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RD Saúde mantém recomendação de compra mesmo com corte no preço-alvo

Banco Safra revisa estimativas após o primeiro trimestre de 2026, ajusta premissas macroeconômicas e reforça atratividade do valuation da companhia


O Banco Safra atualizou suas projeções para a RD Saúde (RADL3) e reduziu o preço-alvo em 12 meses de 30 reais para 27 reais por ação. A revisão incorpora o desempenho acima do esperado no primeiro trimestre de 2026, novas premissas macroeconômicas e uma postura mais conservadora para o crescimento a partir de 2027.

O banco elevou levemente a estimativa de crescimento das vendas nas mesmas lojas em 2026, para 11,8%, após um resultado robusto no início do ano. Ao mesmo tempo, adotou hipóteses mais cautelosas para 2027, diante de uma base de comparação mais forte.

As projeções também excluem a contribuição da 4Bio no segundo trimestre de 2026 e um benefício tributário relacionado ao diferencial de alíquota do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços. Como resultado, o impacto nas vendas ficou levemente negativo nos próximos anos.

Margens pressionadas e efeito dos juros

Nas margens, o Safra revisou para cima a margem bruta, mas reduziu a margem operacional após ajustes nos dados históricos. A partir de 2027, o banco passou a considerar menor diluição de despesas, refletindo incertezas sobre preços de medicamentos genéricos e seus efeitos sobre o ritmo de crescimento.

O impacto mais relevante apareceu no lucro líquido. As novas estimativas apontam queda de 5% em 2026 e de 10% em 2027, pressionadas principalmente pelo custo financeiro mais elevado em um cenário de juros altos.

Valuation segue atrativo

Mesmo com a revisão, o Safra reiterou a recomendação de compra para a RD Saúde. A ação negocia a múltiplos considerados atrativos, com cerca de 17 vezes o lucro estimado para 2026 e 13 vezes para 2027, ambos abaixo da média histórica de aproximadamente 25 vezes.

O preço-alvo de 27 reais foi calculado com base no fluxo de caixa descontado, considerando crescimento de longo prazo de 5,5% e custo de capital praticamente estável. Nesse nível, o potencial de valorização estimado chega a 63%.

Jornada de trabalho entra no radar

O banco também avaliou os efeitos de possíveis mudanças na jornada de trabalho. Um aumento nas despesas comerciais poderia exigir reajustes de preços entre 1,7% e 4,1% para compensação.

Em um cenário extremo, no qual a companhia não repassasse custos nem ajustasse suas operações, o lucro líquido de 2027 poderia cair entre 14% e 32%. Ainda assim, o Safra avalia que parte relevante desse risco já está refletida no preço atual das ações.

Principais riscos

Entre os principais riscos mapeados estão um ambiente macroeconômico mais adverso, aumento da concorrência, desafios de execução e eventuais mudanças regulatórias relacionadas à jornada de trabalho.


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