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Produção de veículos cresce, mas dados da Anfavea mostram quadro desigual

Dados da Anfavea mostram alta da produção de veículos em abril, com força em automóveis e ônibus, mas fraqueza em caminhões e exportações


A produção de veículos no Brasil somou 245 mil unidades em abril de 2026, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. O volume representa alta de 5% em relação ao mesmo mês do ano passado, mas queda de 7% na comparação com março.

O resultado mostra um setor ainda dividido entre segmentos com desempenho mais resiliente e áreas que seguem pressionadas. De um lado, automóveis de passeio e ônibus sustentaram a alta na comparação anual. De outro, comerciais leves, caminhões e exportações continuaram fracos.

Automóveis e ônibus puxam a produção em abril

Os automóveis de passeio lideraram o avanço do mês. A produção atingiu 190 mil unidades, com crescimento de 9% em relação a abril de 2025. Na comparação mensal, no entanto, houve recuo de 5%.

No segmento de ônibus, a produção chegou a 3 mil unidades, com alta de 6% em um ano e leve queda de 1% frente a março. O desempenho reforça uma dinâmica mais favorável para essa linha, especialmente no mercado doméstico.

Por outro lado, o segmento de comerciais leves registrou produção de 42,8 mil unidades, com queda de 6% na base anual e de 15% frente ao mês anterior. Já os caminhões somaram 9,7 mil unidades, recuo de 12% em um ano e de 13% na comparação mensal.

Exportações seguem fracas e Argentina pesa no setor

Durante teleconferência com o mercado, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Igor Calvet, afirmou que as exportações totais caíram 12% em relação a abril de 2025, pressionadas principalmente por embarques menores para Argentina e Uruguai.

No acumulado de 2026, a retração das exportações chega a 17%. Grande parte desse movimento reflete a queda de 30% nos embarques para a Argentina, principal destino regional da indústria brasileira. Segundo a associação, além da demanda mais fraca, os veículos produzidos no Brasil começaram a perder participação naquele mercado.

Esse cenário sugere que o ambiente para exportações deve seguir desafiador nos próximos meses, o que pode manter pressão sobre empresas com maior exposição ao mercado externo.

Caminhões ainda enfrentam demanda fraca

O segmento de caminhões continua entre os pontos mais frágeis do setor. No acumulado do ano, a produção total recua 17%, enquanto os caminhões pesados registram queda ainda mais intensa, de 30%.

A associação destacou que o programa Move Brasil ajudou a reduzir a intensidade da queda nos emplacamentos, mas ainda não conseguiu inverter a tendência negativa. A expectativa é que a segunda fase do programa dê suporte adicional à demanda ao longo do ano.

Ainda assim, existe uma defasagem de até oito semanas entre a aprovação do crédito e o emplacamento efetivo do veículo. Por isso, eventuais sinais de melhora devem aparecer de forma mais clara apenas nos próximos meses.

Veículos elétricos ganham espaço e ampliam produção local

Outro destaque dos dados de abril foi o avanço dos veículos eletrificados. A participação dessa categoria nas vendas subiu para 18,3%, acima dos 10,1% registrados em abril de 2025.

Além disso, 40% dessas vendas vieram de veículos produzidos no Brasil, acima dos 25% observados um ano antes. O movimento aponta para uma expansão da produção local e pode abrir espaço para novos fornecedores na cadeia automotiva nacional.

Na avaliação do Safra, essa tendência pode criar oportunidades para fabricantes de componentes com exposição ao mercado doméstico, inclusive em projetos ligados a marcas chinesas que operam com montagem local.

O que os dados da Anfavea indicam

O Safra avalia os dados de abril como levemente positivos para Marcopolo (POMO4) e Iochpe-Maxion (MYPK3), mas negativos para Randoncorp (RAPT4).

No caso da Marcopolo, o desempenho da produção de ônibus foi favorável, com alta de 6% na comparação anual. Ao mesmo tempo, a queda de 25% nas exportações do segmento indica um ambiente externo mais difícil, o que pode aumentar a relevância do mercado doméstico de ônibus intermunicipais no segundo trimestre.

Para a Iochpe-Maxion, a leitura é mais positiva. O avanço de 9% na produção de veículos leves em abril tende a compensar parte da fraqueza nos veículos pesados, cuja produção caiu 8,5% no mês. Além disso, o aumento da produção local de veículos eletrificados pode gerar novas oportunidades para o fornecimento de rodas no mercado brasileiro.

Já a Randoncorp segue mais exposta ao cenário adverso dos caminhões. A queda de 12% na produção em abril reforça a fraqueza do segmento, embora os programas de estímulo possam amenizar parte da pressão ao longo dos próximos meses.

Setor automotivo entra no segundo trimestre com sinais cruzados

Os dados de abril mostram que a indústria automotiva brasileira começou o segundo trimestre com sinais mistos. A produção total cresceu, apoiada por automóveis de passeio e ônibus, mas a fraqueza em caminhões e exportações ainda limita uma leitura mais positiva para o setor como um todo.

Para o investidor, o quadro exige uma análise mais seletiva. Empresas mais ligadas a veículos leves, ônibus e à cadeia local de eletrificação podem encontrar um ambiente mais favorável. Em contrapartida, companhias com maior dependência de caminhões e exportações devem seguir enfrentando um cenário mais desafiador ao longo de 2026.


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