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Randon tem novo preço-alvo e recomendação de compra

Juros e desaceleração do crescimento devem pesar nos resultados da Randon, informa o Banco Safra, ao atualizar as estimativas para a fabricante de peças, carrocerias e reboques


O Banco Safra atualizou as estimativas para Randon (RAPT4) e introduziu um novo preço alvo de 12 meses de R$ 12,30 por ação (de R$ 16,60 por ação anteriormente), o que implica uma valorização potencial de 42%.

Como resultado, o Safra mantém a recomendação de Compra para as ações da Randon, após revisar o modelo de valuation para incorporar o novo cenário macroeconômico, alterações no custo de capital e atualizações das projeções para as operações da empresa, incluindo a aquisição da Kuo Refacciones pela Frasle (junho de 2024) e EBS (outubro de 2024).

De acordo com a nova projeção, a Randon está sendo negociada atualmente a 5,3x EV/EBITDA para 2025, ~14,5% abaixo de sua média histórica.

Randon registra forte crescimento das receitas

O Safra espera que o faturamento da empresa atinja R$ 14,9 bilhões em 2025, aumentando 26% anualmente, beneficiando-se do contrato com a Mercedes, aumento de volumes no mercado dos EUA (seguindo o contrato da SPA para o fornecimento de 2,5 mil unidades em 2025) , e as integrações de Kuo Refractions e EBS, que devem mais do que compensar um cenário doméstico mais fraco, à medida que o ambiente macroeconômico brasileiro se tornou mais desafiador.

O menor crescimento do PIB, o aumento das taxas de juros e as condições financeiras mais restritivas podem pesar nas decisões de renovação da frota, criando pressão sobre os volumes nas divisões de Reboques e Autopeças. Do ponto de vista da rentabilidade, o Safra vê 2025 como um ano de recuperação gradual.

O banco espera que as margens se beneficiem da consolidação da Kuo Refacciones, que deve elevar a margem da Frasle para 19% em 2025 (de 15,9% nos últimos 12 meses) e de um melhor mix em sua divisão de Trailers, impulsionado por melhorias no setor de agronegócio, que apresentou um desempenho mais fraco em 2024.

Essas melhorias devem ajudar a compensar o desempenho mais fraco da divisão Autopeças da empresa (resultante do início do contrato com a Mercedes), que apresenta menor margem EBITDA que a da Randon.

Consequentemente, o Safra projeta uma margem EBITDA consolidada de 14,9% em 2025, acima dos 13,6% em 2024. Por outro lado, após o pagamento das empresas adquiridas, o Safra espera que as despesas financeiras da empresa pesem no seu lucro líquido, que poderia cair 9,1% A/A, para R$365 milhões.

Tese de investimento:

  • (i) exposição a setores essenciais da economia, como o agronegócio, que esperamos manter desempenho robusto no longo prazo, já que o aumento da demanda global por alimentos deve continuar impulsionando o crescimento das vendas no longo prazo na divisão de Trailers e Autopeças da Randon ;
  • (ii) liderança de mercado, vantagens competitivas na maioria dos mercados em que atua e capacidade de manter o poder de precificação, aliados a investimentos consistentes em tecnologia, proporcionam à empresa fortes vantagens competitivas tanto com fornecedores quanto com clientes, reforçadas pela reputação da Randon de produtos de alta qualidade;
  • (iii) aquisições estratégicas para aumentar a participação da Randon nos mercados internacionais, que esperamos continuar, focando especialmente em mercados mais maduros, proporcionando mais estabilidade ao seu faturamento e aos seus resultados;
  • (iv) compromisso com a inovação, apoiando o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos e garantindo que a empresa permaneça competitiva e bem posicionada para o crescimento futuro.

Riscos para a tese de investimentos:

  • (i) atividade econômica mais fraca, o que poderia impactar significativamente os clientes da Randon, reduzindo sua capacidade ou disposição de investir na renovação de ativos, levando a possíveis quebras de receitas;
  • (ii) maiores encargos financeiros prejudicando o seu lucro líquido, uma vez que os pagamentos pelas suas aquisições deverão aumentar as despesas financeiras da empresa, o que provavelmente pesará no lucro líquido, especialmente em meio a taxas de juros mais altas;
  • (iii) desaceleração do setor do agronegócio, já que sua receita tem hoje alta exposição à divisão de Trailers (32% das vendas totais);
  • (iv) aumento da concorrência, potencialmente levando a pressões sobre preços e compressão de margens; e (v) dificuldades na integração das aquisições.


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