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Farmácias lideram varejo no trimestre, mas setor alimentar decepciona

A prévia do primeiro trimestre aponta crescimento sólido para redes de farmácia e indústria farmacêutica, enquanto supermercados e atacarejos ainda enfrentam pressão sobre vendas e margens.


A prévia do primeiro trimestre de 2026 indica um cenário mais favorável para o varejo farmacêutico na Bolsa brasileira. O Safra espera um trimestre forte para o segmento, com crescimento de vendas entre 14% e 17% na comparação anual.

Depois de enfrentar um ambiente mais desafiador no primeiro semestre de 2025, o setor agora conta com vetores mais positivos. Entre eles, está o aumento da demanda por medicamentos da classe GLP-1. Além disso, a base de comparação mais fraca deve reforçar o desempenho operacional das companhias.

Nesse contexto, a expectativa é de avanço de margem operacional em todas as empresas cobertas. A Pague Menos (PGMN3) deve registrar expansão de 35 pontos-base na margem EBITDA. A Raia Drogasil (RADL3) deve avançar 38 pontos-base. Já a Panvel (PNVL3) pode apresentar ganho de 56 pontos-base.

No caso da Panvel, este também deve ser o primeiro trimestre em mais de um ano com uma base de comparação considerada mais equilibrada. Isso ocorre após o encerramento da operação B2B no quarto trimestre de 2024.

Indústria farmacêutica também deve mostrar recuperação

No segmento de indústria farmacêutica, a Hypera (HYPE3) deve apresentar uma forte recuperação na comparação anual. O Safra projeta alta de 81% nas vendas em relação ao primeiro trimestre de 2025, embora preveja queda de 13% ante o trimestre imediatamente anterior.

A expectativa para a margem EBITDA também é de melhora relevante. A projeção aponta avanço de 4.320 pontos-base na comparação anual, favorecido por uma base mais fraca. No primeiro trimestre de 2025, os resultados foram impactados por ajustes de capital de giro. Ainda assim, a margem deve permanecer próxima de 30%.

A Blau Farmacêutica (BLAU3) também deve mostrar números melhores. O Safra estima crescimento de 15% nas vendas e de 17% no EBITDA frente ao mesmo período do ano passado.

Esse avanço deve refletir, sobretudo, a base de comparação deprimida do primeiro trimestre de 2025. Naquele período, a companhia sofreu com atrasos regulatórios relacionados ao Botulin. Agora, esse efeito deve mais do que compensar as restrições de capacidade que a empresa ainda enfrenta.

Varejo alimentar deve seguir pressionado

Se as farmácias tendem a liderar o trimestre, o varejo alimentar deve voltar a figurar entre os pontos mais fracos do setor de consumo básico.

O Safra espera mais um trimestre difícil para as empresas do segmento, especialmente no desempenho de vendas nas mesmas lojas. O ambiente operacional segue desafiador, com menor tração comercial e pressão de custos.

O Grupo Mateus (GMAT3) deve ser o destaque negativo. A projeção é de nova queda nas vendas nas mesmas lojas na comparação anual, em linha com o recuo de 1,1% observado no quarto trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, a margem EBITDA deve sofrer pressão de 200 pontos-base por causa de despesas mais elevadas.

Para o Assaí (ASAI3), a expectativa é de crescimento de 2% na receita. Esse avanço deve vir de vendas nas mesmas lojas praticamente estáveis e da abertura de 11 unidades. A margem EBITDA, por sua vez, deve permanecer praticamente estável na comparação anual, desconsiderando créditos fiscais relacionados a bebidas geladas.

O que a prévia indica para o setor

A leitura do Safra para o primeiro trimestre de 2026 reforça uma divisão clara dentro do universo de consumo básico listado na Bolsa.

De um lado, redes de farmácia e parte da indústria farmacêutica devem entregar crescimento mais forte, com melhora de rentabilidade e base de comparação mais favorável. De outro, o varejo alimentar ainda deve conviver com um cenário mais apertado, marcado por vendas fracas e pouca alavancagem operacional.

Assim, a temporada de resultados tende a confirmar o varejo farmacêutico como o principal destaque positivo do período, enquanto supermercados e atacarejos devem continuar sob maior escrutínio dos investidores.


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