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Track & Field eleva rentabilidade; Grupo SBF cresce, mas margens decepcionam

Resultados do quarto trimestre de 2025 reforçam a força do modelo da Track & Field, enquanto o Grupo SBF entrega crescimento de vendas com pressão sobre a rentabilidade


A Track & Field (TFCO4) apresentou um trimestre sólido no quarto trimestre de 2025. A companhia combinou crescimento robusto de receita com expansão relevante de rentabilidade, reforçando a eficiência de seu modelo de franquias. As vendas atingiram R$ 323 milhões, alta de 18,2% na comparação anual, em linha com as estimativas do Safra. O desempenho refletiu a abertura de novas lojas e a revitalização das unidades existentes, que impulsionaram o crescimento de mesmas lojas.

O destaque veio da rentabilidade. A margem EBITDA ajustada alcançou 24,2%, avanço de 290 pontos-base em um ano e acima das projeções. O resultado decorreu de ganhos de escala e de um mix de canais mais favorável, com maior participação de royalties de franquias, uma linha de receita com margem próxima de 100%.

A margem bruta chegou a 59,2%, com expansão anual de 260 pontos-base, apoiada pelo aumento da participação de lojas próprias e de royalties nas vendas totais. O lucro líquido ajustado somou R$ 56,6 milhões, crescimento de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando as estimativas do Safra.

Modelo de franquias sustenta crescimento

A composição da receita da TFCO4 evidenciou a diversificação do modelo operacional. As lojas próprias responderam por R$ 162 milhões, com alta anual de 21%. Os produtos vendidos por franquias totalizaram R$ 91 milhões, enquanto as receitas de royalties alcançaram R$ 58 milhões, avanço de 28% em um ano. Eventos e outras receitas somaram R$ 12 milhões.

O Safra avalia que a companhia permanece bem posicionada para capturar crescimento adicional no segmento de artigos esportivos. A combinação entre expansão de lojas, fortalecimento da marca e alavancagem operacional sustenta a visão positiva para os próximos anos, mesmo com avaliação acima da média do setor.

Grupo SBF cresce em vendas, mas enfrenta pressão de margens

O Grupo SBF (SBFG3) reportou resultados mistos no quarto trimestre de 2025. A receita líquida consolidada atingiu R$ 2,4 bilhões, alta de 11,8% na comparação anual e ligeiramente acima das expectativas do Safra. O crescimento refletiu a evolução consistente das operações da Centauro e da Fisia.

A Centauro registrou receita de R$ 1,3 bilhão, com avanço de 15,8% em um ano. As vendas digitais cresceram 18,7%, enquanto as lojas físicas avançaram 15%, apoiadas por melhorias no nível de serviço e no sortimento. O desempenho sustentou um crescimento expressivo de mesmas lojas.

A Fisia, responsável pela distribuição da Nike no Brasil, alcançou receita de R$ 1,4 bilhão, alta de 13,1% na comparação anual. O resultado foi impulsionado pelo forte crescimento do atacado e pela maior demanda nos canais da Centauro, além da expansão das lojas físicas.

Câmbio e custos pressionam rentabilidade da SBF

Apesar do crescimento de receita, a rentabilidade de SBFG3 ficou abaixo do esperado. A margem bruta consolidada recuou 70 pontos-base em um ano, para 47,5%. A principal pressão veio da Fisia, cuja margem bruta caiu 290 pontos-base, refletindo a desvalorização do real frente ao dólar em 2025 e o impacto sobre o custo de produtos importados.

Esse efeito foi parcialmente compensado por incentivos de ICMS nas lojas físicas. Ainda assim, a margem EBITDA ajustada recuou 160 pontos-base na comparação anual, pressionada também por maiores despesas com pessoal e por um ambiente mais promocional.

O lucro líquido ajustado somou R$ 162 milhões, queda de 4,7% em um ano, apesar de ter ficado levemente acima das estimativas. A dívida líquida permaneceu praticamente estável em R$ 678 milhões, mas a alavancagem subiu para 0,96 vez dívida líquida sobre EBITDA, acima do patamar observado em trimestres anteriores.

Perspectivas seguem distintas no consumo discricionário

Para o Safra, os resultados do quarto trimestre de 2025 reforçam perspectivas distintas entre as companhias. A Track & Field combina crescimento, rentabilidade elevada e geração de caixa, sustentando uma visão positiva para o papel. Já o Grupo SBF mantém trajetória saudável de vendas, mas enfrenta desafios de curto prazo nas margens, que dependem de um ambiente cambial mais favorável e de ganhos de alavancagem operacional para melhorar.


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