A produção de veículos no Brasil alcançou 254 mil unidades em maio, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume representa alta de 15% em relação ao mesmo mês do ano anterior e avanço de 6% na comparação mensal. Trata-se do melhor resultado para maio desde 2019.
O desempenho no comparativo anual teve como principal motor os automóveis de passeio, cuja produção somou 201 mil unidades, com crescimento de 25,5%. A fabricação de ônibus também avançou, ainda que de forma moderada, com alta de 2%.
Automóveis lideram enquanto pesados seguem pressionados
A análise por segmento mostra um cenário heterogêneo. Além dos automóveis de passeio, que cresceram de forma consistente, os comerciais leves totalizaram 39 mil unidades, mas registraram queda de 13% em relação a maio do ano passado. A produção de caminhões somou 10,5 mil unidades, com recuo de 15% na base anual, apesar de alta mensal de 8%. Já os ônibus atingiram cerca de 3 mil unidades, com leve crescimento anual e queda na comparação mensal.
Mercado interno sustenta produção e vendas
A demanda doméstica segue como o principal fator de sustentação da indústria. No acumulado do ano, a produção já supera 1,1 milhão de unidades, com crescimento de 7%. Os emplacamentos também surpreenderam positivamente e chegaram a 275 mil unidades em maio, alta de 22% na comparação anual e de 11% frente a abril.
A média diária de vendas alcançou 14 mil unidades, o melhor nível desde dezembro de 2014. Veículos leves continuam como o principal motor, apoiados por estímulos como o programa Carro Sustentável e pela expansão dos modelos eletrificados.
Eletrificação e importações ganham espaço
Os veículos eletrificados atingiram participação recorde de 19,5% em maio, quase o dobro do observado no mesmo mês de 2025. As importações também avançaram de forma relevante e somaram 55 mil unidades, com crescimento anual de 38%. Os modelos de origem chinesa lideraram esse movimento, com alta acumulada de 87% no ano.
Exportações seguem como principal desafio
O desempenho externo permanece como o principal ponto negativo do setor. As exportações recuaram pelo segundo mês consecutivo e totalizaram 37 mil unidades em maio, queda de 30% em relação ao ano anterior e de 13% frente a abril. No acumulado do ano, a retração chega a 20%, pressionada principalmente pela menor demanda de mercados como Argentina, Uruguai e Chile.
Impactos para empresas do setor
Na avaliação do Safra, os dados de maio trazem sinais distintos para as empresas de autopeças listadas. Para a Marcopolo (POMO4), o cenário é misto. A produção de ônibus cresceu 2% na comparação anual e acumula alta de 7% no ano, mas a queda de 36% nas exportações aumenta a dependência do mercado doméstico, o que pode pressionar margens. Além disso, os emplacamentos de ônibus recuaram 17,5% em maio, possivelmente em função da postergação de compras antes da implementação do programa Move Brasil.
Para a Randoncorp (RAPT4), o ambiente segue desafiador. A produção de caminhões caiu 15% em maio e 17% no acumulado do ano, refletindo a fraqueza persistente do segmento de veículos pesados, apesar da expectativa de melhora gradual com novos programas de estímulo.
Já a leitura para a Iochpe-Maxion (MYPK3) é levemente positiva. O forte crescimento na produção de automóveis de passeio, com alta de 26% em maio e de 10% no ano, ajuda a compensar parcialmente a fraqueza observada nos comerciais leves e nos veículos pesados.