O sentimento em relação ao setor de papel e celulose está melhorando, segundo o Banco Safra. No entanto, os mercados de celulose de fibra longa e de fibra curta apresentam comportamentos diferentes.
A celulose de fibra longa ainda enfrenta excesso estrutural de oferta. Os cortes recentes de produção ajudaram a estabilizar os preços, mas não foram suficientes para reequilibrar completamente o mercado.
Por isso, o Safra espera novos fechamentos de capacidade entre 2026 e 2027. A instituição considera esses cortes a principal fonte de sustentação para os preços no próximo ano.
Já a celulose de fibra curta avançou inicialmente com a recomposição dos estoques na China e com os aumentos promovidos pelos produtores. O movimento, contudo, perdeu força à medida que os compradores reduziram seus estoques antes da entrada de novas fábricas.
Ainda assim, a pressão sobre os custos da madeira na China levou produtores integrados a voltar a comprar celulose no mercado. Esse movimento ajudou a equilibrar a oferta, mesmo sem o fechamento formal de capacidade.
O Safra projeta preços médios de US$ 608 por tonelada para a celulose de fibra curta e de US$ 718 por tonelada para a celulose de fibra longa em 2027.
Suzano é a principal escolha
A Suzano (SUZB3) continua como a principal escolha do Safra no setor, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 59 para a ação. O retorno total estimado para o acionista é de 30%.
A companhia apresenta maior exposição à celulose de fibra curta, além de uma geração de caixa mais forte e uma trajetória de redução da dívida mais rápida.
As ações também são negociadas com desconto em relação à média histórica do múltiplo entre o valor da empresa e o resultado operacional. Para 2027, o indicador estimado é de 5,1 vezes, ante média de 5,6 vezes nos últimos cinco anos.
A valorização do real e uma eventual queda nos preços da celulose representam riscos para a Suzano. Parte desse impacto, porém, é protegida por operações financeiras de proteção cambial e de preços.
O Safra vê espaço para uma aceleração da recompra de ações quando a relação entre a dívida líquida e o resultado operacional ficar abaixo de aproximadamente três vezes. Ainda existe, entretanto, incerteza sobre novos movimentos de crescimento por meio de aquisições.
Com a inclusão do projeto Arbex, o banco estima resultado operacional de R$ 24,3 bilhões para a Suzano em 2027 e de R$ 26 bilhões em 2028.
Klabin combina previsibilidade e eficiência
A Klabin (KLBN11) também tem recomendação de compra pelo Safra, com preço-alvo de R$ 21,40 e retorno total estimado de 18%.
A tese de investimento se apoia na previsibilidade da companhia e na melhora dos preços globais do papel para embalagens. O fechamento de capacidade no segmento de papéis para embalagem confirmou uma das principais premissas do banco e impulsionou as cotações do papel kraftliner.
Além disso, os avanços na produção de cartão revestido do projeto MP28 aumentaram o resultado operacional por tonelada da Klabin.
A empresa também apresentou controle de custos. O custo total de caixa avançou apenas cerca de 1% no segundo trimestre de 2026, desempenho considerado positivo diante da alta dos preços de matérias-primas, como diesel e produtos químicos.
As estimativas do Safra para o resultado operacional da Klabin em 2027 e 2028 estão entre 3% e 6% acima das projeções médias do mercado.
O principal risco para a tese é a preferência dos investidores por empresas com exposição mais direta ao câmbio ou à celulose de fibra curta. Nesse cenário, o retorno médio de caixa estimado para a Klabin entre 2027 e 2029 pode não ser considerado suficientemente atrativo.
CMPC tem potencial, mas exige cautela
A CMPC tem recomendação neutra e preço-alvo de 1.280 pesos chilenos para meados de 2027. O retorno total estimado é de 19%.
Na avaliação do Safra, o potencial de valorização da companhia começa a aparecer. A exposição à celulose de fibra curta pode beneficiar a empresa caso a recuperação dos preços da commodity se confirme até o fim de 2026.
Por outro lado, a CMPC é negociada a um múltiplo superior ao dos pares. O indicador entre o valor da empresa e o resultado operacional estimado para 2027 é de 7,4 vezes.
A companhia também apresenta uma geração de caixa mais limitada, com retorno médio próximo de 1% entre 2027 e 2029.
O Safra ainda aguarda a aprovação definitiva do projeto Natureza. A expectativa é que a aprovação seja acompanhada por uma oferta de ações de até US$ 1,5 bilhão, o que ajudaria a financiar a fase de investimentos estimada em aproximadamente US$ 4,5 bilhões.
As projeções do banco para o resultado operacional da CMPC, entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão em 2027 e 2028, já consideram uma recuperação ampla dos negócios de celulose e produtos de higiene.
Mesmo com estimativas acima das projeções médias do mercado, o Safra mantém recomendação neutra. A decisão reflete preocupações com o balanço da empresa, especialmente a alavancagem elevada e o risco de aumento de capital.
Principais riscos para o setor
A visão do Safra pode ser afetada por preços de celulose, papel e embalagens abaixo do esperado. Custos operacionais superiores às projeções também representam um risco para as empresas analisadas.
Além disso, uma redução mais lenta da dívida, mudanças inesperadas nos planos de investimentos e uma valorização do câmbio acima das estimativas podem pressionar os resultados.
Nesse cenário, novos cortes de produção continuam sendo fundamentais para sustentar os preços da celulose. A entrada de novas capacidades, por outro lado, pode aumentar a pressão sobre a celulose de fibra curta, especialmente no médio prazo.