A Porto Seguro (PSSA3) registrou lucro líquido de R$ 841 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado ficou 4% abaixo da estimativa do Banco Safra, de R$ 878 milhões, e do consenso reunido pela companhia, de R$ 874 milhões.
O lucro líquido recorrente, calculado de acordo com a norma contábil IFRS 17, chegou a R$ 889 milhões. O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 22%.
O resultado operacional foi o principal ponto de pressão. O indicador somou R$ 1,096 bilhão, queda de 14% em relação ao trimestre anterior e 5% abaixo da projeção do Safra.
As três principais unidades de negócio ficaram abaixo das estimativas. Em contrapartida, o resultado financeiro alcançou R$ 387 milhões, 14% acima da projeção do banco e 26% superior ao registrado no trimestre anterior.
O desempenho financeiro foi beneficiado pela maior inflação e por retornos equivalentes a 90% do Certificado de Depósito Interbancário, o CDI.
Seguros têm desempenho sólido
A operação de seguros apresentou resultados positivos no trimestre. O índice de sinistralidade da Porto Seguro ficou em 49,1%, o menor nível dos últimos cinco trimestres.
O indicador também foi 1,2 ponto percentual melhor do que a estimativa do Safra. No segmento de automóveis, a sinistralidade ficou em 56,7%, queda de 1,8 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.
O desempenho sugere um ambiente competitivo mais racional ou uma precificação mais adequada das apólices.
Os prêmios emitidos ficaram 1,2% acima do esperado. O resultado foi impulsionado pelos segmentos de automóveis, com crescimento de 6,3% em 12 meses, e de seguros patrimoniais e de responsabilidade civil, com alta de 9,9%.
O lucro líquido da unidade de seguros chegou a R$ 456 milhões, crescimento de 6% em relação ao trimestre anterior e de 14% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido foi de 32,9%.
Porto Saúde mantém crescimento
A Porto Saúde registrou prêmios ganhos de R$ 2,281 bilhões, alta de 13% em 12 meses e de 2% em relação ao primeiro trimestre de 2026.
A unidade acrescentou 46 mil beneficiários no trimestre, ante 27 mil no período anterior.
O principal ponto negativo foi o aumento da sinistralidade. O indicador ficou em 76,9%, alta de 4,1 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, embora tenha recuado 4,3 pontos percentuais na comparação anual.
O resultado ficou 3,9 pontos percentuais acima da estimativa do Safra. Com isso, o índice combinado alcançou 92%.
O lucro líquido da unidade foi de R$ 144 milhões, alta de 68% em 12 meses, mas queda de 18% em relação ao trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 24%.
Crédito pressiona resultados
As perdas de crédito somaram R$ 867 milhões no trimestre, alta de 20% em relação ao trimestre anterior e de 67% na comparação anual.
O valor ficou 9% acima da estimativa do Safra e explica a diferença entre o resultado operacional projetado e o efetivamente registrado.
A formação de inadimplência aumentou para R$ 698 milhões, ante R$ 514 milhões no trimestre anterior. A inadimplência com atraso superior a 90 dias subiu 1,2 ponto percentual, para 9,4%.
Também houve aumento de 0,8 ponto percentual na formação de operações classificadas no nível de maior risco, que chegou a 3,5%. Como consequência, a margem financeira ajustada ao risco recuou para 0,1%.
A carteira de crédito da Porto Seguro alcançou R$ 23,5 bilhões, crescimento de 12% em 12 meses.
Banco revisa projeções
As principais revisões no guidance para 2026 ficaram concentradas no Porto Bank.
A projeção para as perdas esperadas de crédito passou para uma faixa entre R$ 3,1 bilhões e R$ 3,5 bilhões, ante intervalo anterior de R$ 2,7 bilhões a R$ 3,1 bilhões.
A companhia compensou parte desse aumento com uma previsão maior de receitas, entre R$ 7,7 bilhões e R$ 8,1 bilhões. A faixa anterior era de R$ 7,5 bilhões a R$ 7,9 bilhões.
A Porto Seguro também melhorou a projeção de eficiência operacional, que passou para uma faixa entre 24% e 28%, ante 27% a 31%.
Parte das alterações reflete mudanças contábeis. Entre elas estão o novo método de diferimento de receitas de consórcios e a reclassificação de recompensas e taxas de bandeiras de cartões como deduções de receita.
A companhia reduziu ainda a previsão para o índice de sinistralidade da operação de seguros, para uma faixa entre 50% e 54%. A alíquota efetiva consolidada de impostos passou a ser estimada entre 23% e 27%.
As demais projeções permaneceram inalteradas.
Recomendação permanece Compra
Na avaliação do Safra, os resultados do segundo trimestre de 2026 são levemente negativos para as ações da Porto Seguro.
O balanço não deve provocar revisões relevantes nas estimativas de lucro. No entanto, a piora na qualidade dos ativos do banco pode pressionar os papéis no curto prazo.
O desempenho dos seguros, especialmente no segmento de automóveis, representa um contraponto positivo. A menor sinistralidade indica melhora operacional e ajuda a limitar os efeitos da deterioração no crédito.
O Safra reiterou a recomendação de Compra para as ações da Porto Seguro.