em ~50% da média de longo prazo, segundo a ANA).

Como resultado, o Safra revisou o modelo do Sistema Cantareira e, embora as afluências possam melhorar em fevereiro e março (que normalmente representam 25% do total anual), o banco vê um cenário desafiador que pode demandar medidas adicionais para garantir o abastecimento até o final de 2026.

Mudanças nas estimativas

O Banco Safra atualizou o modelo para incluir:

  • (i) a revisão tarifária atualizada;
  • (ii) estimativas revisadas de custos, incluindo o novo programa de desligamento voluntário;
  • (iii) os resultados mais recentes;
  • (iv) um novo cenário macro;
  • (v) uma nova taxa de desconto;
  • (vi) uma nova curva de volumes (crescimento de 2,3% em 2026–2027 vs. 4,5% anteriormente). Essas mudanças combinadas implicam queda de 2,4% em nossas estimativas de EBITDA para 2026–2028.

Valuation

O preço-alvo de 12 meses baseado em DCF é de R$ 146,00 por ação, usando um WACC de 10,4%. O Safra vê a companhia negociando a 6,9x EV/EBITDA 2026, nível 17% acima de sua média histórica, mas ligeiramente abaixo da média do setor de Utilities.

O balanço da empresa comporta um dividend yield moderado de 5,0%, considerando o limite de payout definido no processo de privatização.

Riscos: (i) Decisões regulatórias desfavoráveis; (ii) não cumprimento das metas de universalização; (iii) eficiência operacional abaixo do esperado; (iv) afluências hídricas piores que o previsto, podendo gerar risco de desabastecimento; (vi) decisões inadequadas de alocação de capital.


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