O setor de papel e celulose deve apresentar uma temporada de resultados mais forte no segundo trimestre de 2026, embora ainda distante de um desempenho considerado robusto. A avaliação é do Safra, que elevou as estimativas para as principais empresas do segmento diante da melhora de preços, da sazonalidade mais favorável e do avanço de volumes em algumas operações.
Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11), Dexco (DXCO3) e CMPC devem reportar resultados superiores aos do trimestre anterior. Ainda assim, as projeções seguem abaixo do consenso de mercado em alguns casos, o que reforça um cenário de recuperação gradual para o setor.
Suzano deve avançar com alta de preços
O Safra projeta que a Suzano registre EBITDA de R$ 4,7 bilhões no segundo trimestre de 2026. O valor representa alta de 3% frente ao trimestre anterior, mas permanece abaixo da expectativa média do mercado.
A melhora deve vir principalmente do negócio de celulose. O banco estima crescimento de 9% no EBITDA da divisão, apoiado por preços realizados mais altos e embarques levemente superiores.
Os preços médios da celulose devem alcançar US$ 600 por tonelada, avanço de 7% na comparação trimestral. Já os embarques tendem a crescer 2%, beneficiados por uma sazonalidade mais favorável.
Por outro lado, custos mais elevados com diesel, frete e manutenção devem limitar parte da expansão operacional.
No segmento de papel, a expectativa também é positiva. O Safra prevê EBITDA de R$ 530 milhões, impulsionado por embarques mais fortes e reajustes moderados de preços.
Klabin deve se beneficiar de embalagens e celulose
A Klabin deve reportar EBITDA de R$ 1,8 bilhão no segundo trimestre, alta de 16% em relação ao primeiro trimestre de 2026.
Segundo o Safra, o desempenho será sustentado por preços mais altos de celulose e pela recuperação dos volumes de embalagens e cartão revestido.
A demanda por caixas de papelão ondulado e sacarias tende a ganhar força no período. Além disso, o segmento de cartões deve se beneficiar da maior procura ligada aos setores de bebidas e embalagens para consumo.
O banco também destaca a redução do custo caixa no trimestre. A ausência de paradas de manutenção deve compensar a pressão vinda dos custos de energia.
Com isso, a Klabin deve apresentar melhora da rentabilidade operacional medida pelo EBITDA por tonelada.
Dexco deve mostrar recuperação operacional
A Dexco também deve registrar evolução nos resultados do segundo trimestre. O Safra estima EBITDA ajustado de R$ 520 milhões, avanço de 9% frente ao trimestre anterior.
A principal contribuição deve vir da divisão Wood, apoiada por maiores preços realizados e crescimento dos embarques.
Mesmo com a alta dos custos de produção, o aumento de receita deve sustentar a expansão operacional da companhia.
A divisão Deca também deve apresentar melhora, impulsionada por reajustes de preços. Já a operação de revestimentos deve voltar ao campo positivo após resultados mais fracos nos trimestres anteriores.
Por outro lado, a LD Celulose tende a sofrer impacto negativo da valorização do real, fator que reduz parte dos ganhos obtidos com a alta dos preços internacionais da celulose.
CMPC deve crescer com melhora da celulose
Para a CMPC, o Safra projeta EBITDA ajustado de US$ 271 milhões no segundo trimestre, alta de 6% na comparação trimestral.
A divisão de celulose deve liderar o avanço, beneficiada por preços realizados mais altos e crescimento dos embarques.
Em contrapartida, as operações da Softys e da Biopackaging devem apresentar resultados mais fracos devido ao aumento de custos e despesas operacionais.
Ainda assim, o avanço da área de celulose deve mais do que compensar a pressão nas demais divisões da companhia.
Setor ainda enfrenta desafios de custos
Apesar da melhora esperada nos resultados, o Safra avalia que o setor segue distante de uma temporada considerada brilhante.
A inflação de custos, especialmente com diesel, frete, energia e produtos químicos, continua pressionando as margens das companhias.
Além disso, parte das empresas ainda enfrenta impactos de manutenção industrial e volatilidade cambial. Mesmo assim, o ambiente de preços mais favorável e a recuperação gradual da demanda sustentam uma perspectiva mais positiva para o segmento no segundo trimestre de 2026.