As empresas ligadas ao mercado de capitais devem apresentar resultados mistos no segundo trimestre de 2026, em um cenário de menor atividade em emissões de dívida e desaceleração nos volumes negociados em bolsa.
Segundo o Safra, a fraqueza nas operações de investment banking e renda variável deve ser parcialmente compensada pela resiliência de receitas recorrentes e pelo controle de despesas operacionais.
O banco avalia que o trimestre tende a reforçar as diferenças de desempenho entre BTG Pactual (BPAC11), XP Inc. (XPBR3) e B3 (B3SA3).
BTG deve manter crescimento resiliente
O Safra projeta mais um trimestre sólido para o BTG Pactual.
A expectativa é de crescimento de receita de 14% na comparação anual, impulsionado principalmente pelas áreas de crédito corporativo, crédito ao consumidor e gestão de patrimônio.
A divisão de investment banking, por outro lado, deve apresentar queda de 28% em relação ao trimestre anterior e retração de 42% na comparação anual.
Segundo o banco, a desaceleração reflete a menor atividade em emissões de dívida corporativa e uma base de comparação mais forte no início do ano.
Mesmo assim, o Safra destaca que a administração do BTG já sinalizou melhora gradual do pipeline de operações ao final do trimestre.
A projeção é de lucro líquido de R$ 4,96 bilhões entre abril e junho, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025.
O retorno sobre patrimônio líquido deve permanecer elevado, em torno de 26%.
XP segue pressionada pela renda variável
A XP deve registrar crescimento de receita ainda abaixo de dois dígitos.
O Safra estima avanço de aproximadamente 9% na receita bruta da companhia na comparação anual.
As receitas ligadas ao varejo devem continuar sustentadas por segmentos como cartões, previdência e seguros.
Além disso, a renda fixa deve apresentar melhora sequencial após o impacto negativo de marcação a mercado observado no primeiro trimestre.
Por outro lado, as receitas de renda variável devem perder força, acompanhando a redução dos volumes negociados na B3.
A divisão de Corporate & Issuer Services também deve sentir os efeitos da menor atividade em emissões de dívida corporativa.
Mesmo em um ambiente mais fraco, o Safra avalia que o controle de despesas deve continuar favorecendo a expansão operacional da companhia.
A expectativa é de lucro líquido de R$ 1,36 bilhão no trimestre, com retorno sobre patrimônio líquido próximo de 22%.
B3 sente desaceleração dos volumes
A B3 deve apresentar perda de ritmo operacional no segundo trimestre.
Segundo o Safra, os volumes negociados desaceleraram ao longo do período, especialmente nos segmentos de ações e derivativos.
A projeção é de queda de 5% na receita bruta em relação ao trimestre anterior, apesar do crescimento anual ainda positivo.
As receitas ligadas ao mercado de ações devem cair 10% frente ao primeiro trimestre, enquanto os derivativos devem recuar mais de 9%.
Por outro lado, o segmento de renda fixa deve continuar apresentando crescimento sólido.
A área de dados e tecnologia também deve manter expansão em ritmo de dois dígitos.
Margens devem perder força
O Safra estima compressão da margem operacional da B3 diante da combinação de receitas menores e mix menos favorável.
A margem EBITDA projetada para o trimestre é de 69,6%, abaixo do nível registrado no início do ano.
Mesmo assim, o resultado financeiro e os efeitos da venda da Dimensa devem ajudar a sustentar o lucro.
A expectativa é de lucro líquido próximo de R$ 1,68 bilhão no segundo trimestre de 2026.
Preferências seguem concentradas no BTG
Na avaliação do Safra, o BTG continua sendo o nome mais resiliente dentro do setor de mercado de capitais.
O banco destaca a diversificação das receitas e a expansão das operações de crédito e gestão de patrimônio como principais fatores de sustentação dos resultados.
Já XP e B3 seguem mais expostas à desaceleração da atividade em renda variável e no mercado de capitais tradicional.