O Banco Safra elevou a recomendação da Petrobras (PETR4) de Neutra para Compra, com um novo preço-alvo de 12 meses de R$48 por ação (R$ 34 anteriormente), o que representa um potencial de valorização de 29% e um retorno total de 44%.
Além do potencial de valorização, a elevação da recomendação é baseada na perspectiva de forte geração de fluxo de caixa livre da Petrobras e nossa crescente confiança de que isso continuará beneficiando os acionistas por meio de dividendos.
O Safra estima um dividend yield potencial de 15% para 2025, beneficiado por uma geração de fluxo de caixa livre robusta, para o qual espera um retorno de 22%. Dessa forma, o banco acredita que a Petrobras atue como uma forma de adicionar diversificação a um portfólio de companhias de exploração e produção (E&P), sem mencionar seu carrego atrativo em um ambiente de juros locais mais altos e menor volatilidade potencial de produção/geração de caixa em comparação com produtores independentes.
Avaliação da Petrobras
O Safra vê a Petrobras sendo negociada atualmente a 3,0x EV/EBITDA em 2025E, um desconto de 33% sobre seus pares. Embora reconheçamos que o perfil de risco da Petrobras é mais elevado por ser controlada pelo governo, esse desconto nos parece excessivo. Nos três anos anteriores à primeira mudança na sua gestão devido à insatisfação política com os preços dos combustíveis (fevereiro de 2021), o desconto médio era de cerca de 9%. Para definir o preço-alvo, o Safra está usando um desconto de 15% sobre o múltiplo de negociação atual de uma amostra de pares, resultando em um múltiplo de 3,7x.
Do lado da produção, a Petrobras parece bem-posicionada para atingir sua projeção (guidance) de produção para 2024. Embora os níveis de produção atuais estejam 4% abaixo da meta, a aceleração das operações das unidades de Produção, Armazenagem e Transferências Flutuantes (FPSOs) Ana Nery e Anita Garibaldi, além do início das operações dos FPSOs Maria Quitéria e Duque de Caxias, podem ajudar a diminuir essa diferença.
Olhando para além de 2024, o cumprimento das metas de produção delineadas no plano estratégico da Petrobras dependerá em grande parte do início tempestivo dos novos FPSOs, do ritmo em que essas unidades aumentarão a produção e da efetividade com que a Petrobras irá gerenciar as taxas de declínio de seus campos existentes.
Para além do período de projeção, a sustentabilidade dos níveis de produção estará fortemente ligada à reposição de reservas, um foco importante da nova diretoria da Petrobras.
Potencial atividade de fusões e aquisições (M&A)
O capex total sob avaliação no plano de negócios, que inclui potenciais transações de M&A, soma US$13bi, dos quais US$8bi estão direcionados para energias de baixa emissão de carbono, US$4bi para refino e marketing e US$1bi para E&P.
Uma das novas frentes introduzidas pelo novo plano de negócios é o etanol, segmento em que a Petrobras pretende ganhar presença significativa. A potencial recompra da Refinaria de Mataripe, antiga RLAM, é outra potencial aquisição da Petrobras. Essa possibilidade ganhou força após a decisão proferida em maio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que revisitou os termos de um acordo de 2016 com a Petrobras relacionado ao setor de refino.
Embora o Safra não tenha conduzido uma avaliação formal da Refinaria de Mataripe, ela foi vendida em 2021 por US$1,8bi. Na ocasião, a refinaria tinha capacidade de processamento de 279.000 bbl/dia, que aumentou para mais de 300.000 bbl/dia desde então. Isso sugere que uma potencial recompra poderia demandar um preço maior do que US$1,8bi, embora a Petrobras esteja aparentemente em uma posição de negociação mais favorável. Outra frente que a companhia poderia explorar é a aquisição de projetos de geração de energia solar e eólica, como forma de aumentar sua presença na área de renováveis.
Atenção aos riscos
Os principais riscos para a tese incluem:
- (i) preços do petróleo;
- (ii) riscos de execução e geológicos;
- (iii) restrições na cadeia de suprimentos do setor offshore;
- (iv) mudanças nas estruturas regulatórias e/ou tributárias; (v) atrasos na obtenção de licenças ambientais;
- (vi) interferência governamental;
- (vii) execução do plano de investimentos;
- (viii) riscos ambientais.