A persistência do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e manteve as cotações acima do consenso anterior à escalada geopolítica. Esse movimento afetou de forma desigual as ações de empresas brasileiras de exploração e produção. Diante desse novo cenário, o Safra reavaliou seu posicionamento no setor e passou a adotar uma abordagem mais seletiva.
Enquanto algumas companhias acompanharam a alta do petróleo, outras mostraram desempenho mais contido. A diferença de comportamento levou o banco a revisar recomendações, preços-alvo e a relação entre risco e retorno dos papéis.
Petrobras se destaca como opção mais equilibrada
Na avaliação do Safra, a Petrobras (PETR4) oferece hoje a combinação mais equilibrada entre proteção e potencial de valorização. Preços elevados do petróleo tendem a abrir espaço para novos reajustes de combustíveis. Por outro lado, uma eventual queda nas cotações impactaria os resultados de forma mais gradual, graças ao modelo integrado da companhia e à menor velocidade de repasse.
O banco elevou o preço-alvo para 57 reais por ação, ante 43 reais anteriormente. O novo valor implica potencial de alta de 37% e retorno total estimado em 49%. A recomendação de compra foi mantida. O Safra ressalta, no entanto, que a proximidade do ano eleitoral de 2026 pode aumentar a volatilidade das ações ao longo do período.
PRIO perde atratividade relativa
Para a PRIO (PRIO3), o Safra vê potencial de valorização mais limitado nos níveis atuais. Uma eventual correção do petróleo tende a afetar a companhia de forma mais intensa do que a Petrobras, dada sua maior exposição direta ao preço da commodity.
Com isso, a recomendação foi reduzida de compra para neutra. O novo preço-alvo passou para 69 reais por ação, ante 56 reais, o que representa potencial de alta de 11% e retorno total de 15%. Apesar do corte, o banco segue vendo a PRIO como uma forte geradora de caixa. Na ausência de aquisições relevantes, o Safra espera o início de distribuições mais expressivas aos acionistas a partir de 2027, por meio de dividendos e recompras de ações.
Brava enfrenta pressão no curto prazo
O Safra também reduziu a recomendação da Brava Energia (BRAV3) de compra para neutra. O novo preço-alvo foi ajustado para 23 reais por ação, abaixo dos 27 reais anteriores, com potencial de alta de 12% e retorno total de 17%.
A expectativa é de produção praticamente estável em 2026, com crescimento concentrado em 2027, impulsionado por campanhas offshore. No curto prazo, a geração de caixa deve seguir pressionada por investimentos elevados, posições de hedge e pagamentos de earn-out. Além disso, a incerteza sobre a estratégia após a mudança de controle e a oferta pública ainda pendente tende a limitar o desempenho das ações.
PetroReconcavo mantém perfil defensivo
A recomendação neutra para a PetroReconcavo (RECV3) foi mantida. O Safra revisou o preço-alvo para 13 reais por ação, ante 17 reais, o que implica potencial de alta de 17% e retorno total de 22%.
O banco vê perspectiva positiva para a geração de caixa, sustentada por preços mais altos do petróleo e disciplina na alocação de capital. Esse potencial, no entanto, segue parcialmente limitado pela estratégia de hedge adotada pela companhia.
Premissas de petróleo ficam mais elevadas
Além das revisões de produção, a principal mudança nas premissas do Safra foi o preço do petróleo. O banco passou a projetar um Brent médio de 88 dólares por barril em 2026 e de 75 dólares em 2027. As estimativas anteriores eram de 68 dólares e 65 dólares, respectivamente.
Na avaliação do Safra, a normalização da produção global e dos fluxos marítimos deve levar tempo. Mesmo após o fim do conflito no Oriente Médio, o mercado físico tende a permanecer apertado. No longo prazo, a premissa estrutural segue em 65 dólares por barril em termos reais.
Riscos seguem no radar
O Safra destaca que o setor continua exposto a uma série de riscos. Entre eles estão a volatilidade dos preços do petróleo, atrasos na obtenção de licenças ambientais, mudanças regulatórias ou tributárias, dificuldades no cumprimento das metas de produção, riscos ambientais e geológicos, alterações de controle acionário e uma eventual reversão dos fluxos de investimento para o Brasil.