A Panvel (PNVL3) apresentou um desempenho sólido de receita no quarto trimestre de 2025, apoiado pela expansão da rede, pelo avanço das vendas nas lojas maduras e pelo crescimento dos canais digitais.
A receita bruta somou R$ 1,7 bilhão, com alta de 16,3% na comparação anual e resultado levemente acima das projeções. Mesmo com o efeito negativo da descontinuação da operação de atacado, a companhia manteve um ritmo forte de crescimento no varejo.
Na operação de varejo, a receita bruta também atingiu R$ 1,7 bilhão, com avanço de 18,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado refletiu a abertura líquida de 28 lojas e o crescimento de vendas nas mesmas lojas de 14,7%.
A companhia também elevou a produtividade da base. A receita média mensal por loja chegou a R$ 849 mil no trimestre, alta de 11,5% em um ano. Esse desempenho foi sustentado por maior volume de vendas, pela maturação mais rápida das unidades recém-abertas, pelo crescimento de 10,2% nas lojas maduras e pelo avanço de 55% das vendas digitais.
Entre as categorias, os maiores destaques ficaram com medicamentos de marca, genéricos, produtos de venda livre, além do segmento de beleza e cuidados pessoais.
Margens avançam e EBITDA cresce no trimestre
A Panvel também mostrou evolução de rentabilidade no trimestre. A margem bruta atingiu 29,8% no período, com alta de 58 pontos-base na comparação anual.
Esse movimento teve como principal vetor a saída gradual da operação de atacado, que ajudou a melhorar o perfil de rentabilidade da receita. Ao mesmo tempo, a margem do varejo permaneceu praticamente estável, mesmo com maior participação de medicamentos de marca, efeito compensado pelo crescimento de genéricos e de produtos de higiene, perfumaria e cuidados pessoais.
Com isso, o EBITDA ajustado somou R$ 105 milhões no quarto trimestre, com crescimento de 28% em relação ao mesmo intervalo de 2024. A margem EBITDA ficou em 6,3%, avanço de 57 pontos-base na base anual e levemente acima das estimativas.
Já o lucro líquido ajustado alcançou R$ 45 milhões no trimestre. O número ficou abaixo da projeção de R$ 48 milhões, pressionado por um resultado financeiro mais fraco em meio ao nível mais elevado de juros.
Fluxo de caixa livre é o principal destaque
O principal destaque do resultado foi a melhora da geração de caixa. A Panvel (PNVL3) encerrou o trimestre com fluxo de caixa livre de R$ 42 milhões, revertendo o consumo de R$ 30 milhões registrado no quarto trimestre de 2024.
A melhora decorreu de uma combinação entre crescimento operacional e menor necessidade de capital de giro. O prazo médio de estoques caiu 12 dias na comparação anual, movimento ligado à saída gradual do atacado. Esse efeito compensou a piora de um dia no prazo com fornecedores e o aumento de três dias no prazo de recebimento, influenciado principalmente pelas vendas de GLP-1.
Esse ajuste no ciclo de caixa, somado ao avanço do EBITDA, fortaleceu a estrutura financeira da companhia ao fim do período.
Alavancagem recua e balanço segue confortável
A Panvel também encerrou o trimestre com redução da dívida líquida de R$ 35 milhões em relação ao ano anterior. Como resultado, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA caiu para 0,9 vez, com recuo de 0,3 vez na comparação anual.
O indicador mostra um balanço confortável e amplia a capacidade da companhia de seguir executando seu plano de expansão sem comprometer a disciplina financeira.
Análise dos especialistas
Na avaliação do Safra, os resultados da Panvel (PNVL3) foram positivos. A companhia combinou melhora de EBITDA com evolução do ciclo de caixa, o que sustentou uma geração de caixa mais forte no trimestre.
Além disso, a empresa continua mostrando capacidade de elevar a produtividade das lojas ao longo do tempo, ao mesmo tempo em que mantém uma estratégia agressiva de expansão. Essa combinação tende a apoiar o crescimento da receita, a evolução das margens e o avanço do lucro por ação nos próximos trimestres.
Diante desse cenário, o Safra mantém recomendação de compra para Panvel (PNVL3), com preço-alvo de R$ 22 por ação.