O Banco Safra revisou as estimativas e o preço-alvo de 12 meses da Pague Menos (PGMN3), que passou de 10,0 reais para 6,5 reais por ação. A atualização reflete a incorporação do resultado do primeiro trimestre de 2026, além de ajustes nas projeções de crescimento e no cenário macroeconômico.
Mesmo com a revisão, o banco reiterou a recomendação de compra. No novo preço-alvo, o potencial de valorização estimado é de 66%, apoiado por um valuation considerado atrativo frente aos pares do setor.
Crescimento segue robusto, apesar de base mais exigente
Os especialistas do Safra passaram a projetar uma leve desaceleração no crescimento das vendas em mesmas lojas no segundo semestre de 2026, em função de uma base de comparação mais forte. A estimativa para o indicador em 2026 foi ajustada de 16% para 11,6%, ainda em patamar elevado. Para 2027, a projeção caiu de 9,6% para 9,0%.
Por outro lado, o banco adotou uma visão mais otimista para a expansão da rede. A expectativa agora é de abertura de 24 lojas em 2026, 30 em 2027 e 50 em 2028, apoiada pelo fortalecimento da estrutura de capital após o follow-on de 215 milhões de reais.
Margens permanecem resilientes
As estimativas de receita foram revisadas para baixo em 3% em 2026 e 2% em 2027, enquanto 2028 foi mantido. Em termos de rentabilidade, o Safra manteve as margens praticamente estáveis, com leve compressão de poucos pontos-base nos próximos dois anos.
Os ganhos de margem bruta observados no primeiro trimestre, com alta anual de 72 pontos-base, tendem a compensar a desaceleração do crescimento e a aceleração na abertura de lojas. O banco projeta expansão de margem operacional de cerca de 40 pontos-base em 2026.
Avaliação segue atrativa no cenário atual
O novo preço-alvo de 6,5 reais foi calculado com base no fluxo de caixa descontado, incorporando crescimento de longo prazo de 5,5% e premissas de custo de capital mais conservadoras. No nível atual, as ações negociam a cerca de 8 vezes o lucro estimado para 2026, abaixo do múltiplo implícito no preço-alvo.
Na visão do Safra, a companhia pode passar por um re-rating à medida que consolida melhorias operacionais e de liquidez. O volume médio diário negociado mais do que dobrou nos últimos meses, o que contribui para ampliar o interesse de investidores.
Mudanças trabalhistas entram no radar de riscos
Os especialistas do banco também avaliaram os possíveis impactos de mudanças na jornada de trabalho. Dependendo do cenário, o aumento de despesas poderia exigir reajustes de preços entre 1,9% e 4,4% para compensação. Em um cenário extremo, sem repasses ou ajustes operacionais, o lucro líquido de 2027 poderia cair de forma relevante.
Ainda assim, o Safra avalia que parte importante desse risco já está refletida no preço das ações. Entre os principais pontos de atenção, destaca-se o ambiente macroeconômico, a competição no setor, a execução da estratégia de crescimento, a liquidez do papel e eventuais mudanças regulatórias.