O segmento de distribuição de combustíveis deve liderar os resultados do setor de petróleo e gás no segundo trimestre. Margens mais elevadas, impulsionadas pelos descontos em relação aos preços de importação, favoreceram as grandes distribuidoras, que ampliaram volumes vendidos e rentabilidade.
Na avaliação do Banco Safra, as margens unitárias permaneceram acima de R$ 400 por metro cúbico durante o período, sustentando um cenário operacional bastante positivo para o segmento.
Empresas produtoras enfrentam cenário mais misto
Entre as companhias de exploração e produção de petróleo, os resultados devem variar entre neutros e positivos.
O período foi marcado por fatores que atuaram em direções opostas. A valorização do petróleo trouxe benefícios para a receita, mas o impacto foi parcialmente compensado pela valorização do real, pela tributação sobre exportações de petróleo e pelas estratégias de proteção de preços adotadas por algumas empresas.
Além disso, diferenças no ritmo de produção e nos custos operacionais devem gerar desempenhos distintos entre as companhias.
PRIO deve ser beneficiada por produção e petróleo mais caro
A expectativa do Safra é que a PRIO (PRIO3) registre EBITDA ajustado de US$ 885 milhões, crescimento de 4% em relação ao trimestre anterior.
O resultado deve refletir a combinação entre preços mais elevados do petróleo e aumento dos volumes comercializados.
A produção do campo de Wahoo continua sendo um dos destaques operacionais, contribuindo para o crescimento dos embarques durante o período.
Por outro lado, maiores pagamentos de royalties, participação especial e tributação sobre exportações devem limitar parte dos ganhos.
Brava deve contar com apoio dos segmentos industriais
Para a Brava Energia (BRAV3), o Safra projeta EBITDA ajustado consolidado de R$ 1,76 bilhão.
A área de exploração e produção deve apresentar estabilidade operacional, enquanto os segmentos de processamento e refino tendem a registrar melhora relevante.
O avanço dos spreads dos derivados de petróleo deve impulsionar a rentabilidade dessas operações.
Ainda assim, custos operacionais mais elevados, tributação sobre exportações e a valorização do real devem reduzir parte do impacto positivo.
PetroReconcavo deve crescer apesar de desafios operacionais
A PetroReconcavo (RECV3) deve continuar sendo beneficiada pelos preços mais elevados do petróleo.
O Safra estima EBITDA ajustado de R$ 391 milhões, crescimento de 26% frente ao trimestre anterior.
Entretanto, parte desse ganho foi limitada por uma redução nas entregas de produção durante o período, além da necessidade de compras adicionais de gás para cumprir contratos após desafios operacionais.
Ultrapar deve apresentar forte recuperação
A Ultrapar (UGPA3) tende a registrar um dos melhores desempenhos do setor.
A expectativa é de EBITDA ajustado consolidado de R$ 3,62 bilhões, alta de 56% em relação ao primeiro trimestre.
O principal destaque deve ser a Ipiranga, beneficiada pela combinação de margens mais elevadas e crescimento dos volumes vendidos.
A Ultragaz também deve apresentar evolução da rentabilidade, enquanto a Hidrovias do Brasil contribui com uma recuperação expressiva dos resultados.
Vibra deve ser favorecida por margens elevadas
A Vibra Energia (VBBR3) também deve se beneficiar do ambiente positivo para a distribuição de combustíveis.
O Safra projeta crescimento dos volumes comercializados e forte expansão das margens unitárias.
Além disso, a Comerc deve apresentar recuperação operacional, contribuindo para a melhora do desempenho consolidado.
Com isso, a expectativa é de EBITDA ajustado de R$ 4,09 bilhões, avanço de 67% frente ao trimestre anterior.
Cosan deve contar com recuperação da Rumo e da Moove
Para a Cosan (CSAN3), o Safra projeta EBITDA sob gestão de R$ 4,13 bilhões.
O principal vetor de crescimento deve ser a Rumo (RAIL3), impulsionada pela melhora operacional e pelo aumento da movimentação de cargas.
A Moove também deve apresentar recuperação dos resultados, enquanto a Compass deve manter trajetória de crescimento mais moderada.
Perspectivas
O segundo trimestre reforça a influência da geopolítica sobre o setor de petróleo e gás. As tensões internacionais continuaram sustentando os preços da commodity, enquanto mudanças nos fluxos globais de energia impactaram diferentes segmentos da cadeia.
Nesse contexto, as distribuidoras de combustíveis surgem como as principais beneficiadas do período, graças ao ambiente favorável de margens e volumes. Já as produtoras de petróleo devem apresentar resultados mais heterogêneos, refletindo diferenças de exposição ao câmbio, tributação, produção e estratégias comerciais.