A base de beneficiários de planos de saúde no Brasil somou 53,0 milhões em fevereiro, com adição líquida de 36 mil usuários na comparação com janeiro. Apesar da recuperação parcial após a queda sazonal observada no início do ano, o setor ainda acumula perda líquida de 78 mil beneficiários no primeiro trimestre de 2026.
Os dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS, mostram que o segmento manteve crescimento anual de 2,0%, mas o início do ano segue fraco. O resultado de fevereiro amenizou a retração de janeiro, quando o setor havia registrado perda líquida de 115 mil beneficiários, sem conseguir reverter o saldo negativo do trimestre.
Amil lidera o crescimento entre as operadoras
A Amil (AMIL3) foi o principal destaque de fevereiro, com 44 mil adições líquidas. Na sequência, apareceram Bradesco Saúde (BBDC3), com 23 mil, SulAmérica (SULA11), com 21 mil, e Porto Saúde (PSSA3), com 9 mil.
Por outro lado, Hapvida (HAPV3), em conjunto com a NotreDame Intermédica, e o Sistema Unimed seguiram pressionados. Em fevereiro, GNDI mais Hapvida perderam 34 mil beneficiários, enquanto o Sistema Unimed registrou queda de 31 mil.
No acumulado do trimestre, a liderança também ficou com a Amil, que somou 47 mil adições líquidas. Bradesco Saúde veio em seguida, com 41 mil, e Porto Saúde, com 16 mil. Já GNDI mais Hapvida acumulam perda de 59 mil beneficiários no período, enquanto o Sistema Unimed soma retração de 93 mil.
Planos corporativos sustentam reação da base
O avanço de fevereiro veio principalmente dos planos corporativos. Esse segmento adicionou 78 mil beneficiários no mês e respondeu sozinho pelo crescimento da base total.
Em contrapartida, os planos individuais continuaram em queda, com perda líquida de 29 mil usuários. Os planos por adesão também recuaram e registraram saída líquida de 13 mil beneficiários, embora em intensidade menor do que a observada em janeiro.
O quadro reforça a dependência do setor em relação ao mercado de trabalho formal e à oferta de benefícios corporativos para sustentar a expansão da base.
Sudeste concentra a recuperação do setor
A retomada observada em fevereiro ficou concentrada na Região Sudeste, que respondeu por 43 mil adições líquidas. O desempenho mais do que compensou as perdas registradas em outras partes do país.
As regiões Sul e Norte tiveram resultados positivos, ainda que modestos, com 3 mil adições líquidas cada. Já o Centro-Oeste perdeu 1 mil beneficiários, enquanto o Nordeste registrou retração de 11 mil.
A concentração regional indica que a recuperação da demanda por planos de saúde ainda ocorre de forma desigual no país.
Segmento odontológico mantém expansão mais consistente
No mercado de planos odontológicos, o desempenho foi mais robusto. A base total atingiu 35,6 milhões de beneficiários em fevereiro, com 267 mil adições líquidas no mês.
A Odontoprev (ODPV3) liderou com folga esse movimento ao registrar 160 mil adições líquidas, o equivalente a cerca de 60% de toda a expansão do setor no período. No acumulado do trimestre, a companhia soma crescimento de 114 mil beneficiários.
O que os dados indicam para o setor de saúde
Os números de fevereiro mostram uma melhora em relação ao início do ano, mas ainda não configuram uma virada mais ampla para o setor. A recuperação ficou concentrada em poucos grupos, com destaque para a Amil, e contou com forte dependência dos planos corporativos e da Região Sudeste.
Ao mesmo tempo, a continuidade das perdas em Hapvida e no Sistema Unimed sugere que parte relevante do mercado ainda enfrenta dificuldade para recompor sua base. Assim, o início de 2026 reforça um cenário mais seletivo para as operadoras de saúde, com sinais mistos entre crescimento pontual e fraqueza estrutural.