O ambiente macroeconômico no final de 2025 é marcado por desaceleração gradual da atividade, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva. A leitura da PNAD reforça esse diagnóstico: apesar da queda da taxa de desemprego para 5,4%, a redução contínua da força de trabalho e da população ocupada indica um mercado de trabalho em arrefecimento e mais dependente de fatores estatísticos do que de criação efetiva de vagas. Ainda assim, a massa salarial permanece sustentada pela resiliência dos rendimentos, o que evita uma deterioração mais intensa da demanda no curto prazo.
A inflação segue trajetória benigna, com núcleos em moderação disseminada e leituras mais próximas do centro da meta. A deflação em alimentos ao longo do semestre e a apreciação cambial contribuíram para aliviar pressões em bens industriais, enquanto os serviços mostram desaceleração consistente após o pico de 2024. Esse cenário projeta uma convergência para 3,7% ao longo de 2026 e 3,0% em 2027, criando condições para que o ambiente monetário se torne gradualmente menos apertado, mesmo com a atividade perdendo fôlego.
A dinâmica macroeconômica mais fraca se refletiu diretamente nos indicadores de crédito corporativo. Em um ambiente de juros elevados, desaceleração da atividade e consumo mais contido, observamos maior pressão sobre geração de caixa livre, custo da dívida e alavancagem em setores mais expostos ao ciclo econômico. Empresas intensivas em capital, dependentes de volumes domésticos ou com estruturas financeiras mais alavancadas, enfrentaram maior dificuldade para expandir margens operacionais e absorver o impacto das despesas financeiras. Por outro lado, companhias com receitas reguladas, contratos de longo prazo ou exposição a cadeias mais resilientes – como energia, saneamento, concessões e parte do agro – apresentaram maior estabilidade de fluxo de caixa e preservação de margens.
Entre os destaques positivos, sobressaem os setores regulados e de infraestrutura, que mantiveram resiliência mesmo com a atividade arrefecida. Concessões rodoviárias apresentaram bom crescimento de tráfego e margens elevadas; distribuidoras de energia e companhias de saneamento mostraram disciplina operacional, controle de perdas e avanço de EBITDA; e as incorporadoras, especialmente do segmento de baixa renda, sustentaram bom ritmo de vendas e margens estáveis. No agro, empresas ligadas a fertilizantes e manejo de grãos se beneficiaram tanto da safra favorável quanto da demanda externa.
Por outro lado, segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico ou dependentes de volumes domésticos apresentaram resultados mais fracos. Empresas ligadas ao varejo enfrentaram compressão de margens e competição intensa; petroquímica e siderurgia foram penalizadas por spreads reduzidos, câmbio valorizado e menor demanda global; enquanto companhias com alavancagem mais elevada sentiram de forma mais direta o impacto do custo de capital ainda alto.