Em fato relevante divulgado em 23 de abril, após o fechamento do mercado, a Copasa (CSMG3) informou ter recebido do Estado de Minas Gerais a notificação com o Manual de Participação na Fase Preliminar do Processo de Seleção do Investidor de Referência.
Na prática, o material formaliza uma nova etapa do processo de privatização e apresenta detalhes relevantes sobre a futura oferta e a governança da companhia após a operação.
Entre os principais pontos, o documento prevê acordo de não concorrência, acordo de acionistas e restrições para a transferência de ações. O acordo de acionistas valerá enquanto o Estado de Minas Gerais mantiver ao menos 5% de participação na empresa.
Como ficará a estrutura acionária
Segundo as diretrizes divulgadas, a fase preliminar de qualificação ocorrerá entre 24 de abril e 8 de maio de 2026. Nesse período, investidores profissionais e consórcios poderão se candidatar para adquirir uma fatia de 30% da Copasa.
Além disso, outros acionistas poderão comprar uma participação de 15%, enquanto o Estado de Minas Gerais permanecerá com 5% da companhia.
Esse desenho indica que o governo pretende abrir espaço para um investidor de referência, sem abandonar completamente sua presença na estrutura societária.
Regras de governança ganham peso
O modelo apresentado pelo governo mineiro mantém influência relevante do Estado de Minas Gerais em decisões estratégicas da companhia, mesmo após a privatização.
Pelo desenho proposto, o governo terá o direito de indicar um membro para o conselho de administração e outro para o conselho fiscal.
Além disso, temas considerados sensíveis só poderão avançar com a concordância do Estado. Entre eles estão mudanças em programas de investimento, destituição de diretores estatutários, aumentos ou reduções de capital, operações de fusões e aquisições e alterações na política de dividendos.
Com isso, o mercado passa a ter uma visão mais concreta sobre o equilíbrio entre a entrada do capital privado e a manutenção de poderes relevantes pelo acionista público.
Restrições para venda de ações
O manual também define travas para a alienação das participações acionárias.
O Estado de Minas Gerais ficará sujeito a um prazo de restrição de 90 dias. Já o investidor de referência terá um prazo mínimo de quatro anos.
Depois desse período, a participação só poderá ser vendida a partir de 2033. A exceção seria o eventual cumprimento antecipado da meta de universalização.
O documento ainda prevê que a companhia deverá preservar seus compromissos com os sindicatos por 18 meses após a privatização.
Exigência financeira eleva a barra
Outro ponto importante é a exigência de garantias bancárias iniciais de pelo menos R$ 7 bilhões para participação no leilão.
Esse valor tende a limitar o universo de interessados a grupos com maior capacidade financeira e experiência operacional, o que pode elevar a competição entre empresas estratégicas do setor.
Ao mesmo tempo, não houve mudanças relevantes em relação ao modelo já apresentado anteriormente, em 28 de janeiro, especialmente em temas como limitação de direitos de voto e número sugerido de membros do conselho.
O que ainda falta definir
Apesar do avanço, o processo ainda depende de informações relevantes para que o mercado consiga avaliar com mais precisão o potencial da operação.
Entre os pontos pendentes, seguem em aberto o preço mínimo da transação, os mecanismos finais de seleção para a etapa seguinte e os termos definitivos da precificação da oferta.
O preço mínimo, embora não deva ser divulgado publicamente, ainda precisará de aprovação do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.
Portanto, a nova etapa melhora a previsibilidade do processo, mas ainda não elimina incertezas centrais para investidores.
O que o mercado pode esperar
A leitura do Safra é positiva. O avanço reforça a percepção de que a privatização da Copasa (CSMG3) se tornou mais provável e passou a ter peso crescente no valor da companhia.
A expectativa é que a oferta subsequente seja lançada antes do fim do segundo trimestre de 2026, possivelmente com referência nos resultados do primeiro trimestre.
Nesse cenário, nomes como Equatorial (EQTL3), Sabesp (SBSP3) e Aegea aparecem entre os potenciais interessados. A imprensa também cita o grupo Águas do Brasil como possível participante.
Se a privatização se confirmar, o Safra avalia que o preço-alvo da Copasa pode subir para R$ 80,00, sustentado por ganhos adicionais de eficiência, maior reembolso de investimentos e redução na taxa de desconto.
Privatização fica mais provável
O novo documento do governo de Minas Gerais não encerra as discussões sobre a privatização da Copasa, mas representa um avanço concreto em uma agenda que o mercado acompanha de perto.
Ao trazer regras mais claras para a seleção do investidor de referência e para a governança futura da companhia, o processo ganha consistência. Ainda faltam definições importantes. Mesmo assim, o movimento reforça a leitura de que a privatização deixou de ser uma hipótese distante e passou a influenciar de forma mais decisiva a tese de investimento da empresa.