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Raízen (RAIZ4) enfrenta pressão financeira

Desenpenho do setor de distribuição de combustíveis favorece a Raízen (RAIZ4), mas empresa enfrentou menores volumes de vendas de etanol e açúcar


A Raízen (RAIZ4) reportou queda de 13% A/A no EBITDA para R$ 3.348 milhões; ainda assim, superou as estimativas do Banco Safra em 5%.

O desempenho acima do esperado foi abrangente em todos os segmentos, com distribuição de combustíveis se destacando como o principal contribuinte.

No Brasil, um ambiente competitivo mais saudável, combinado com ganhos contínuos de eficiência operacional, elevou as margens para R$ 182/m³ (+7% vs. estimativa) e levou a um crescimento de volumes de dois dígitos T/T.

Na Argentina, as margens saltaram 39% T/T, resultando em um desempenho 34% acima da projeção do Safra. Apesar desses pontos positivos, a Raízen apresentou prejuízo líquido de R$ 2,3 bilhões (vs. expectativa de prejuízo de R$ 419 milhões), comparado ao resultado negativo de R$ 158 milhões no ano anterior.

Em relação ao prejuízo esperado de R$ 419 milhões, as principais diferenças foram maiores despesas financeiras líquidas e depreciação e um impairment de R$ 1,0 bilhão relacionado à desativação e venda de ativos, parcialmente compensados pelo EBITDA melhor do que o esperado e maior reconhecimento de créditos tributários.

No trimestre, geração de caixa e alavancagem permaneceram como o ponto fraco da companhia. A Raízen reportou FCF negativo de R$ 1,5 bilhão, comparado a uma queima de caixa de R$ 2,1 bilhões no ano anterior, principalmente devido ao menor capex.

A alavancagem subiu para 5,1x, embora alguma melhora seja esperada até o fim da safra devido à venda de estoques e ao recebimento de recursos provenientes da venda de ativos.

Olhando à frente, espera-se que a tendência de ganhos de eficiência persista, enquanto os desinvestimentos do portfólio continuam em andamento, o que deve ajudar a fortalecer o balanço.

Potencial da distribuição de combustíveis favorece a Raízen (RAIZ4)

O segmento de distribuição de combustíveis no Brasil deve continuar apresentando perspectivas sólidas, impulsionado por um ambiente de mercado mais saudável e por volumes e margens em bons níveis.

Além disso, o potencial aumento de capital em discussão pelos acionistas controladores seria um avanço positivo, oferecendo um alívio necessário e reforçando a posição financeira da Raízen, embora com o custo de diluição para os atuais acionistas.

Ajustado pelo EBITDA de Açúcar, Etanol e Bioenergia de R$ 1.852 milhões, superou nossas estimativas em 2% e caiu 26% A/A.

O desempenho foi impactado principalmente por menores volumes de vendas de etanol e açúcar, bem como menor diluição de custos decorrente da menor produtividade.

Esses efeitos foram parcialmente compensados por maiores preços do etanol e ganhos de eficiência em custos e despesas.

O Safra destaca que as despesas com SG&A foram 27% menores A/A. Em relação aos estoques, os volumes de açúcar encerraram o 2T26 em 2.125 mil toneladas vs. 943 mil toneladas no 1T, avaliados em R$ 3.931 milhões, enquanto a posição de etanol foi de 1.072 mil m³, alta de 74%, avaliada em R$ 3.134 milhões.

Para hedge de açúcar, a Raízen já garantiu preços para 95% de seus volumes próprios para a safra 2025/26 e 46% para a safra seguinte.

A Raízen Mobilidade Brasil apresentou números fortes

O EBITDA ajustado de R$ 1.360 milhões (+35% T/T) superou nossa estimativa de R$ 1.267 milhões. Esse resultado reflete volumes 11% maiores T/T de 7.459 mil m³ e uma margem unitária robusta de R$ 182/m³ (+22% T/T; +7% vs. estimativa), refletindo um ambiente competitivo mais saudável, melhor gestão de suprimentos, assertividade na estratégia comercial de combustíveis e lubrificantes, e redução contínua de despesas com SG&A, que caíram 4% T/T.

As operações na América Latina reportaram EBITDA ajustado de US$ 75 milhões (vs. nossa estimativa de US$ 56 milhões), 39% maior T/T, em uma combinação de aumento das margens unitárias para US$ 43/m³ (+39% T/T; +37% vs. estimativas) e volumes 2% maiores T/T, embora as operações continuem sendo afetadas pela manutenção programada da refinaria, prevista para ser concluída no 3T26. O segmento reportou queda de 7% T/T em SG&A.

Alavancagem

A dívida líquida da Raízen encerrou o 2T26 em R$ 53,4 bilhões (+9% T/T), devido a uma combinação de maior dívida bruta, já que a companhia está substituindo parte de seu capital de giro por dívida de longo prazo em condições melhores, parcialmente compensada pelo maior caixa.

Esse valor equivale a 5,1x EBITDA (acima dos 4,5x no 2T), também refletindo um EBITDA ajustado menor em base LTM. Esse nível de alavancagem também reflete a dinâmica sazonal da primeira metade da safra, que tipicamente demanda maior capital de giro devido ao acúmulo de estoques de açúcar e etanol.

Além disso, a Raízen espera receber aproximadamente R$ 3,9 bilhões nos próximos meses relacionados à conclusão de desinvestimentos previamente anunciados.

Atualização de gestão

A Raízen anunciou mudança em sua equipe executiva. O conselho nomeou Lorival Luz como CFO e DRI, substituindo Rafael Bergman, que assumirá como CFO e DRI na Cosan (CSAN3; OP; PT R$ 9,00). Lorival Luz traz mais de 30 anos de experiência em cargos de liderança em empresas como Citibank, CPFL Energia e Grupo Votorantim, e atuou anteriormente como CEO da BRF. A mudança passa a valer em 1º de dezembro.


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