Os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo IBGE mostram um desempenho mais fraco da produção de bebidas em abril. Tanto as bebidas alcoólicas quanto as não alcoólicas registraram queda na comparação anual. O resultado reflete, em parte, a sazonalidade do mês, tradicionalmente mais fraco, sobretudo para bebidas alcoólicas.
No acumulado do ano, a produção de bebidas alcoólicas ainda cresce 4,0% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, o desempenho em 12 meses piorou levemente, passando de -2,8% em março para -3,0% em abril. Esse movimento tende a moderar as expectativas para o setor ao longo de 2026.
Expectativas para cerveja seguem construtivas
Apesar do recuo observado em abril, os especialistas do Banco Safra mantém uma visão construtiva para a indústria de cerveja. Comparações mais fáceis, condições climáticas favoráveis e o efeito positivo da Copa do Mundo devem sustentar um desempenho mais sólido nos próximos meses.
O índice de produção de bebidas alcoólicas atingiu 89,8 pontos em abril, com queda de 1,9% na comparação anual e de 13,9% frente a março. Após dois meses de recuperação, a retração interrompeu a sequência positiva e contribuiu para a leve piora do indicador em 12 meses.
Ambev sente efeito limitado dos dados
Os números mais recentes do Grupo Petrópolis, divulgados até março, mostram um cenário de volumes ainda fracos, com queda de 24,4% na comparação anual, acompanhada por forte aumento de preços. Essa estratégia resultou em melhora relevante da margem EBITDA, que alcançou 12,3%, avanço de 518 pontos-base em um ano.
Na avaliação do Safra, a combinação de menores volumes e preços mais altos é marginalmente positiva para a Ambev (ABEV3). Ainda assim, os dados de produção industrial de abril são vistos como levemente negativos para a empresa, ao menos no curto prazo.
Bebidas não alcoólicas mantêm resiliência
A produção de bebidas não alcoólicas também recuou em abril, com o índice alcançando 99,5 pontos. O resultado representa queda de 1,0% na comparação anual e de 5,0% frente ao mês anterior. Mesmo assim, o indicador permaneceu próximo do patamar elevado registrado no mesmo mês do ano passado e perto do topo da faixa de cinco anos.
Esse comportamento sustenta uma visão de melhora gradual do outlook ao longo do ano, embora um ambiente macroeconômico mais desafiador ainda possa pressionar o consumo.
Trigo e derivados reforçam cenário positivo
O destaque positivo dos dados de abril ficou com a produção de trigo e derivados. O índice de moagem atingiu 104,6 pontos, com alta de 7,0% na comparação anual, apesar da queda mensal de 5,0%. O nível ficou acima da média de cinco anos, sendo superado apenas pelo desempenho excepcional de 2024.
O indicador funciona como um proxy relevante para os volumes da M. Dias Branco (MDIA3). Embora não traga clareza sobre o mix de produtos, o desempenho sugere um ambiente mais favorável para a companhia, especialmente quando comparado ao cenário mais desafiador observado no segmento de bebidas.
Impacto setorial é misto
De forma geral, os dados de produção industrial de abril são vistos como levemente negativos para o setor de bebidas, em especial para a cerveja, ao moderar expectativas de curto prazo. Por outro lado, o bom desempenho de trigo e derivados reforça uma leitura construtiva para empresas de alimentos, como a M. Dias Branco, em um ambiente ainda marcado por volatilidade no consumo.