A Rumo (RAIL3) apresentou resultados em linha com as estimativas do Banco Safra no segundo trimestre de 2026. A receita líquida avançou 6,2% na comparação anual, para R$ 3,9 bilhões.
O crescimento refletiu principalmente a expansão dos volumes transportados. O indicador avançou 9,1% em 12 meses, para 23,8 bilhões de toneladas-quilômetro.
A alta dos volumes compensou parcialmente a queda de 2,5% nas tarifas médias. A receita ficou 0,9% acima da projeção do Safra e 0,8% acima do consenso de mercado.
Volumes avançam
A receita dos serviços de transporte cresceu 6,4%, para R$ 3,7 bilhões. O desempenho contou com a contribuição das duas principais operações da Rumo.
Na Operação Sul, os volumes cresceram 14,1%, para 3,3 bilhões de toneladas-quilômetro. Já a Operação Norte avançou 8%, para 19,4 bilhões de toneladas-quilômetro.
As duas operações foram beneficiadas por fluxos agrícolas mais fortes. Por outro lado, a expansão foi parcialmente compensada pela redução de 2,5% na tarifa média, que recuou para R$ 154,80 por mil toneladas-quilômetro.
As tarifas caíram 3,4% na Operação Norte e 1,2% na Operação Sul.
Serviços logísticos recuam
A receita de soluções logísticas caiu 8,9% na comparação anual, para R$ 127 milhões. O resultado acompanhou a redução de 3,4% nos volumes logísticos, que somaram 938 mil toneladas.
As outras receitas, que incluem repasses, transbordo e pagamentos mínimos previstos em contrato, alcançaram R$ 127 milhões. O valor ficou acima dos R$ 108 milhões registrados no segundo trimestre de 2025.
Custos pressionam margem
O resultado operacional ajustado da Rumo ficou praticamente estável, em R$ 2,3 bilhões. O valor ficou 1,3% abaixo da estimativa do Safra e 0,9% acima do consenso. A margem operacional ajustada recuou 3,9 pontos percentuais em 12 meses, para 57,5%.
Os custos operacionais subiram 9%, para R$ 1,63 bilhão, acima do crescimento de 6,2% da receita. Já os variáveis avançaram 9%, influenciados pela maior remuneração de material rodante de terceiros na Operação Norte e pelo aumento de 48,5% nas despesas logísticas. Os custos fixos e as despesas administrativas também cresceram 9%. A alta ficou concentrada na Operação Norte, que ampliou o quadro de funcionários ao longo de 2025.
A comparação anual também foi afetada por aproximadamente R$ 100 milhões em eventos não recorrentes registrados no segundo trimestre de 2025. O valor inclui uma indenização de seguro relacionada à interrupção de negócios após eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul e um ganho decorrente da rescisão do contrato de venda do terminal T-XXXIX.
Sem esses efeitos, o resultado operacional ajustado teria crescido 4% na comparação anual.
Lucro recua
O lucro líquido ajustado da Rumo alcançou R$ 688 milhões, queda de 5,8% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ficou 1,7% acima da estimativa do Safra e 9% acima do consenso de mercado.
A retração refletiu o resultado operacional praticamente estável e o aumento das despesas financeiras líquidas. Essas despesas cresceram 9,5%, para R$ 765 milhões.
A alta ocorreu principalmente devido ao crescimento de 21,8% da dívida líquida, que chegou a R$ 17,3 bilhões no trimestre.
Parte desse efeito foi compensada por outras receitas financeiras. O valor avançou para R$ 229 milhões, ante R$ 117 milhões um ano antes, beneficiado por juros capitalizados relacionados ao projeto da Ferrovia do Mato Grosso, em Lucas do Rio Verde.
A primeira fase do projeto foi entregue em junho de 2026.
Alavancagem permanece estável
A relação entre dívida líquida e resultado operacional ajustado ficou em 2,1 vezes. O indicador permaneceu estável em relação ao primeiro trimestre de 2026, mas acima das 1,8 vezes registradas no segundo trimestre de 2025.
A estabilidade no trimestre indica que a evolução da dívida acompanhou o desempenho operacional no período, apesar da pressão sobre custos e despesas financeiras.
Safra mantém recomendação
Na avaliação do Banco Safra, os resultados da Rumo foram mistos, mas ficaram em linha com as estimativas. O crescimento consistente dos volumes foi parcialmente compensado por tarifas menores e custos mais elevados.
O banco mantém a recomendação de compra para as ações da companhia. A avaliação considera que os papéis continuam negociados em níveis atrativos, com uma taxa interna de retorno real implícita de 11,2%.
Esse indicador representa um prêmio de 3,35 pontos percentuais em relação aos títulos públicos brasileiros de dez anos atrelados à inflação, com vencimento em 2037.
A visão positiva do Safra está apoiada na recuperação dos volumes transportados e no potencial de expansão da infraestrutura ferroviária. Ao mesmo tempo, a evolução das tarifas, dos custos operacionais e da dívida continuará entre os principais pontos de atenção para a Rumo.