O Safra participou, em 23 de junho de 2026, do Investor Day da Randoncorp (RAPT4), realizado em São Paulo. A companhia apresentou as principais tendências estratégicas e operacionais que devem influenciar seus resultados nos próximos anos.
Na avaliação do banco, a leitura do evento foi neutra. A administração reconheceu um ambiente ainda desafiador, embora com perspectiva um pouco mais favorável para o segundo semestre de 2026, sustentada por estímulos de demanda no Brasil e sinais de melhora nos Estados Unidos.
Segundo semestre deve trazer alívio gradual
A Randoncorp destacou vetores que podem sustentar um desempenho melhor na segunda metade do ano. No mercado doméstico, iniciativas como Move Brasil e a realização da Fenatran tendem a impulsionar a demanda. Nos Estados Unidos, a companhia espera melhora gradual das condições de mercado.
Mesmo assim, a administração mantém postura cautelosa e reforça que a recuperação mais consistente depende de um ambiente macroeconômico mais benigno, especialmente com juros mais baixos.
Metas de retorno exigem disciplina e cenário favorável
A companhia reiterou as metas de atingir retorno sobre o capital investido de 15% e retorno sobre o patrimônio líquido de 18%. Para isso, aposta em três principais alavancas estratégicas.
A primeira é a melhoria da eficiência operacional, com foco em sourcing e maior automação. Entre 30% e 40% do investimento anual deve ser direcionado a automação. A segunda envolve o aumento dos retornos mínimos exigidos para novos projetos. A terceira passa pela otimização do portfólio, com descontinuação de operações de baixo desempenho e desinvestimento de ativos não estratégicos.
Nesse contexto, a empresa destacou a saída das operações da Delta, que operavam em um ambiente de alta concorrência, informalidade e margens estruturalmente baixas. Apesar de tentativas de recuperação, a administração optou pelo encerramento do negócio.
Desalavancagem segue como prioridade estratégica
A redução da alavancagem permanece no centro da estratégia financeira. A Randoncorp busca alcançar uma alavancagem líquida de 2,0 vezes até o fim de 2027, em linha com as estimativas do Safra.
Esse movimento deve contar com maior geração de caixa operacional, captura de sinergias, menor nível de investimentos e alongamento do perfil da dívida. Após uma redução relevante recente, o capital de giro tende a permanecer estável e não deve atuar como um vetor adicional de desalavancagem.
Mercado de reboques no Brasil ainda enfrenta desafios
No segmento doméstico de reboques, o ambiente segue pressionado. A administração avalia que uma recuperação mais consistente depende da queda dos juros.
Ainda assim, a companhia espera um segundo semestre mais forte em 2026, apoiado pelas entregas de vagões para a Aralco, iniciadas em junho. Estão previstas 275 unidades em 2026 e 446 unidades em 2027. Esse volume se soma à demanda associada ao Move Brasil e à Fenatran.
Expansão relevante do mercado endereçável nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a estratégia envolve a ampliação significativa do mercado endereçável. O portfólio atual da AXN mira um mercado equivalente a cerca de 32 mil eixos, o que representa aproximadamente 45 milhões de dólares em receita.
A companhia pretende expandir sua atuação para todos os segmentos de reboques, elevando o mercado endereçável para cerca de 490 mil eixos, ou aproximadamente 1,3 bilhão de dólares. A Hercules deve entregar 2.700 unidades em 2026, o que implica uma participação relevante no mercado de chassis para contêineres.
Além disso, a empresa planeja entrar no segmento de reboques plataforma no fim de 2025, em reboques florestais em 2026 e em flatbed em 2027.
Mudança no comportamento do aftermarket exige adaptação
No mercado de reposição, a Randoncorp observa mudanças no comportamento dos clientes. O crescimento das vendas de autopeças via marketplaces de comércio eletrônico pressiona a base tradicional, intensifica a concorrência e reduz margens.
A companhia avalia estar bem posicionada para lidar com essa tendência, mas segue monitorando seus impactos no longo prazo. Juros elevados também levam clientes a exigir prazos de entrega mais curtos, como forma de reduzir estoques e aumentar o giro de ativos. Em resposta, a empresa vem investindo em tecnologia e logística para elevar o nível de serviço e a eficiência operacional.