close

Abra sua conta

Raízen amplia resultado com distribuição de combustíveis

Desempenho da operação no Brasil mais do que compensa a fraqueza em etanol, açúcar e bioenergia, enquanto a companhia reduz a dívida


A Raízen (RAIZ4) apresentou um trimestre operacionalmente forte no primeiro trimestre do ano-safra 2027. O desempenho foi impulsionado pela distribuição de combustíveis no Brasil, que mais do que compensou a fraqueza das operações de etanol, açúcar e bioenergia.

A geração operacional de caixa ajustada consolidada mais do que dobrou na comparação anual, considerando apenas as operações continuadas, e alcançou R$ 3,99 bilhões.

Apesar da melhora operacional, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 1,64 bilhão. O resultado foi pressionado pelo aumento das despesas financeiras e pelos efeitos contábeis da venda da operação na Argentina.

Distribuição impulsiona resultado

A operação de distribuição de combustíveis no Brasil apresentou o principal avanço do trimestre.

Os volumes cresceram 2,5% em relação ao trimestre anterior, para 7,2 milhões de metros cúbicos. A geração operacional de caixa ajustada mais do que dobrou, alcançando R$ 3,54 bilhões, alta de 111%.

A margem média por metro cúbico também avançou. O indicador passou de R$ 240 para R$ 493.

A melhora refletiu o aumento dos volumes na rede de postos, a redução estrutural das despesas recorrentes e um ambiente competitivo mais favorável.

As condições de suprimento também contribuíram para o desempenho. Com isso, a distribuição de combustíveis tornou-se o principal motor dos resultados da Raízen no período.

Etanol e açúcar seguem pressionados

O segmento de etanol, açúcar e bioenergia apresentou desempenho mais fraco.

A moagem de cana caiu 2% na comparação anual, considerando as operações continuadas. A geração operacional de caixa ajustada recuou 63%, para R$ 301 milhões.

O resultado foi afetado pelo clima adverso, pela menor produtividade agrícola e pela queda dos preços de etanol, açúcar e bioenergia.

A redução dos custos operacionais e os ganhos de eficiência ajudaram a limitar os efeitos negativos. Ainda assim, esses fatores não foram suficientes para compensar os preços realizados mais baixos.

Prejuízo permanece elevado

A Raízen encerrou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 1,64 bilhão.

O resultado final não acompanhou a melhora operacional porque as despesas financeiras aumentaram. Além disso, a venda da operação argentina gerou impactos contábeis que pressionaram o lucro.

Esse efeito evidencia o peso da estrutura de capital sobre os resultados da companhia. Mesmo com a melhora na geração operacional, a empresa ainda enfrenta custos financeiros elevados.

Geração de caixa melhora

O fluxo de caixa livre da Raízen alcançou R$ 2,73 bilhões, alta de 67% em relação ao trimestre anterior.

A evolução refletiu principalmente o resultado mais forte da distribuição de combustíveis. A redução dos investimentos também contribuiu para a melhora.

A companhia ainda se beneficiou da redução dos estoques, que ajudou a liberar recursos no período.

O avanço do fluxo de caixa foi importante para reduzir a dívida e fortalecer a capacidade financeira da Raízen (RAIZ4).

Dívida líquida recua

A dívida líquida caiu 2,3% em relação ao trimestre anterior, para R$ 56,9 bilhões.

A combinação entre a redução do endividamento e a melhora da geração operacional de caixa acumulada em 12 meses levou a alavancagem para 4,8 vezes.

No trimestre anterior, o indicador estava em 5,2 vezes.

Embora a dívida ainda permaneça elevada, a queda da alavancagem indica avanço no processo de recuperação financeira da companhia.

Recuperação judicial é foco

O próximo passo central para a Raízen é a implementação do plano de recuperação judicial.

O plano foi aprovado em 30 de julho de 2026. A execução das medidas previstas será determinante para reorganizar as obrigações financeiras e preservar a geração de caixa da companhia.

A melhora operacional da distribuição de combustíveis cria uma base mais favorável para o processo. Entretanto, a recuperação das operações de etanol, açúcar e bioenergia também será importante para reduzir a dependência de um único segmento.

Safra mantém recomendação em revisão

O Safra mantém a recomendação para as ações da Raízen em revisão.

O trimestre trouxe sinais positivos, especialmente pela força da distribuição de combustíveis, pela melhora do fluxo de caixa e pela redução da alavancagem.

Por outro lado, o prejuízo líquido elevado, o nível ainda alto de endividamento e a fraqueza das operações de etanol, açúcar e bioenergia continuam exigindo cautela.

A evolução da recuperação judicial, o comportamento das margens de combustíveis e a recuperação da produtividade agrícola serão os principais pontos de acompanhamento nos próximos períodos.


Abra sua conta