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Planos de saúde entram em fase construtiva com espaço para recuperar margens

Setor de planos de saúde avança na recuperação de margens, com custos mais controlados, menor judicialização e regulação mais técnica


O setor de planos de saúde no Brasil atravessa uma fase construtiva, com espaço adicional para melhora operacional. Essa foi a principal conclusão de uma videoconferência realizada na quarta-feira, 10 de março de 2026, entre analistas do Safra e Marcos Novais, diretor executivo da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge).

Segundo a entidade, o setor já corrigiu uma parcela relevante da deterioração de margens acumulada entre 2021 e 2023. Ainda assim, essa recuperação não aparece de forma plena nos resultados operacionais mais recentes. Para o Safra, o cenário de curto e médio prazo segue atrativo, com lucros em fase de recomposição e vetores de custo que ainda não foram totalmente absorvidos.

Reajustes e controle de custos sustentam melhora

A retomada ocorre de forma desigual entre os operadores. Grandes grupos conseguiram reconstruir margens com mais rapidez, enquanto empresas menores ainda enfrentam dificuldades. A queda nos índices de sinistralidade após a pandemia, combinada a um novo ciclo de reajustes, contribuiu para esse movimento.

Os reajustes dos planos individuais variam entre 7% e 8% no ciclo atual, nível próximo ou levemente acima dos 6,06% registrados no ano anterior. De acordo com a Abramge, o setor não opera a partir de uma posição confortável. Ele ainda se recupera de uma base negativa. Ao mesmo tempo, pressões associadas a terapias e imunobiológicos seguem relevantes, o que abre espaço para ganhos adicionais à medida que operadoras ampliam redes próprias e avançam na negociação com prestadores.

Capacidade ociosa e demanda represada

O ambiente atual também reflete um equilíbrio temporário entre oferta e demanda. Prestadores de serviços de saúde ainda operam com alguma capacidade ociosa. Em paralelo, a base de beneficiários continua a crescer.

O setor adicionou cerca de 2% em beneficiários líquidos nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026, ritmo semelhante ao da expansão de leitos hospitalares privados. Parte desses novos usuários ainda cumpre períodos obrigatórios de carência, o que posterga a utilização dos serviços. À medida que essas carências vencem, a expectativa é de aumento gradual dos volumes, com destaque inicial para exames e diagnósticos, que possuem prazos menores do que procedimentos hospitalares.

Judicialização mostra sinais de inflexão

A judicialização permanece como um desafio estrutural, mas os dados recentes indicam uma tendência mais favorável. O número de novos processos monitorados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recuou cerca de 25% na comparação anual em janeiro de 2026.

Decisões recentes reforçam essa leitura. Entre elas, a reabertura do debate sobre a cobertura de bombas de insulina e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que autoriza a rescisão de contratos de grupos com menos de 30 vidas, desde que haja justificativa adequada. Para a Abramge, o Judiciário começa a adotar critérios mais técnicos nas disputas do setor, ainda que de forma gradual.

Regulação mais técnica e previsível

No campo regulatório, a avaliação também é positiva. A atual diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem adotado uma postura mais colaborativa, com foco em diálogo estruturado com o setor. Discussões regulatórias passam primeiro por câmaras técnicas antes de avançarem para consultas públicas.

Esse processo tende a gerar decisões mais equilibradas e reduzir o risco de mudanças abruptas. Duas vagas no colegiado da agência, nas diretorias de DIOPE e de fiscalização, devem ser abertas ainda em 2026. A definição desses nomes será um ponto relevante de acompanhamento para o mercado.


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