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Produção de veículos avança em agosto e favorece Randoncorp e Iochpe-Maxion

Produção de veículos cresceu 9% em agosto, com avanço de automóveis e caminhões, e favorece Randoncorp (RAPT4) e Iochpe-Maxion (MAXR3)


A produção brasileira de veículos alcançou 271,2 mil unidades em agosto, alta de 9% frente ao mesmo mês de 2025 e de 7% na comparação com julho, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea.

Foi o maior volume mensal desde outubro de 2019. No acumulado de 2026, a produção se aproximou de 1,9 milhão de unidades, crescimento de 8,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O desempenho reflete o avanço da produção de automóveis de passeio, comerciais leves e caminhões. Por outro lado, o segmento de ônibus manteve uma trajetória mais fraca.

Automóveis lideram o crescimento

A produção de automóveis de passeio somou 215 mil unidades em agosto. O volume avançou 10% em um ano e 9,5% em relação a julho.

Os comerciais leves alcançaram 42,6 mil unidades, alta de 6% frente a agosto de 2025. No entanto, o resultado representou recuo de 2% na comparação mensal.

Já a produção de caminhões totalizou 11,8 mil unidades. O segmento cresceu 17% em um ano, embora tenha recuado 3% frente a julho.

A produção de ônibus somou 2 mil unidades, queda de 29% na comparação anual e de 13% em relação ao mês anterior.

Veículos eletrificados ganham espaço

Os veículos eletrificados continuaram entre os principais vetores de crescimento do mercado. A participação desses modelos nos emplacamentos de veículos leves atingiu 24,4% em agosto, ante 11,8% no mesmo mês de 2025.

No acumulado do ano, os volumes de veículos eletrificados cresceram 125%. Parte relevante desse avanço, porém, veio de veículos montados no Brasil a partir de conjuntos importados, um modelo que tende a gerar menor demanda para a cadeia local de fornecedores.

A Anfavea também destacou o efeito do programa Carro Sustentável. As vendas dos 27 modelos e versões elegíveis avançaram 27% desde o lançamento da iniciativa, com alta de 64% no varejo.

Caminhões recebem apoio de programa

O programa Move Brasil ajudou a reduzir a queda acumulada dos emplacamentos de caminhões ao longo de 2026. Segundo a Anfavea, a retração, que superava 30% no início do ano, caiu para 5% em agosto.

O efeito mais relevante do programa ficou concentrado entre junho e agosto. Por isso, a associação espera impacto residual mais limitado a partir de setembro.

Para a Randoncorp (RAPT4), a alta anual de 17% na produção de caminhões representa uma leitura positiva. Ainda assim, a queda mensal de 3% e a perspectiva de menor suporte do programa exigem atenção.

Ônibus e exportações pressionam Marcopolo

A produção de ônibus manteve desempenho fraco em agosto. O recuo de 29% em relação ao mesmo mês de 2025 representa um sinal negativo para a Marcopolo (POMO4).

O cenário pode refletir dificuldades na execução do programa Caminho da Escola. Além disso, a queda das exportações amplia a pressão sobre a companhia.

Os embarques de veículos ao exterior recuaram 31% em agosto e 23% no acumulado do ano. A menor demanda da Argentina explica grande parte desse movimento. As exportações para o país caíram 37% no período e responderam por cerca de 95% da retração total.

Importações limitam efeito sobre fornecedores locais

As importações de veículos somaram 406 mil unidades no acumulado de 2026, alta de 30% frente ao mesmo período do ano anterior. A China respondeu por 54% desse volume e por 11% do mercado brasileiro total.

Além disso, cerca de dois terços do aumento de produção registrado no ano vieram da montagem de veículos a partir de conjuntos importados. Esse modelo reduz o conteúdo local dos automóveis e, portanto, limita parte dos efeitos positivos sobre a cadeia brasileira de autopeças.

Para a Iochpe-Maxion (MYPK3), o avanço de 10% na produção de automóveis e de 6% nos comerciais leves sustenta uma leitura favorável. Contudo, o crescimento das importações e a maior participação de veículos com menor conteúdo local compensam parcialmente esse cenário.

Leitura para as empresas

Os dados de agosto mostram uma recuperação relevante da produção de veículos no Brasil. O resultado favorece principalmente companhias expostas a automóveis, comerciais leves e caminhões.

A Randoncorp se beneficia da melhora anual na produção de caminhões. A Iochpe-Maxion encontra suporte no avanço dos veículos leves. Já a Marcopolo enfrenta um ambiente mais desafiador, marcado pela queda na produção de ônibus e pela fraqueza das exportações.


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