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Panvel combina valuation atrativo e bom momento operacional

Revisões nas estimativas refletem desempenho acima do esperado, ajustes macroeconômicos e mantêm recomendação de compra para a varejista farmacêutica


O Banco Safra revisou o preço-alvo de 12 meses da Panvel (PNVL3) para R$ 17 por ação, ante R$ 22 anteriormente. A mudança incorpora o resultado do primeiro trimestre de 2026, ajustes nas premissas macroeconômicas e uma leitura mais cautelosa sobre margens. Ainda assim, o novo valor indica potencial de valorização de 53% em relação às cotações atuais, o que sustenta a recomendação de compra.

Vendas em mesmas lojas surpreendem positivamente

O principal destaque operacional da Panvel veio do desempenho das vendas em mesmas lojas. No primeiro trimestre de 2026, o indicador avançou 11,5%, superando a estimativa anterior do banco. Como resultado, a projeção de crescimento para 2026 subiu de 8,2% para 8,9%. Para 2027, a estimativa passou de 6,5% para 6,8%.

O Safra segue construtivo com a dinâmica de vendas de medicamentos à base de GLP-1, que continuam a impulsionar o faturamento. A expectativa é de reforço adicional com a chegada de versões genéricas, prevista para meados de junho, além de melhorias na cadeia de suprimentos.

Margens sofrem pressão, mas trajetória segue positiva

Apesar do avanço nas vendas, o banco revisou para baixo as estimativas de margem EBITDA. A redução foi de 29 pontos-base em 2026, 35 pontos-base em 2027 e 39 pontos-base em 2028. A maior penetração de medicamentos de GLP-1 pressiona a margem bruta e mais do que compensa a diluição de despesas operacionais.

Ainda assim, as projeções indicam expansão anual de 40 pontos-base na margem EBITDA em 2026, o que sinaliza resiliência operacional mesmo em um ambiente mais competitivo.

Lucro é impactado por custo maior da dívida

A revisão mais relevante ocorreu no lucro líquido. As estimativas caíram 13% para 2026, 10% para 2027 e 11% para 2028. O principal fator foi o aumento do custo da dívida, agora próximo de 100% do CDI, após um período marcado por financiamentos mais baratos.

Esse movimento reduz o ritmo de crescimento do resultado final, mas não altera a visão estrutural positiva sobre a companhia.

Valuation reforça tese de compra

No preço atual, a Panvel negocia a cerca de 8 vezes o lucro estimado para 2027. O múltiplo fica abaixo do nível implícito de 12 vezes considerado no preço-alvo e próximo da média recente de 9 vezes. Para o Safra, o valuation permanece atrativo diante da perspectiva de crescimento anual composto de receita de 15% entre 2025 e 2028.

Outro ponto de apoio é a melhora da liquidez das ações. O volume médio diário negociado subiu para cerca de R$ 13 milhões, ante R$ 4 milhões seis meses atrás, o que tende a ampliar o interesse de investidores institucionais.

Jornada de trabalho entra no radar de riscos

O Safra avaliou também os possíveis impactos de mudanças na jornada de trabalho. Em um cenário de aumento das despesas de vendas entre 4,1% e 11%, o reajuste de preços necessário para compensação variaria de 1,8% a 4,3%.

Caso a companhia não repasse custos nem ajuste operações, hipótese considerada improvável, o impacto no lucro líquido poderia chegar a até 50% em 2027. Nesse contexto extremo, o preço-alvo poderia variar entre R$ 13,4 e R$ 8,5, o que sugere que parte desse risco já está refletida no preço atual.

Principais riscos no horizonte

Entre os principais riscos monitorados estão um cenário macroeconômico mais adverso, reajustes de preços abaixo da inflação regulada, aumento da concorrência, desafios de execução e eventuais impactos regulatórios sobre a jornada de trabalho. Mesmo assim, o Safra entende que o balanço entre risco e retorno segue favorável para a Panvel.


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