O Banco Safra atualizou suas projeções para as empresas de saúde sob cobertura e manteve uma visão construtiva para o setor no Brasil. A avaliação reflete a recuperação operacional das seguradoras de saúde e o desempenho consistente das companhias consideradas de maior qualidade.
Na visão do banco, o segmento vive seu melhor momento operacional desde 2020. Além disso, a melhora observada nos resultados parece cada vez mais estrutural e menos dependente de fatores cíclicos.
Apesar da perspectiva positiva, o Safra reduziu os preços-alvo da maior parte das empresas acompanhadas, incorporando premissas mais conservadoras para os próximos anos.
Rede D’Or permanece como principal escolha
A Rede D’Or (RDOR3) segue como a principal recomendação do Safra dentro do setor de saúde.
Segundo o banco, a companhia reúne dois importantes vetores de crescimento. O primeiro é a expansão contínua da capacidade hospitalar, com novas oportunidades para aumento de leitos. O segundo é a evolução da operação de seguros de saúde, que continua apresentando melhora operacional.
A ação negocia a múltiplos considerados atrativos em relação ao potencial de crescimento projetado para os próximos anos.
Seguradoras mostram recuperação mais sustentável
O Safra avalia que a recuperação das margens das operadoras de saúde está cada vez mais ligada a mudanças estruturais nos modelos de negócio.
Entre os fatores que sustentam essa melhora estão o redesenho de produtos, a revisão das redes de atendimento e uma gestão mais eficiente dos custos médicos.
A SulAmérica ampliou significativamente sua eficiência operacional nos últimos anos, enquanto a participação dos reembolsos, tradicionalmente mais pressionados pela inflação médica, apresentou forte redução tanto na companhia quanto na Bradesco Saúde.
O crescimento da base de beneficiários também reforça essa tendência. Nos 12 meses encerrados em maio de 2026, a indústria adicionou 761 mil usuários. Bradesco Saúde, SulAmérica e Amil responderam por mais crescimento do que o registrado pelo mercado como um todo, enquanto outros grupos perderam participação.
Nesse contexto, a Hapvida (HAPV3) registrou redução de beneficiários e continua com recomendação Neutra até que surjam evidências mais consistentes de recuperação operacional.
Empresas listadas superam desempenho da indústria
Entre os prestadores de serviços, o Safra destaca que as empresas listadas continuam apresentando resultados superiores aos indicadores médios do setor.
Dados da Associação Nacional de Hospitais Privados apontam compressão das margens hospitalares pelo segundo ano consecutivo. Em contrapartida, as companhias acompanhadas pelo banco conseguiram expandir rentabilidade por meio de maior eficiência operacional, melhora do mix de atendimentos e crescimento dos procedimentos de maior complexidade.
O segmento de diagnósticos segue a mesma trajetória. As empresas cobertas pelo Safra continuam registrando expansão de receitas e margens, impulsionadas pelo aumento da demanda por exames e procedimentos.
O banco destaca ainda que a base de beneficiários de planos de saúde alcançou 52,9 milhões de vidas, um crescimento de 5 milhões desde 2020. Esse movimento tende a sustentar a demanda por serviços médicos mais complexos nos próximos anos.
O que esperar dos resultados do segundo trimestre
Para o segundo trimestre de 2026, o Safra prevê tendências distintas entre as empresas do setor.
No segmento hospitalar, a expectativa é de uma ocupação mais fraca na Rede D’Or, o que pode limitar parcialmente o desempenho operacional da companhia no período.
Por outro lado, Fleury (FLRY3) e Mater Dei (MATD3) devem apresentar resultados mais favoráveis, sustentados pela continuidade do crescimento operacional.
Já entre as operadoras de saúde, o cenário deve permanecer misto. Os reajustes de preços continuam contribuindo positivamente para os resultados, mas diferenças no crescimento das carteiras de clientes e fatores sazonais relacionados à utilização dos serviços podem gerar desempenhos distintos entre as empresas.
Outras recomendações do Safra
Além da Rede D’Or, o Safra mantém recomendação de Compra para Fleury, que segue como a principal alternativa defensiva do setor devido ao perfil mais previsível de resultados.
O banco também recomenda Compra para Mater Dei, considerada uma oportunidade de valor relevante, embora a menor liquidez das ações ainda represente uma limitação para parte dos investidores.
A Dasa (DASA3) permanece apoiada na expectativa de redução do endividamento e captura de valor por seus diferentes ativos. Já a Qualicorp (QUAL3) continua sendo vista como uma tese de recuperação operacional, sustentada pela forte geração de caixa esperada para os próximos anos.
Por outro lado, Viveo (VVEO3) segue com recomendação de Venda, diante de uma relação entre risco e retorno considerada pouco atrativa neste momento.
Principais riscos para o setor
O Safra destaca quatro fatores que merecem atenção dos investidores:
- Mudanças regulatórias.
- Aumento da judicialização no setor de saúde.
- Deterioração do cenário macroeconômico.
- Intensificação da concorrência entre as empresas.
Apesar desses riscos, o banco continua enxergando oportunidades relevantes no segmento, especialmente em companhias com escala, disciplina operacional e capacidade comprovada de execução.