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Veículos: produção de caminhões cai 35% em 12 meses

Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta recuo anual na produção total, mas vê sinais de retomada da demanda nos próximos meses


A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou dados mistos para a produção de veículos no Brasil em fevereiro. O volume total somou 204,3 mil unidades, queda de 8% na comparação anual, mas alta de 25% em relação a janeiro.

O resultado refletiu, sobretudo, o desempenho fraco dos caminhões, cuja produção caiu 35% na base anual. Os veículos leves também apresentaram retração de 7% no mesmo comparativo.

Automóveis e comerciais leves mostram recuperação mensal

A produção de automóveis alcançou 152,3 mil unidades em fevereiro. O número representa recuo de 8% em relação a fevereiro do ano anterior, mas avanço de 23% frente a janeiro.

Nos comerciais leves, a indústria produziu 41,5 mil unidades. O segmento recuou 2% na comparação anual, mas avançou 35% no mês, sinalizando uma retomada gradual após um início de ano mais fraco.

Caminhões seguem pressionados

O segmento de caminhões permaneceu como o principal ponto de pressão. A produção somou apenas 7,8 mil unidades em fevereiro, queda de 35% na comparação anual e alta de 14,5% em relação ao mês anterior.

No acumulado do ano, os emplacamentos de caminhões recuaram 29%, com destaque negativo para os modelos pesados, que registraram queda de 36%, segundo dados apresentados pela entidade.

Ônibus destoam com crescimento

A produção de ônibus foi o destaque positivo do mês. O volume atingiu 2,7 mil unidades, crescimento de 9% na comparação anual e avanço expressivo de 48,5% frente a janeiro.

O desempenho reforça uma dinâmica mais favorável para empresas expostas ao segmento, como a Marcopolo (POMO4), beneficiada pelo aumento da demanda por transporte coletivo.

Crédito e programas de estímulo

Durante a teleconferência, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou avanços no Programa Move Brasil. O BNDES já aprovou R$ 4,3 bilhões, cerca de 43% do total previsto. Segundo a entidade, há uma defasagem de até oito semanas entre a aprovação do crédito e o emplacamento dos veículos, o que indica impacto positivo nos próximos meses.

O programa Carro Sustentável também segue apoiando a demanda. Desde 11 de julho de 2025, as vendas dos modelos elegíveis cresceram 24,3% na comparação anual, com destaque para o varejo, que avançou 62%.

Exportações recuam com Argentina mais fraca

As exportações de veículos caíram 34% em fevereiro na comparação anual. A Argentina respondeu pela maior parte da queda, enquanto o México apareceu como ponto positivo. A Anfavea projeta estabilidade a leve retração nas exportações ao longo do ano, com perspectiva de melhora em 2026.

Impactos para empresas do setor

Na avaliação do Safra, os dados de fevereiro são levemente positivos para a Marcopolo (POMO4), em função do bom desempenho do segmento de ônibus. Por outro lado, o cenário segue desafiador para a Randoncorp (RAPT4) e a Iochpe-Maxion (MYPK3), mais expostas a caminhões e veículos leves.

A produção fraca de caminhões afeta diretamente a Randoncorp, enquanto a Iochpe-Maxion registrou quedas tanto em veículos leves quanto pesados. O Safra destaca ainda o efeito calendário, com o Carnaval ocorrido em fevereiro de 2026, contra março em 2025, como fator adicional de pressão sobre os números.

Apesar disso, o banco avalia que os efeitos do Move Brasil devem começar a aparecer de forma mais consistente nos próximos meses, ajudando a sustentar uma recuperação gradual do setor automotivo.


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