A Pague Menos (PGMN3) apresentou mais um trimestre de avanço operacional, com crescimento da rentabilidade e resultados acima das expectativas em nível operacional. O destaque ficou para o EBITDA ajustado, que superou as projeções do Banco Safra, impulsionado pela melhor diluição das despesas com vendas e administrativas.
Por outro lado, a geração de caixa continua sendo um dos principais pontos de atenção para investidores. Apesar da melhora no fluxo de caixa livre, a companhia ainda registra consumo de caixa quando analisado o desempenho dos últimos 12 meses.
Na avaliação do Safra, os resultados do segundo trimestre de 2026 tiveram impacto neutro para as ações, combinando evolução operacional consistente com desafios financeiros que permanecem no radar.
Crescimento das vendas segue sólido
A receita bruta da companhia alcançou R$ 4,3 bilhões no trimestre, alta de 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e crescimento de 4,8% frente ao trimestre anterior.
O resultado ficou praticamente em linha com as estimativas do Safra e foi sustentado principalmente pelo desempenho das lojas maduras.
As vendas nas mesmas lojas avançaram 8%, enquanto as vendas médias mensais por unidade cresceram 6,9%, alcançando R$ 856 mil. O número de transações também apresentou evolução positiva, com alta de 4,3%.
Apesar do desempenho saudável, a companhia manteve a tendência de desaceleração observada nos últimos meses. No trimestre anterior, as vendas nas mesmas lojas haviam avançado 13%.
Segundo a análise do Safra, parte desse movimento reflete uma base de comparação mais forte e uma contribuição menor dos medicamentos para tratamento da obesidade e diabetes da classe GLP-1, que tiveram peso menor no crescimento total das vendas.
Vendas digitais ganham relevância
O canal digital continuou sendo um dos principais motores de expansão da companhia.
As vendas digitais cresceram 40,6% em relação ao segundo trimestre de 2025 e atingiram R$ 1 bilhão. Com isso, passaram a representar 24,1% da receita bruta total da rede.
O avanço reforça a estratégia da companhia de integrar canais físicos e digitais para ampliar alcance, conveniência e frequência de compra dos consumidores.
Entre as categorias de produtos, os medicamentos genéricos lideraram o crescimento, com alta de 15,1%, seguidos pelos produtos de higiene e beleza, que avançaram 10%. Os medicamentos de marca sob prescrição cresceram 9,6%, enquanto os produtos vendidos sem prescrição registraram expansão de 4,7%.
Rentabilidade alcança nível recorde
O principal destaque financeiro do trimestre foi a evolução da rentabilidade.
O EBITDA ajustado atingiu R$ 282 milhões, crescimento de 15,4% na comparação anual e resultado 5% superior à estimativa do Safra.
A margem EBITDA alcançou 6,5%, o maior nível já registrado pela companhia e um avanço de 0,35 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.
O desempenho foi impulsionado principalmente pela diluição das despesas operacionais, especialmente dos gastos com vendas, que mais do que compensaram a leve redução da margem bruta.
Segundo o Safra, a melhora da alavancagem operacional demonstra disciplina na gestão de custos e maior eficiência na execução do negócio.
Lucro cresce, mas despesas financeiras pesam
O lucro líquido ajustado somou R$ 74 milhões, alta de 22% na comparação anual.
Apesar do crescimento, o resultado ficou abaixo das projeções do Safra. O principal fator foi o desempenho mais fraco da linha financeira, que registrou despesas superiores ao esperado.
Esse impacto limitou a conversão da melhora operacional em um crescimento ainda mais forte do lucro líquido.
Geração de caixa continua no radar
Embora o fluxo de caixa livre tenha mostrado evolução importante, a geração de caixa permanece como um tema central para a companhia.
Nos últimos 12 meses, o fluxo de caixa livre acumulado atingiu R$ 110 milhões, avanço relevante em relação aos R$ 18 milhões registrados um ano antes.
Ainda assim, a análise da dívida líquida mostra que a empresa consumiu R$ 138 milhões em caixa no período, desconsiderando os recursos captados na oferta subsequente de ações e os pagamentos de dividendos e juros sobre capital próprio.
Na visão do Safra, esse indicador merece acompanhamento próximo nos próximos trimestres.
Estoques pressionam ciclo de caixa
O ciclo de caixa operacional encerrou o trimestre em 69 dias.
O indicador apresentou melhora de três dias em relação ao trimestre anterior, mas piorou cinco dias na comparação anual.
O principal fator foi o aumento do prazo médio de estoques, que chegou a 104 dias. Segundo a companhia, o movimento está relacionado à formação temporária de estoques para suportar a operação do novo centro de distribuição na Paraíba.
Os prazos médios de recebimento aumentaram levemente, enquanto os prazos de pagamento aos fornecedores permaneceram praticamente estáveis.
O que esperar das ações da Pague Menos
Os resultados do segundo trimestre mostram que a Pague Menos continua avançando em eficiência operacional e rentabilidade, mesmo em um ambiente de crescimento mais moderado das vendas.
O fortalecimento do canal digital, a expansão da margem EBITDA e a redução da alavancagem financeira reforçam a evolução do negócio.
Por outro lado, a geração de caixa e a evolução do capital de giro seguem entre os principais pontos de monitoramento para investidores.
Na avaliação do Safra, a companhia apresentou um trimestre operacionalmente positivo, mas ainda precisa demonstrar maior consistência na conversão dos resultados em geração de caixa sustentável.