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Totvs, LWSA e Intelbras: o que esperar dos resultados do primeiro trimestre

Banco Safra vê desempenho mais forte de Totvs (TOTS3) e LWSA (LWSA3) no início do ano, enquanto Intelbras (INTB3) ainda enfrenta um ambiente operacional mais desafiador


A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 deve mostrar trajetórias diferentes entre as empresas de tecnologia. Na visão do Banco Safra, Totvs (TOTS3) e LWSA (LWSA3) tendem a entregar um trimestre mais consistente, com avanço de receita e melhora de rentabilidade. Já Intelbras (INTB3) deve reportar números mais modestos, apesar de uma comparação anual favorecida por uma base mais fraca.

O Safra avalia que a Totvs deve combinar crescimento relevante de receita com expansão de margem em suas principais frentes de operação. Além disso, o período marca a primeira consolidação parcial da Linx, após a conclusão da aquisição em 2 de março de 2026.

No caso da LWSA, a expectativa é de continuidade da melhora operacional. O movimento deve ser sustentado pela reorganização do portfólio e pelo avanço do segmento de comércio digital, que segue como principal motor de crescimento da companhia.

Por outro lado, a Intelbras deve apresentar a maior alta anual de receita entre as três empresas. Ainda assim, esse desempenho reflete, em parte, uma base de comparação mais fraca no primeiro trimestre de 2025. A leitura subjacente segue mais cautelosa, diante de desafios competitivos e da mudança estratégica no negócio de energia solar.

Totvs deve combinar crescimento e expansão de margem

A Totvs deve divulgar um resultado sólido em 6 de maio, após o fechamento do mercado. O Safra projeta receita líquida consolidada de R$ 1,65 bilhão no primeiro trimestre, o que representaria alta de 16,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

A expectativa para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado é de R$ 444 milhões, com avanço de 19,2% na comparação anual. Com isso, a margem deve alcançar 26,9%, acima do nível observado um ano antes.

Na divisão de gestão, a receita líquida deve crescer cerca de 16%, para R$ 1,43 bilhão. Mesmo assim, o trimestre ainda deve refletir o efeito residual da queda do índice geral de preços sobre contratos renovados no período, além de uma receita corporativa menor. Ainda assim, a margem ajustada da unidade tende a subir para 29,0%.

A operação da RD Station também deve manter expansão de dois dígitos. O Safra estima receita de R$ 176 milhões, com crescimento de aproximadamente 18% e margem de 13,2%.

O ponto de maior pressão continua em serviços financeiros. Nessa frente, a margem deve recuar para 9,6%, pressionada pelo aumento do custo de captação em meio aos juros elevados.

Mesmo com melhora operacional, o lucro líquido ajustado da Totvs deve somar R$ 218 milhões, com queda de 4,1% na comparação anual. Segundo o Safra, o resultado reflete despesas financeiras mais altas, menor posição de caixa e o efeito integral das debêntures no período.

LWSA deve manter melhora operacional

A LWSA deve divulgar seus números em 7 de maio, também após o fechamento. Para o Safra, a companhia deve apresentar mais um trimestre de avanço em receita e margem, apoiada principalmente pela unidade de comércio digital.

A projeção do banco indica receita líquida de R$ 363 milhões no primeiro trimestre, com crescimento anual de 10%, desconsiderando os efeitos de Squid e Nextios. Desse total, R$ 260 milhões devem vir da operação de comércio digital, com alta de 13%. A unidade BeOnline, por sua vez, deve crescer 2% no período.

Em rentabilidade, o Safra estima lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado de R$ 84 milhões, alta de 19% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A margem deve atingir 23,1%, avanço de 1,8 ponto percentual.

O lucro líquido ajustado deve ficar em R$ 41 milhões. Embora o desempenho possa vir abaixo do quarto trimestre de 2025, quando a companhia foi beneficiada por uma sazonalidade mais forte no volume bruto de mercadorias, a tendência de melhora na comparação anual deve permanecer. Para o banco, esse quadro reforça uma leitura operacional saudável para a LWSA.

Intelbras ainda enfrenta desafios

A Intelbras deve divulgar seu balanço em 6 de maio, após o fechamento do mercado. O Safra espera um trimestre mais fraco na comparação sequencial, ainda que os números anuais mostrem recuperação.

A projeção aponta para receita líquida de R$ 1,10 bilhão, o que implicaria queda de 6% frente ao trimestre imediatamente anterior e alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025. Esse avanço anual, porém, deve ser favorecido por uma base fraca, após a implantação de sistema de gestão no ano passado.

A divisão de segurança deve liderar a recuperação, com crescimento de 30% na comparação anual. Já a unidade de tecnologia da informação e comunicação deve avançar 16% em um ano, mas recuar 7% na comparação trimestral. Segundo o Safra, a pressão competitiva sobre equipamentos de rede segue limitando uma recuperação mais forte, embora o negócio de cabos deva oferecer compensação parcial.

No segmento de energia, a expectativa continua mais contida. O banco projeta queda de 8,5% na comparação anual e de 8% ante o trimestre anterior. O movimento reflete a estratégia da companhia de reduzir exposição a grandes projetos solares e priorizar instalações residenciais, que oferecem margens mais altas.

Ainda assim, a rentabilidade deve mostrar alguma resiliência. O Safra projeta lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização de R$ 147 milhões, com margem de 13,4%. O resultado deve ser sustentado por um mix de receitas mais saudável e por ajustes iniciais de preços, que tendem a compensar parte da alta nos custos de componentes.

Por fim, o lucro líquido da Intelbras deve alcançar R$ 136 milhões. Isso representaria avanço de 121% na comparação anual, mas leve queda de 1,3% frente ao trimestre anterior.

O que o mercado deve acompanhar

Mais do que os números do trimestre, o mercado deve observar a qualidade do crescimento e os sinais para os próximos meses. No caso da Totvs (TOTS3), os investidores tendem a acompanhar os primeiros efeitos da incorporação da Linx e a evolução da operação de serviços financeiros. Na LWSA (LWSA3), o foco deve permanecer na sustentação do ganho de margem e na consistência da estratégia de portfólio.

Já em Intelbras (INTB3), a atenção deve se concentrar na capacidade de melhorar a rentabilidade em um ambiente ainda competitivo, sobretudo nas divisões de tecnologia e energia.

Em síntese, a leitura do Safra para o setor no primeiro trimestre de 2026 é positiva para Totvs e LWSA, enquanto Intelbras ainda deve atravessar um período de transição mais desafiador.


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