A PRIO (PRIO3) apresentou resultados consistentes no segundo trimestre de 2026, destacando-se pela forte geração de caixa livre, redução dos custos operacionais e melhora dos indicadores financeiros.
Mesmo diante do impacto do imposto sobre exportações de petróleo, a companhia ampliou a rentabilidade, reduziu a alavancagem e iniciou o terceiro trimestre com crescimento da produção, reforçando a percepção positiva sobre a execução operacional.
Receita cresce com volumes e preços mais altos
A receita líquida da companhia alcançou US$ 1,22 bilhão no segundo trimestre, avanço de 10% em relação ao trimestre anterior.
O resultado refletiu o aumento dos volumes embarcados, além de preços realizados mais elevados, apoiados pela valorização do petróleo Brent e pela redução dos descontos aplicados às vendas da companhia.
O desempenho compensou parcialmente o impacto do imposto incidente sobre as exportações de petróleo.
Resultado operacional permanece robusto
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) ajustado atingiu US$ 879 milhões, praticamente em linha com as estimativas do Banco Safra e 3% acima do resultado do trimestre anterior.
A margem operacional ficou em 72%, sustentando um dos mais elevados níveis de rentabilidade do setor.
A companhia também apresentou forte desempenho no lucro líquido, que alcançou US$ 413 milhões. Apesar da queda em relação ao trimestre anterior, o resultado superou em quase 50% as projeções do Safra.
O desempenho foi beneficiado por despesas com depreciação e tributos inferiores ao esperado.
Geração de caixa é destaque do trimestre
O principal ponto positivo dos resultados foi a geração de caixa livre.
A PRIO gerou US$ 850 milhões no período, um salto expressivo em comparação aos US$ 79 milhões registrados no primeiro trimestre.
O avanço foi impulsionado pela maior geração operacional, menor necessidade de capital de giro e redução dos investimentos realizados no período.
Segundo cálculos do Safra, a geração de caixa acumulada no primeiro semestre corresponde a um retorno anualizado de aproximadamente 19%, indicador que reforça a capacidade da companhia de converter resultados operacionais em caixa.
Custos de extração continuam em queda
A estratégia de ganhos de eficiência operacional seguiu produzindo resultados.
O custo de extração recuou 5% na comparação trimestral e atingiu US$ 8,9 por barril, ligeiramente abaixo das estimativas do Safra.
A melhora refletiu a otimização das operações no campo de Peregrino e a entrada em operação dos novos poços de Wahoo, que contribuíram para diluir custos no Cluster Valente.
Endividamento diminui com forte geração de caixa
A sólida geração de caixa permitiu à companhia reduzir sua alavancagem financeira.
A relação entre dívida líquida e EBITDA caiu para 1,5 vez ao final de junho, ante 2 vezes registradas no trimestre anterior.
A dívida líquida encerrou o período em US$ 4 bilhões, mesmo após investimentos relevantes nos projetos de Wahoo, Peregrino, Albacora Leste e Frade, além da recompra de ações realizada pela companhia.
Para o Safra, a redução da alavancagem amplia a flexibilidade financeira da empresa e fortalece sua capacidade de financiar novos projetos.
Produção acelera em julho
Além dos resultados do segundo trimestre, a companhia divulgou dados operacionais positivos para julho.
A produção alcançou 196,3 mil barris equivalentes de petróleo por dia, crescimento de 10% em relação a junho.
O principal destaque foi o Cluster Valente, formado pelos campos de Frade e Wahoo, que registrou avanço de 14% na produção após a conclusão de intervenções operacionais e a contribuição integral dos novos poços de Wahoo.
Albacora Leste também apresentou forte recuperação, com crescimento de 30% na produção mensal após a normalização das operações.
Os embarques de petróleo acompanharam esse movimento e avançaram 17% na comparação mensal.
Perspectivas seguem favoráveis
Na avaliação do Safra, o trimestre reforçou a capacidade da PRIO de combinar crescimento da produção, disciplina de custos e forte geração de caixa.
O banco destaca que os avanços operacionais em Wahoo, Frade e Albacora Leste devem continuar sustentando a expansão da produção nos próximos períodos.
Além disso, a redução da alavancagem e a elevada geração de caixa fortalecem a posição financeira da companhia em um momento de execução simultânea de diversos projetos relevantes.
Com indicadores operacionais sólidos e perspectivas positivas para produção e rentabilidade, a PRIO segue como uma das principais teses do setor de petróleo na visão do Safra.