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Pampa Energia cresce na Argentina e tem recomendação de compra

Pampa Energia (PAMP) tem potencial de alta de 52%, apoiada por mudanças no setor elétrico, expansão em petróleo e menor risco na Argentina


Os especialistas do Banco Safra reiteraram a recomendação de compra para a Pampa Energia (PAMP) e elevou o preço-alvo da ação para US$ 123 em 12 meses. O novo valor embute potencial de valorização total de 52%.

A revisão do modelo considerou os resultados mais recentes da companhia, novas projeções para a economia argentina, atualização dos preços de petróleo, gás e energia elétrica, além de mudanças nas premissas de investimentos.

Na visão do banco, a empresa segue negociando a níveis atrativos diante de seus pares. Ao mesmo tempo, reúne gatilhos relevantes de crescimento em diferentes frentes do negócio.

Reformas ajudam margens

O principal vetor positivo vem da mudança no mercado de geração de energia na Argentina. Desde novembro de 2025, uma nova regulação passou a restabelecer a lógica de preços definida por oferta e demanda e reativou os contratos bilaterais no mercado atacadista.

Na prática, esse movimento tende a melhorar a rentabilidade da área de geração da Pampa Energia. Antes, a formação de preços dependia mais diretamente da autoridade reguladora. Agora, o ambiente se torna mais aderente à dinâmica de mercado, o que abre espaço para margens melhores.

Além disso, o Safra avalia que a normalização das tarifas de serviços públicos deve favorecer ativos regulados da companhia, como transmissão e gasodutos, ainda que o processo pressione a inflação no país.

Petróleo reforça crescimento

A frente de petróleo e gás também sustenta a visão positiva. A Argentina registrou produção recorde de petróleo no último ano, e o banco entende que os incentivos do governo devem manter o ritmo de investimentos elevado em 2026 e 2027.

Esse cenário beneficia projetos relevantes, como o avanço operacional em Rincon de Aranda e a expansão da atividade em Vaca Muerta. Com isso, a Pampa Energia pode ganhar escala em um momento em que o país amplia sua capacidade de produção.

O Safra também destaca que o crescimento da demanda por infraestrutura energética deve abrir novas oportunidades. Entre elas estão linhas de transmissão, gasodutos e aumento da capacidade de geração, segmentos nos quais a empresa já possui presença relevante.

Argentina cresce apesar da desaceleração

Desde o início da cobertura, em julho de 2025, a trajetória de reformas econômicas da Argentina seguiu produzindo efeitos, embora com volatilidade. Em 2025, o país cresceu 4,4% e reduziu a inflação para 31,5%, depois de 117,8% em 2024.

Para 2026, o Safra projeta crescimento de 3,5% e inflação de 25%. A atividade deve desacelerar, mas ainda assim permanecer acima da média da América do Sul.

O banco pondera que a combinação entre ajuste doméstico, recomposição tarifária e tensões externas, como o conflito no Oriente Médio, pode tornar o cenário mais desafiador nos próximos trimestres. Ainda assim, o pano de fundo para o setor de energia continua favorável.

Preço-alvo sobe

A nova avaliação do Safra reflete, entre outros fatores, uma percepção menor de risco para a companhia. A taxa de desconto foi reduzida para 16,5%, ante 19% no modelo anterior.

O banco também revisou para cima parte de suas premissas de preços. No caso do petróleo, a nova curva considera US$ 75 por barril em 2027 e US$ 68 em 2028. Para energia elétrica, a estimativa de preço subiu para US$ 57 por megawatt-hora, acima da previsão anterior de US$ 39.

Com isso, o Safra projeta crescimento anual composto do resultado operacional de 25% em três anos. Além disso, estima investimentos consolidados de US$ 1,153 bilhão em 2026 e de US$ 720 milhões em 2027.

Riscos no radar

Apesar da visão construtiva, o Safra destaca fatores que podem limitar o desempenho da tese. Entre os principais riscos estão uma piora do quadro macroeconômico argentino, pressões sobre o câmbio, mudanças regulatórias ou políticas e atrasos na execução de novos projetos.

Também entram no radar possíveis estouros de orçamento em investimentos, além de riscos geológicos e ambientais, comuns à atividade de exploração e produção.

Ainda assim, o banco entende que a combinação entre ativos diversificados, melhora regulatória e expansão do setor mantém a Pampa Energia em posição favorável para capturar valor nos próximos anos.

O que sustenta a tese

A recomendação positiva para a Pampa Energia se apoia em quatro pilares principais:

  1. melhora do ambiente regulatório no mercado de geração de energia;
  2. expansão da produção de petróleo e gás na Argentina;
  3. demanda crescente por infraestrutura energética;
  4. valuation considerado descontado em relação a empresas comparáveis.

Com esse conjunto, o Safra vê espaço para a companhia seguir destravando valor mesmo em um cenário macroeconômico ainda volátil.


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