A Randoncorp (RAPT4) apresentou resultados mistos no segundo trimestre de 2026. As principais operações industriais registraram melhora, mas o lucro líquido permaneceu pressionado por perdas na Addiante, impostos elevados e efeitos da operação descontinuada da Delta Global.
A receita líquida alcançou R$ 3,32 bilhões, alta de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O valor ficou 1,1% abaixo do consenso do mercado.
As vendas domésticas cresceram 6,2%, impulsionadas pela recuperação da demanda no agronegócio, pelo desempenho da Move Brasil e pela melhora da Suspensys.
O avanço foi parcialmente compensado pela menor demanda por implementos rodoviários industriais e pela fraqueza do mercado de reposição de autopeças.
Mercado internacional recua
A receita internacional caiu 9,6% na comparação anual quando convertida para reais. A queda refletiu principalmente os efeitos cambiais.
Em dólares, porém, a receita internacional cresceu 1,3%. O resultado indica que a redução observada em reais não decorreu apenas do desempenho operacional das unidades no exterior.
Entre as divisões, a receita de Autopeças aumentou 1,1%, para R$ 1,11 bilhão. O crescimento foi sustentado principalmente pela Suspensys Mogi.
Sem a contribuição da unidade, a receita de Autopeças teria recuado aproximadamente 6% em relação ao segundo trimestre de 2025.
A receita da Frasle cresceu 1,8%, enquanto a de Implementos permaneceu estável em R$ 768 milhões. Nesse segmento, a melhora das vendas domésticas foi compensada pelos volumes mais fracos de contêineres nos Estados Unidos.
A divisão de Soluções Financeiras e Serviços apresentou o melhor crescimento de receita, com alta de 12,1%, para R$ 233 milhões. O avanço foi impulsionado pelo Banco Randon, pelos consórcios e pelas atividades de serviços.
Margens operacionais avançam
O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização alcançou R$ 440 milhões, alta de 19,4% em um ano.
A margem correspondente ficou em 13,3%, avanço de 2,06 pontos percentuais na comparação anual. O resultado também superou em 5,2% o consenso do mercado.
O desempenho foi beneficiado por um crédito tributário não recorrente de R$ 21,3 milhões. Excluindo esse efeito, a margem ajustada teria ficado em 12,6%, alta de 1,42 ponto percentual em relação ao segundo trimestre de 2025.
A melhora refletiu um conjunto de fatores, como mix de produtos mais favorável, diluição de custos fixos e ganhos das iniciativas de reestruturação operacional.
Autopeças e Frasle se destacam
A divisão de Autopeças registrou resultado operacional ajustado de R$ 151 milhões, crescimento de 24,1% em um ano.
A margem aumentou 2,52 pontos percentuais, para 13,6%. O desempenho refletiu ganhos de eficiência e a contribuição da Suspensys Mogi.
A Frasle também apresentou evolução positiva. A margem chegou a 20,4%, alta de 2,86 pontos percentuais na comparação anual.
Em Implementos, o resultado operacional ajustado alcançou R$ 36 milhões, com margem de 4,7%. O indicador avançou 6,32 pontos percentuais em um ano, sinalizando recuperação da rentabilidade da divisão.
O resultado confirma a melhora das operações industriais, mesmo diante de um cenário de demanda ainda desigual entre os mercados.
Serviços financeiros perdem força
A divisão de Soluções Financeiras e Serviços apresentou resultado operacional ajustado de R$ 14 milhões, queda de 71,4% na comparação anual.
A margem recuou 17,24 pontos percentuais, para 5,9%.
A queda reduziu parte do avanço observado nas demais unidades e mostra que a melhora operacional da Randoncorp ainda não é uniforme entre os negócios.
A divisão reúne atividades do Banco Randon, consórcios e serviços, áreas que podem apresentar maior volatilidade conforme as condições de crédito e a demanda dos clientes.
Addiante pesa no resultado
A equivalência patrimonial negativa da Addiante somou R$ 37 milhões no trimestre.
Esse impacto reduziu o resultado consolidado e foi um dos principais fatores que impediram a conversão da melhora operacional em lucro líquido.
Além disso, a operação descontinuada da Delta Global gerou impacto negativo de R$ 80 milhões.
A combinação desses efeitos levou a Randoncorp (RAPT4) a registrar prejuízo líquido de R$ 90 milhões, ante prejuízo de R$ 35 milhões no segundo trimestre de 2025.
O resultado ficou abaixo do consenso, que projetava lucro líquido de R$ 9 milhões. A perda, contudo, ficou próxima da estimativa do Safra, de prejuízo de R$ 91 milhões.
Impostos ampliam a perda
A alíquota efetiva de impostos ficou em 61%, ante 82% no segundo trimestre de 2025.
Embora tenha recuado, o indicador permaneceu elevado. A companhia também não reconheceu créditos de impostos diferidos no período.
Esses efeitos mais do que compensaram a melhora de 20% no resultado financeiro em relação ao ano anterior.
A pressão tributária, somada às perdas na Addiante e na Delta Global, impediu que a expansão das margens operacionais se refletisse no lucro líquido.
Alavancagem diminui
A relação entre dívida líquida e resultado operacional, sem considerar o Banco Randon, caiu para 2,91 vezes.
No primeiro trimestre de 2026, o indicador estava em 3,14 vezes. No segundo trimestre de 2025, a relação era de 3,86 vezes.
A redução mostra avanço gradual da estrutura de capital da Randoncorp, apesar da pressão sobre o lucro.
A continuidade da melhora dependerá da geração de caixa, da recuperação dos negócios industriais e da redução dos impactos associados às operações específicas.
Safra vê melhora operacional
Para o Safra, o trimestre mostrou evolução nas principais operações industriais da Randoncorp, com destaque para Autopeças, Frasle e Implementos.
A melhora do mix, a diluição dos custos fixos e os ganhos de eficiência ajudaram a expandir as margens. O resultado operacional também superou o consenso do mercado.
Por outro lado, o lucro líquido continuou pressionado pelas perdas na Addiante, pelo impacto da Delta Global e pela elevada alíquota de impostos.
A leitura para a Randoncorp permanece dependente da capacidade de transformar a melhora operacional em geração de caixa e lucro recorrente. Ao mesmo tempo, a redução da alavancagem representa um sinal positivo para a estrutura financeira da companhia.